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A banda de metal que a ‘direita religiosa’ tentou destruir — e não conseguiu

Disco de 1982 foi alvo de conservadores nos Estados Unidos, mas o boicote gerou ainda mais interesse e catapultou a popularidade do grupo

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Iron Maiden em 1982 (E-D) Dave Murray (guitarra), Steve Harris (baixo), Bruce Dickinson (vocal), Adrian Stmith (guitarra) (Foto: Koh Hasebe / Shinko Music / Getty Images)
Iron Maiden em 1982 (E-D) Dave Murray (guitarra), Steve Harris (baixo), Bruce Dickinson (vocal), Adrian Stmith (guitarra) (Foto: Koh Hasebe / Shinko Music / Getty Images)

Em 1982, o mundo do heavy metal estava prestes a ser mudado para sempre por um álbum que ostentava uma capa audaciosa, com um mascote manipulando o diabo como um fantoche e um título que fazia os mais religiosos tremerem. ERa The Number of the Beast, do Iron Maiden.

O terceiro disco de estúdio da banda inglesa não apenas marcou a estreia do vocalista Bruce Dickinson, mas também desencadeou uma das maiores polêmicas religiosas da história do estilo.

No entanto, o tiro saiu pela culatra. Como o próprio Bruce Dickinson recordou em entrevista de 2011 à Classic Rock (via Music Radar), a tentativa de difamar a banda tornou-se um dos combustíveis de seu sucesso.

Ele argumenta:

“Isso nos deu muita publicidade. Os garotos que queriam comprar nossos discos pensavam: ‘Ah, que legal! A direita religiosa está queimando os discos deles! É melhor eu comprar meia dúzia!’.”

Iron Maiden em 1982 (E-D): Dave Murray (guitarra), Clive Burr (bateria), Bruce Dickinson (vocal), Steve Harris (baixo), Adrian Smith (guitarra) (Foto: Koh Hasebe / Shinko Music / Getty Images)
Iron Maiden em 1982 (E-D): Dave Murray (guitarra), Clive Burr (bateria), Bruce Dickinson (vocal), Steve Harris (baixo), Adrian Smith (guitarra) (Foto: Koh Hasebe / Shinko Music / Getty Images)

A reação conservadora, especialmente nos Estados Unidos, foi significativa. Ativistas religiosos organizaram protestos em frente aos locais de shows da turnê The Beast on the Road. Em alguns episódios, grupos optaram por destruir os LPs recém-lançados.

A banda foi rotulada como satânica, um estigma que o baixista e fundador Steve Harris sempre rejeitou com veemência.

A faixa-título, por exemplo, era a mais problemática aos olhos conservadores devido ao nome (“O número da besta”). Todavia, foi inspirada em um pesadelo que Steve teve após assistir ao filme A Profecia (1978), e não em um culto ao demônio.

Capa do álbum 'The Number of the Beast', do Iron Maiden
Capa do álbum ‘The Number of the Beast’, do Iron Maiden

Iron Maiden se beneficiou dap olkêmica

Apesar — ou por causa — da controvérsia, The Number of the Beast tornou-se o primeiro álbum do Iron Maiden a atingir o topo das paradas no Reino Unido e abriu as portas do Top 40 da Billboard nos EUA.

Rod Smallwood, também à Classic Rock, relembra:

“Não recebemos nenhum adiantamento da gravadora. Então, o investimento total naquele álbum foi de 28 mil libras, mas logo nos primeiros seis meses ele vendeu 1,5 milhão de cópias.”

Música volta aos holofotes

Décadas depois, o impacto da obra continua vivo. Recentemente, o clássico voltou aos holofotes ao aparecer no filme 28 Years Later: The Bone Temple (no Brasil, Extermínio 3: O Templo dos Ossos), em uma cena na qual o ator Ralph Fiennes dança sobre uma pilha de ossos humanos ao som da música “The Number of the Beast”.

Rolling Stone Brasil especial: Iron Maiden

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Rolling Stone Brasil especial: Iron Maiden
Rolling Stone Brasil especial: Iron Maiden

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
TAGS: bruce dickinson, Iron Maiden, Steve Harris