GENTILEZA EM PREMIAÇÃO

George Clooney chama Tarantino de ‘cruel’ após críticas a Paul Dano e Owen Wilson

“Estamos vivendo em tempos de crueldade. Não precisamos contribuir para isso”, afirmou o ator

Giovana Laurelli (@gii_laurelli)

Da esquerda para a direita: Owen Wilson, Quentin Tarantino, George Clooney, Paul Dano e Matthew Lillard (Fotos: Axelle/Bauer-Griffin/FilmMagic; Amy Sussman/Getty Images; Michael Kovac/Getty Images for AARP; Dominik Magdziak/Getty Images e Amy Sussman/Getty Images)
Da esquerda para a direita: Owen Wilson, Quentin Tarantino, George Clooney, Paul Dano e Matthew Lillard (Fotos: Axelle/Bauer-Griffin/FilmMagic; Amy Sussman/Getty Images; Michael Kovac/Getty Images for AARP; Dominik Magdziak/Getty Images e Amy Sussman/Getty Images)

George Clooney defendeu colegas de profissão ao receber o prêmio de Melhor Ator na premiação da AARP Movies for Grownups Awards, no último sábado, 10. Em seu discurso de agradecimento após receber a estatueta por seu trabalho em Jay Kelly, o ator elogiou Paul DanoOwen Wilson Matthew Lillard, que foram alvos de críticas de Quentin Tarantino no último mês.

Tarantino criticou os atores em dezembro de 2025, no programa ‘The Bret Easton Ellis Podcast’. Na entrevista, o diretor deveria revelar seus filmes preferidos do século XXI até o momento. Tarantino iniciou os ataques detonando a atuação de Dano em Sangue Negro (2007), filme do aclamado Paul Thomas Anderson em que o ator interpreta os gêmeos idênticos Eli Paul Sunday. O diretor alocou o longa na quinta posição, mas afirmou que o filme poderia ter ficado em primeiro ou segundo lugar “se não tivesse um defeito enorme… e esse defeito é Paul Dano“.

“Obviamente, a ideia é que seja um filme com dois personagens principais, mas também é drasticamente óbvio que não é”, continua o diretor. “[Dano] é fraco, cara. Ele é a parte mais fraca. Austin Butler teria sido maravilhoso nesse papel. Ele é um cara tão fraco, fraco e desinteressante. O ator mais fraquinho do SAG [sindicato dos atores de Hollywood].”

No filme, Dano contracena com um dos gigantes da atuação norte-americana, Daniel Day-Lewis. “Ele simplesmente não está no nível e no calibre de Daniel Day-Lewis, e se os dois personagens são para se enfrentarem ao longo do filme, então Daniel Day-Lewis é Muhammad Ali e Paul Dano é Jerry Corey. É o que é”. No filme, Dano interpretou dois personagens, mas teve apenas poucos dias antes do início das filmagens para se preparar, já que o ator que interpretaria um dos irmãos acabou abandonando o projeto.

Em meio as risadas de Tarantino, Ellis interveio dizendo que Dano estava “muito bem” para o que precisava fazer no filme. O diretor respondeu: “Não estou dizendo que ele está fazendo uma atuação terrível, estou dizendo que ele está fazendo uma atuação sem expressão… Não gosto dele.”

As críticas aos outros dois atores ocorreram logo em seguida. Wilson foi citado por seu trabalho em Meia-Noite em Paris (2011), o 10º colocado na mesma lista de favoritos de Tarantino.

“Eu realmente não suporto Owen Wilson. Eu não suporto mesmo”, afirmou. “Na primeira vez que vi Meia-Noite em Paris, passei o tempo amando o filme e odiando ele. Na segunda vez pensei: ‘Ok, não seja tão idiota, ele não é tão ruim.’ Na terceira vez, percebi que estava assistindo só para observá-lo”.

Lillard foi o único dos atores criticados que não foi mencionado por alguma atuação específica. “Não gosto do Paul Dano, não gosto do Owen Wilson, e não gosto do Matthew Lillard”, afirmou Tarantino.

Em seu discurso, Clooney exaltou os colegas de profissão: “Aliás, Paul Dano, Owen Wilson e Matthew Lillard, seria uma honra trabalhar com esses atores. Uma honra mesmo.”

Clooney também ressaltou a importância de trabalhar com uma equipe que aprecia a atuação, descrevendo Jay Kelly como um filme “feito por pessoas que amam atores — essa é uma parte importante. Pessoas que conheço há quase toda a minha vida… na verdade, a maioria delas são atores. Tenho muita afinidade [por eles] e não gosto de ver pessoas sendo cruéis”.

“Estamos vivendo em tempos de crueldade”, continuou o ator. “Não precisamos contribuir para isso”.

Em 2024, Tarantino também alfinetou Clooney, alegando que o ator vencedor do Oscar não era uma estrela de cinema (via Variety). Os dois atuaram juntos no filme Um Drink no Inferno, de Robert Rodriguez, em 1996.

“Quentin falou umas besteiras sobre mim recentemente, então estou um pouco irritado com ele”, afirmou o ator à GQ após a declaração do diretor. “Ele deu uma entrevista em que estava citando estrelas de cinema, e estava falando do Brad e de mais alguém, e aí um cara pergunta: ‘E o George?’ Ele responde: ‘Ele não é uma estrela de cinema’”.

Na mesma entrevista, Clooney acrescentou que foi uma “ótima época como jovem ator”, uma declaração que provavelmente mantém até hoje; na premiação Movies for Grownups, o ator brincou dizendo que “a única maneira de eu ganhar alguma coisa é se Timothée Chalamet for jovem demais”.

O evento anual no qual o ator foi premiado celebra filmes e séries feitos por e para pessoas acima de 50 anos, e é organizado pela organização sem fins lucrativos AARP American Association of Retired Persons (“Associação Americana de Pessoas Aposentadas”, em tradução livre). Confira abaixo o trailer do longa que rendeu distinção à Clooney na premiação:

 

Jornalista em formação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Giovana é apaixonada por música, filmes e a intersecção entre cultura e política. Já foi bailarina e canta em bandas de soul, rock e pop desde a pré-adolescência. É editora de Cultura e Entretenimento no Jornal Contraponto, veículo laboratorial impresso da PUC-SP. Na Rolling Stone, escreve sobre música, cinema e cultura pop.
TAGS: George Clooney, Matthew Lillard, owen wilson, Paul Dano, quentin tarantino