VOLTA POR CIMA

A atitude que evitou a morte de Ozzy Osbourne em 1982, segundo Jake E. Lee

Guitarrista da carreira solo do Príncipe das Trevas até 1987 revela o que foi primordial para evitar derrocada do cantor após perda de Randy Rhoads

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Ozzy Osbourne em 1982
Ozzy Osbourne em 1982 - Foto: Larry Marano / Getty Images

A morte trágica de Randy Rhoads em 1982 mergulhou Ozzy Osbourne em um dos períodos mais sombrios e caóticos de sua vida. No entanto, para o guitarrista Jake E. Lee — que assumiu o posto deixado por Rhoads —, uma decisão específica de Sharon Osbourne impediu que o Príncipe das Trevas sucumbisse totalmente.

Em declarações recentes ao podcast Talk is Jericho (via Ultimate Gutar) Lee refletiu sobre o estado emocional de Ozzy na época, resultando em abuso de drogas:

“Aquele foi provavelmente o seu período mais selvagem. Mas quem pode culpá-lo?”

Segundo Lee, Ozzy estava “destroçado” após o acidente aéreo que vitimou seu amigo e parceiro musical. De acordo com o guitarrista, o que salvou a vida e a carreira de Ozzy foi a determinação de Sharon em manter a máquina em movimento.

Ozzy Osbourne e Randy Rhoads em 1982
Ozzy Osbourne e Randy Rhoads em 1982 – Foto: Paul Natkin / Getty Images

Em vez de cancelar a turnê e permitir que Ozzy se isolasse em seu luto e vício, a empresária insistiu que o trabalho continuasse.

Ele explicou:

“Pelo que entendi, Sharon comentou que eles poderiam ter simplesmente cancelado os shows e dito: ‘O que vamos fazer?’. Mas eles continuaram.”

Para o guitarrista, essa atitude de manter Ozzy ocupado e nos palcos foi o que evitou que ele se perdesse definitivamente. O trabalho serviu como uma espécie de “âncora” em um momento em que o cantor não tinha estabilidade emocional.

Ozzy Osbourne e Jake E. Lee em 1984 - Foto: Larry Busacca / Getty Images
Ozzy Osbourne e Jake E. Lee em 1984 – Foto: Larry Busacca / Getty Images

Ozzy Osbourne e a evolução em turnê

Lee também comentou que, embora o comportamento de Ozzy nos Estados Unidos fosse considerado “insano” pela imprensa, o ambiente de turnê forçou ambos a evoluírem. O guitarrista admite que sua própria performance de palco e habilidade na guitarra cresceram “a passos largos” para preencher o vazio deixado por Randy Rhoads.

Embora o relacionamento entre Jake E. Lee e os Osbourne tenha enfrentado turbulências legais e contratuais nas décadas seguintes, o guitarrista reconhece a importância vital daquela decisão de 1982. Manter Ozzy no palco foi, no fim das contas, o que o manteve vivo.

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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