POLÊMICA

Spotify remove 25 milhões de streams de álbum de 21 Savage por suspeita de uso de robôs

Plataforma cortou reproduções de “What Happened to the Streets?” sem explicação oficial

Kadu Soares (@soareskaa)

21 Savage
Foto: Cindy Ord/Getty Images para TIME

Quando J. Cole cantou “Quantos falsificando seus streams? (Muitos) / Conseguindo suas reproduções de máquinas (muitos)” em “a lot”, faixa de 21 Savage lançada em 2018, poucos imaginaram que versos soariam proféticos. Sete anos depois, essa situação se tornou realidade para o próprio 21 Savage, que viu o Spotify remover cerca de 25 milhões de streams de seu mais recente álbum What Happened to the Streets? (2025) por suspeita de atividade automatizada. Rapper de Atlanta encontra-se agora no centro exato da controvérsia que seu colaborador denunciou, provando que às vezes a vida imita a arte da forma mais inconveniente possível.

Desde final do ano passado, quando o álbum chegou às plataformas de streaming em dezembro, novo álbum de 21 Savage parecia destinado a consolidar mais um capítulo de sucesso na carreira do artista. Obra, recheada de colaborações com nomes como Drake, Young Nudy, Latto, GloRilla e Lil Baby, estreou no top três da Billboard 200 e gerou conversas sobre seu impacto artístico e comercial. Produção ambiciosa e lineup estelar de features sugeriram que 21 Savage estava pronto para capitalizar sobre momentum construído ao longo de últimos anos, especialmente após sucesso de American Dream (2024).

No entanto, na última semana, o Spotify removeu cerca de 25 milhões de streams associados às faixas do projeto.

 

O maior serviço de streaming do mercado ainda não emitiu explicação formal, mas ação foi interpretada por muitos como tentativa de corrigir números inflacionados por atividades automatizadas, ou “bots”, que reproduzem músicas repetidamente para aumentar artificialmente sua contagem de plays.

Sobre What Happened to the Streets?

What Happened to the Streets? é um álbum competente de 21 Savage. Tem versos afiados, tem aquela produção de terror, tem momentos de reflexão genuína sobre trauma, lealdade, fama. A atmosfera sombria que sempre definiu seu som está presente do início ao fim — aquele sentimento de perigo constante, de madrugada perigosa em Atlanta. Mas também tem muita zona de conforto. Muitas faixas que soam como “mais do mesmo”. Muitas participações previsíveis fazendo o previsível.

E talvez esse seja o principal problema. American Dream tinha uma sofisticação maior, camadas mais complexas, experimentação dentro desse universo sombrio. Aqui, não há risco. É 21 Savage fazendo 21 Savage — e fazendo bem —, mas sem empurrar os limites do que essa estética pode ser.

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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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