Atriz destaca peso emocional de viver grávida em meio ao caos de ‘Salve Geral: Irmandade’
Rolling Stone Brasil conversou com a atriz Stéfani Mota, que detalhou preparação, impacto emocional da maternidade e os limites morais dos personagens
Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)
Salve Geral: Irmandade, primeiro spin-off derivado de uma série brasileira da Netflix, chegou ao streaming a partir desta quarta-feira, 11, com a missão de ampliar o universo criminal e dramático apresentado em Irmandade, mas também de se sustentar como obra própria para quem nunca teve contato com a produção original.
Em entrevista exclusiva à Rolling Stone Brasil, Stéfani Mota (DNA do Crime) conta como foi interpretar Dalva, mulher grávida de oito meses que luta pela vida enquanto entra em trabalho de parto — uma situação extrema que exigiu uma preparação física e emocional profunda. A atriz detalha a preparação com uma doula, o impacto emocional da maternidade e os limites morais que atravessam o universo do filme. Confira a seguir:
A intensa experiência como grávida
Stéfani aparece logo no início do filme em cena realizada em um longo plano-sequência de cerca de dez minutos — a delegacia onde ela está sofre um ataque e ela precisa lutar pela sobrevivência. A atriz descreve que interpretar Dalva foi algo que a atravessou em diferentes camadas. “Atuar em Salve Geral: Irmandade foi uma experiência muito intensa. Para mim, que sou mãe, isso carrega um peso emocional enorme“.
Como sua vivência foi de uma cesariana, Stéfani sentiu a necessidade de compreender corporalmente o que sua personagem enfrentava. “Precisava entender melhor o parto natural: as contrações, a intensidade da dor“. Para isso, contou com o acompanhamento da doula Mari Muradas durante ensaios específicos. “Trabalhamos respiração, corpo, medo; tudo que atravessa um parto natural, que é bem diferente do que eu vivi“.
O trabalho emocional foi desenvolvido em paralelo com a preparadora de elenco Larissa Mauro. “Ela me ajudou a organizar tudo isso sem perder a verdade da cena“. Esse processo também incluiu a construção de vínculo com o parceiro de cena. “Criamos uma conexão de confiança muito importante com o Elzio Vieira, que faz meu par“.
Entre as pausas de gravação, Stéfani buscava não se desconectar do estado emocional da personagem. “Entre um corte e outro, eu assistia a vídeos reais de mulheres parindo, pra não esfriar“, conta. O impacto dessas imagens ajudava a sustentar a verdade dramática. “Pensar nessa situação limite foi o que me deu força pra fazer da forma mais honesta possível“.

Personagens complexos levados ao limite
A atriz destaca o grau extremo da situação vivida por Dalva. “Imagina parir dentro de um carro? Com medo de levar um tiro a qualquer momento, no risco entre a vida e a morte. É um estado limite“. Para ela, esse é justamente um dos motores dramáticos do filme. “Gosto de como todos os personagens são colocados nesse lugar, que faz a gente tomar decisões no risco“. Esse contexto amplia a complexidade moral da narrativa. “Isso faz com que os personagens fiquem mais esféricos, mais complexos“.
Stéfani também reflete sobre como o longa tensiona visões simplificadas sobre crime e justiça. “A gente tende a colocar organizações, sejam criminosas ou a polícia, em caixas rígidas. Mas essas estruturas são feitas por pessoas“. E adiciona: “Pessoas podem ser maravilhosas e terríveis no mesmo dia“.
Esse jogo de contrastes, aliás, é um dos aspectos que mais a atraem na profissão. “Eu amo poder viver esses opostos“. A atriz inclusive estabelece um paralelo direto com outro trabalho recente. “Em DNA do Crime, interpreto uma mulher ligada ao crime. Aqui, estou do outro lado, o que muitos julgam ser o lado certo“. Ao final, uma frase do universo de Irmandade ecoa para ela como síntese: “O certo é o certo. Mas o certo de quem?“.

Qual é a história de Salve Geral: Irmandade?
Em Salve Geral: Irmandade, os membros da Irmandade enfrentam um momento crítico quando a transferência dos principais líderes para presídios de segurança máxima ameaça o equilíbrio do grupo. Elisa, filha de Edson (Seu Jorge, Marighella), fundador da Irmandade, é uma jovem de 18 anos criada à margem do crime e sequestrada por policiais corruptos.
Enquanto sua tia Cristina tenta resgatá-la, a facção ordena o Salve Geral, uma série de ataques violentos contra delegacias e forças de segurança, que mergulha a cidade de São Paulo no caos. Em meio a esse cenário, Elisa e Cristina enfrentam dilemas sobre justiça e violência em uma história que desafia as escolhas e os legados que moldam suas vidas.
Além de Naruna Costa, Seu Jorge e Camilla Damião, o elenco de Salve Geral: Irmandade ainda conta com David Santos (Estranho Caminho), Elzio Vieira (Sutura), Enio Cavalcante (Cangaço Novo), Hermila Guedes (O Agente Secreto), Lee Taylor (Salve Geral), Marcélia Cartaxo (Pacarrete), Stéfani Mota (DNA do Crime) e Samurai Cria.
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