LUTO

Chuck Negron, cofundador do Three Dog Night e pioneiro dos covers, morre aos 83 anos

O cantor, conhecido por sucessos como ‘One’ e ‘Joy to the World’, lutou contra o vício em drogas no auge de sua carreira, antes de ficar sóbrio em 1991

Charisma Madarang

Chuck Negron na Happy Together Tour em 2017
Chuck Negron na Happy Together Tour em 2017 (Foto: Jenny Shields/The Media Works Inc/Wikimedia Commons)

Chuck Negron, um dos membros fundadores e vocalista da banda de rock Three Dog Night, faleceu nesta segunda-feira, 2 de fevereiro. Ele tinha 83 anos.

Negron faleceu em sua casa em Studio City, Califórnia, cercado por familiares, segundo um representante do artista. Embora a causa da morte não tenha sido divulgada, um comunicado informou que o cantor lutava contra a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) há décadas e, em seus últimos meses, sofreu de insuficiência cardíaca.

Nascido em Manhattan, Nova York, em 8 de junho de 1942, Negron cantou em grupos de doo-wop e jogou basquete enquanto crescia no Bronx. Depois do ensino médio, foi recrutado para jogar basquete no Allan Hancock College em Santa Maria, Califórnia, e mais tarde na California State University, em Los Angeles.

Após desembarcar em Los Angeles, Negron começou a explorar a indústria musical de Hollywood e, em 1967, fundou o Three Dog Night com Danny Hutton e Cory Wells. Com raízes no R&B, rock and roll e doo-wop, o grupo alcançou seu primeiro grande sucesso com “One (Is The Loneliest Number)“, escrita por Harry Nilsson, que chegou ao quinto lugar na Billboard Hot 100.

A banda emplacou 21 sucessos consecutivos no Top 40 entre 1969 e 1975 com canções escritas por outros músicos, incluindo as duas vezes indicadas ao GrammyJoy to the World” (Hoyt Axton), “Eli’s Coming” (Laura Nyro), “Mama Told Me Not to Come” (Randy Newman) e “An Old-Fashioned Love Song” (Paul Williams).

Em uma matéria de capa da Rolling Stone de 1972, o Three Dog Night foi descrito como “os descobridores, no sentido de que os colocaram nas paradas de sucesso, de Nyro, Nilsson, Newman e até mesmo Elton John e Bernie Taupin“, observando que qualquer música que o grupo incluísse em um álbum “tinha grandes chances de se tornar um single de sucesso, graças à execução do álbum nas rádios e à receptividade das estações de rádio”. Na época, enquanto a banda começava a esgotar todos os seus shows como atração principal, os Dogs arrecadavam mais do que artistas como Sly and the Family Stone, Creedence Clearwater Revival, Elvis Presley e até mesmo os Rolling Stones.

Então, no auge da carreira da banda, o enorme sucesso desmoronou devido aos problemas de Negron com o abuso de drogas e o vício em heroína. Por um tempo, o cantor morou na Skid Row, em Los Angeles, depois de perder os milhões que havia ganho com drogas. O grupo se separou em 1976 e se reuniu em 1982, antes de se separar novamente em 1985, após uma recaída de Negron. Hutton e Wells continuaram sob o nome Three Dog Night, e Hutton, o único membro original, ainda faz turnês até hoje.

Após 37 internações em clínicas de reabilitação, Negron conseguiu se livrar do vício em 1991 e estreou sua carreira solo, lançando sete álbuns entre 1995 e 2017. Ele documentou os altos e baixos dessa jornada em seu livro de 1999, Three Dog Nightmare.

Em 2015, seu colega de banda, Cory Wells, faleceu vítima de câncer no sangue. Após décadas de afastamento, Negron e Hutton se encontraram em 2025 “em um esforço oportuno para trocar desculpas e fazer as pazes”, segundo comunicado à imprensa.

Em uma entrevista de 1998 ao Las Vegas Sun, Negron refletiu sobre o que queria da vida naquele momento. “Aprendi que, para mim, sair por aí tentando emplacar 50 discos número 1 ou vender mais 90 milhões de discos não vai me trazer nada”, disse. “Sei o que me completa: trabalhar, ser músico… ganhar a vida, cuidar da minha família e ter minhas prioridades em ordem.”

“Você precisa encontrar paz interior; precisa aceitar os dons que possui, as falhas que tem… e aprender a abraçar a sua vida”, continuou. “Estou aproveitando mais a vida do que nunca por causa disso.”

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