Julio Iglesias responde às acusações de abuso sexual e tráfico de pessoas
Segundo o cantor, os relatos embasados por provas documentais seriam ‘completamente falsos’ e lhe causaram ‘muita tristeza’
Gabriela Nangino (@gabinangino)
Nesta semana, o cantor e compositor espanhol Julio Iglesias foi acusado de abuso sexual e tráfico de pessoas por duas ex-funcionárias. As mulheres, que se identificaram sob os pseudônimos de “Rebecca” e “Laura, alegam ter sido submetidas a “toques inapropriados, insultos e humilhação” quando trabalharam para o artista em 2021, na República Dominicana e nas Bahamas, durante 10 meses.
Na sexta, 16, Iglesias quebrou o silêncio sobre o caso e se pronunciou através do Instagram. Segundo o cantor, as acusações seriam “completamente falsas” e lhe “causam muita tristeza”. Ele negou “ter abusado, coagido ou desrespeitado qualquer mulher” e acrescentou que as mensagens de apoio que recebeu lhe trouxeram “grande conforto”.
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A investigação
Uma investigação conduzida por três anos pela pela emissora de televisão Univision Noticias e pelo site de notícias elDiario.es coletou depoimentos de mais de 15 ex-funcionários. As mulheres informaram que Iglesias impunha condições degradantes para o trabalho, como proibição de ter namorados, proibição de tirar fotos na casa, obrigação de entregar seus celulares para que as conversas fossem analisadas e até mesmo proibição de conversar com outros funcionários. Elas também relataram que, logo após chegarem, Iglesias fazia perguntas invasivas sobre suas preferências sexuais.
🔹No podían tener novio
🔹Prohibidas las fotografías en la casa
🔹Debían entregar el móvil para revisar conversaciones
🔹Prohibido hablar con otros empleadosLas normas que, según sus exempleadas, Julio Iglesias les imponía https://t.co/4xLx4KqOre
— elDiario.es (@eldiarioes) January 13, 2026
“Rebecca” relatou que o cantor a chamava em seu quarto ao final do turno e a tocava sem consentimento, muitas vezes na presença de outra funcionária. Ela descreveu sentir-se “como uma escrava”. Já “Laura” alegou ter sido beijada na boca e apalpada contra sua vontade. Ambas relataram que havia “uma atmosfera de controle e assédio constante” para os funcionários e acusaram o cantor de “normalizar o abuso” (via NME).
Segundo o elDiario.es, as entrevistas com as ex-funcionárias “descrevem as condições de isolamento das mulheres, as disputas trabalhistas, a estrutura hierárquica da equipe e o clima tenso criado pelo temperamento explosivo de Iglesias”.
O portal também afirmou que as duas mulheres foram “entrevistadas repetidamente ao longo de mais de um ano e seus relatos permaneceram consistentes durante todo o processo”. As alegações são sustentadas por “extensas provas documentais”, incluindo fotografias, registros de chamadas, mensagens de WhatsApp e relatórios médicos.
A denúncia das duas mulheres foi apresentada pela organização feminista interseccional Women’s Link Worldwide. Segundo a ONG, elas eram jovens latino-americanas “em situação de vulnerabilidade e altamente dependentes de seus salários devido às suas condições econômicas e sociais”. A gravadora de Iglesias, a Sony, se recusou a comentar as alegações.
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