Por que Paul McCartney reinventou o baixo, segundo Johnny Marr
Guitarrista dos Smiths exalta a revolução imposta pelo Beatle ao instrumento e comenta que ele era de um “nível superior”
Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)
Para muitos, Paul McCartney é o arquiteto de algumas das melodias mais incríveis da história e a voz por trás de hinos insuperáveis. No entanto, Johnny Marr, guitarrista dos Smiths, destaca outra genialidade do eterno Beatle no ofício como baixista.
Em recente declaração ao podcast The Overlap (via Guitar World), Marr classificou o trabalho de McCartney nas quatro cordas como algo de “nível superior”. O célebre fã afirma categoricamente que o ídolo não apenas tocou o instrumento, mas o reinventou.
A admiração de Marr não é apenas teórica. Logo após o fim dos Smiths, o guitarrista teve a oportunidade de participar de uma sessão com McCartney. Foi nessa convivência direta que Marr percebeu a dimensão da revolução imposta por Macca ao instrumento.

Segundo o guitarrista, Paul transformou o baixo — tradicionalmente um instrumento de fundo, focado apenas em marcar o tempo — em uma “força melódica”. Ele comenta:
“Na verdade, a gente esquece o que é a arte dele. Paul McCartney reinventou uma maneira de tocar baixo. A gente pensa nele como compositor e cantor, mas como baixista, ele é de outro nível, de verdade. Acho que isso foi realmente intencional. Acho que ele tinha muito orgulho de ser… ele queria ser o melhor baixista do mundo.”

Paul McCartney fala sobre seu lado baixista
Embora Johnny Marr veja Paul McCartney como o revolucionário do instrumento, a relação do Beatle com o baixo começou de forma quase involuntária. Em entrevista à Reverb, ele relembrou que sua ambição inicial era ser guitarrista.
“Eu era o guitarrista solo, mas no primeiro show eu travei. Fiquei com as mãos trêmulas e não consegui tocar.
Uma vez no comando das quatro cordas, McCartney decidiu que não se limitaria a tocar apenas as notas fundamentais. Influenciado por James Jamerson (da Motown) e Brian Wilson (Beach Boys), ele começou a tratar o baixo como um instrumento também protagonista.
“Eu não queria apenas tocar a tônica, eu queria criar uma melodia que passasse de um acorde para o outro”
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