Tribunais e crimes

Nick Reiner esteve sob tutela confidencial de saúde mental em 2020, aponta jornal

Filho do diretor Rob Reiner, acusado de matar os pais em dezembro, teve medicação alterada pouco antes do crime devido a efeitos colaterais

Nancy Dillon - Rolling Stone EUA

Nick Reiner em 2016 (Foto: Laura Cavanaugh/FilmMagic/Getty Images)
Foto: Laura Cavanaugh/FilmMagic/Getty Images

Nick Reiner, filho do falecido diretor de Hollywood Rob Reiner e da fotógrafa Michele Reiner, foi colocado sob uma tutela de saúde mental confidencial em 2020. A informação, revelada pelo The New York Times, surge cinco anos antes de o homem de 32 anos ser acusado de assassinar os próprios pais.

De acordo com o jornal, um fiduciário licenciado foi nomeado como tutor de Nick sob a lei Lanterman-Petris-Short (LPS). Diferente das tutelas públicas que ganharam atenção nos casos de celebridades como Britney Spears e Amanda Bynes, a tutela LPS é geralmente motivada por hospitalizações psiquiátricas involuntárias e é protegida por sigilo judicial.

O tutor na época, Steven Baer, evitou comentar detalhes, mas declarou ao Times que a doença mental é “uma epidemia amplamente mal compreendida” e classificou o caso como uma “tragédia horrível”. A tutela de Nick teria sido encerrada em 2021.

Mudança de medicação e histórico policial

Fontes próximas ao caso informaram que Nick fazia uso de medicamentos psiquiátricos que pareciam estar funcionando. No entanto, cerca de um mês antes do crime, a medicação teria sido alterada devido a efeitos colaterais.

Registros policiais obtidos pela Rolling Stone confirmam que o Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD) foi acionado na residência dos Reiner duas vezes em 2019 — uma para uma “verificação de bem-estar” e outra para uma chamada de emergência envolvendo saúde mental.

O crime e o estado de saúde

Rob e Michele Reiner foram encontrados mortos com ferimentos de arma branca no quarto principal de sua casa em Brentwood, no dia 14 de dezembro de 2025. Nick foi preso horas depois perto de um posto de gasolina.

Nick Reiner, que luta contra o vício em drogas desde a adolescência, possui diagnósticos de esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo — uma condição que combina sintomas psicóticos com distúrbios de humor, como depressão ou mania.

Nas duas vezes em que compareceu ao tribunal desde sua prisão, Nick ainda não apresentou uma declaração de culpa ou inocência. Ele está sendo representado por uma defensora pública após seu advogado anterior, Alan Jackson, deixar o caso citando “circunstâncias além do controle”. Em sua primeira audiência, Nick vestia um traje especial azul para prevenção de suicídio.

Comportamento na véspera da tragédia

Fontes relataram à Rolling Stone que, na noite anterior ao crime, Rob e Michele levaram Nick como convidado para a festa de Natal de Conan O’Brien. Testemunhas afirmaram que, durante o evento, Nick apresentava um “comportamento antissocial”, permanecendo imóvel e encarando os convidados fixamente.

Em 2016, Nick chegou a escrever o roteiro do filme Being Charlie, dirigido por seu pai e vagamente baseado em sua luta contra o vício e suas diversas passagens por centros de reabilitação. Na época, Rob Reiner declarou em entrevista que a família estava desesperada para ajudar o filho, mas que o sistema de cuidados era extremamente desafiador de navegar.

Rob e Michele Reiner deixam outros dois filhos, Jake e Romy, que descreveram a perda como uma “dor inimaginável”.

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