CURIOSIDADE

‘Uma Batalha Após a Outra’ parou filmagens por 3 meses para esperar Benicio del Toro

Leonardo DiCaprio revela que filmagens do novo longa de Paul Thomas Anderson foram interrompidas porque “só existia um Sensei neste mundo”

Giulia Cardoso (@agiuliacardoso)

'Uma Batalha Após a Outra' parou 3 meses para esperar Benicio del Toro
'Uma Batalha Após a Outra' parou 3 meses para esperar Benicio del Toro - Crédito: Reprodução

A produção de Uma Batalha Após a Outra, o aclamado filme de Paul Thomas Anderson, precisou ser paralisada por cerca de três meses. O motivo? O protagonista, Leonardo DiCaprio, e o diretor se recusaram a seguir em frente sem Benicio del Toro.

Em entrevista ao Deadline, DiCaprio revelou os bastidores da decisão de interromper as filmagens para aguardar a agenda do colega, que estava terminando de rodar O Esquema Fenício, de Wes Anderson. “Nós realmente paramos a produção por três meses para esperar por ele, porque sabíamos que só existia um Sensei neste mundo, e esse era o Benicio, explicou DiCaprio.

A espera valeu a pena. Segundo DiCaprio, Del Toro chegou ao set com uma “cacofonia de ideias incríveis” que alteraram fundamentalmente o roteiro e o arco de seu personagem, o misterioso “Sensei”.

Uma das mudanças mais drásticas envolveu uma sequência inteira. Originalmente, o roteiro previa que o personagem de DiCaprio cometeria um assassinato. Del Toro, no entanto, questionou a lógica da lealdade de seu personagem diante disso: “Bem, se esse cara mata alguém, qual é a minha lealdade a ele?”.

“Conversamos sobre isso por dias”, disse DiCaprio. “Você é um revolucionário, mas o quanto vai arriscar sua vida por esse cara?”. Esse questionamento levou a equipe a descartar a cena do crime e criar, em apenas uma semana, uma sequência totalmente nova envolvendo uma viagem de carro e um “centro de imigração Harriet Tubman” improvisado na casa do personagem.

A colaboração resultou em diversas falas que DiCaprio descreve como dignas de memes, incluindo “viva la revolution!” e “obrigado, Sensei”.

“Muitas dessas falas entre ele e eu foram apenas improvisadas. Ele chegou com aquela sensação de ondas do mar e paz interior. A calma dele com a minha histeria… aconteceu no primeiro dia, podíamos sentir, foi uma coisa linda”, elogiou o ator.

DiCaprio comparou a experiência a trabalhar com diretores autorais como Martin Scorsese e Quentin Tarantino, ressaltando que, embora Paul Thomas Anderson seja muito específico com seu texto, ele permite que os atores encontrem esses “pontos ideais” que não estavam no papel.

“O personagem de Benicio foi tão específico… Ele imaginou que o Sensei teria uma equipe, que teria gente no hospital, que teria o bairro todo na mão. Tudo isso foi inventado”, concluiu.

FONTE: DEADLINE

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Jornalista em formação pela Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, Giulia Cardoso começou em 2020 como voluntária em portais de cinema. Já foi estagiária na Perifacon e agora trabalha no núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo.
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