Os 2 músicos que Ozzy vetou de permanecer no Black Sabbath
Seja movido por lealdade ou pelo desejo de preservar a imagem da banda, o Príncipe das Trevas fez questão de impor sua vontade quanto à formação
Pedro Hollanda (@phollanda21)
Ao longo de sua trajetória de mais de 50 anos, o Black Sabbath teve várias formações, com a mais famosa sendo a liderada por Ozzy Osbourne. E o vocalista sempre foi protetor quanto a quem toca na banda, a ponto de vetar algumas pessoas: uma delas já no século 21, outra na década de 1970.
Em sua autobiografia mais recente, Last Rites (2025), o Príncipe das Trevas discutiu as tensões em volta do retorno do Black Sabbath em 2011. Após Bill Ward estar fora da reunião antes da turnê começar, Tommy Clufetos foi recrutado para tocar bateria nos shows iniciais. Entretanto, quando chegou a hora de gravar o álbum 13 (2013), o produtor Rick Rubin preferiu usar Brad Wilk, ex-Rage Against the Machine.
Quando chegou a hora de cair na estrada novamente para promover o trabalho, contudo, Ozzy bateu o pé. Precisava ser Tommy Clufetos. Ele escreveu:
“Eu disse, se Tommy [Clufetos] não estiver na bateria para a turnê, eu não faço a turnê. Isso causou muito ressentimento quando eu fiz essa jogada. Brad até me ligou e disse: ‘Por que você não quer que eu faça esse show?’ Tudo o que pude dizer foi: ‘Brad, se você fosse o Tommy, e tivesse estado lá para toda a composição, e Rick tivesse desejado te afastar, como você se sentiria?’ Ele não tinha resposta para isso. Não havia resposta.”

Ozzy reconheceu no livro que o trabalho de Wilk em 13 (2013) foi bom, mas como Clufetos fez parte de todo o processo de composição, sua exclusão das gravações lhe pareceu errada. Por outro lado, Osbourne admitiu seu papel nas tensões criadas dali em diante — e até expressou arrependimento na saída de Bill Ward.
Ele afirmou:
“Ao mesmo tempo, admito que estava tão acostumado a fazer as coisas do meu jeito e ter minha própria banda que era realmente difícil não estar no controle. Talvez seja por isso que o clima no palco nunca pareceu tão bom… O álbum e a turnê foram bem-sucedidos além do que qualquer um de nós poderia ter sonhado. Mas teria sido muito melhor se tivesse sido amigável, e se tivéssemos Bill lá. Tommy fez um ótimo trabalho na bateria, não me entenda mal. Mas ele seria o primeiro a admitir que não é Bill e nunca poderia ser”.
Curiosamente, antes mesmo de Wilk ou Clufetos serem recrutados, o produtor Rick Rubin sugeriu um nome inesperado para substituir Bill Ward: Ginger Baker. Segundo Ozzy, a ideia nunca foi levada a sério pela banda porque o ex-baterista do Cream era louco demais e também provavelmente recusaria o convite.
Ozzy Osbourne decide: nada de prog no Black Sabbath
Ozzy Osbourne vetou um novo integrante até mesmo nos tempos áureos do Black Sabbath, durante a década de 1970. Durante as gravações do álbum Sabbath Bloody Sabbath (1973), o tecladista Rick Wakeman foi recrutado para tocar nas sessões. Suas contribuições foram bem vindas por todos, mas o vocalista quis impor limites.
Em entrevista à Classic Rock Magazine (via Louder), Wakeman revelou quase ter entrado para a banda. Entretanto, Ozzy vetou a ideia porque ele era associado demais à cena progressiva.
Ele falou:
“Tony Iommi [guitarrista], com quem mantive uma grande amizade ao longo dos anos, uma vez me disse que a banda estava considerando seriamente me fazer um integrante oficial, talvez porque a gente se dava tão bem e eles estavam procurando expandir seu som. Mas Ozzy estava preocupado, razoavelmente, com a reação dos fãs de metal.”
O Black Sabbath viria a ter Geoff Nicholls como tecladista na formação oficial entre 1985 e 1995. Curiosamente, período em que Ozzy não fez parte da banda.
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