FLASHBACK

James Van Der Beek em ‘Don’t Trust The B — in Apartment 23’: Um mestre da autoparódia

Após estrelar “Dawson’s Creek”, o ator teve dificuldade em se desvencilhar de seu famoso papel — então decidiu assumi-lo

Elisabeth Garber-Paul

James Van Der beek em 'Don’t Trust the B— in Apartment 23' (Foto: Divulgação/ TMDB)
James Van Der beek em 'Don’t Trust the B— in Apartment 23' (Foto: Divulgação/ TMDB)
Após o fim de Dawson’s Creek em 2003, James Van Der Beek levou um tempo para se firmar. Houve A Praga, um filme de terror lançado diretamente em vídeo, produzido por Clive Barker, sobre crianças que misteriosamente entram em coma. Houve Argumento Final, um filme de terror igualmente questionável sobre um escritor que enlouquece tentando escrever um roteiro sobre um palhaço assassino. Ele interpretou um médico no drama médico Mercy e um assassino psicótico com múltiplas personalidades na série policial Criminal Minds, da CBS. Mas onde ele realmente parecia se destacar — ou pelo menos onde o público mais o notava — era quando ele fazia piada de si e se desvencilhava de sua aparente seriedade, como no videoclipe de “Blow“, da Kesha, e em esquetes para o Funny or Die (alguém se lembra das calças cáqui de “DILF”?).

Nahnatchka Khan jamais imaginou que conseguiria contratar James Van Der Beek quando estava desenvolvendo sua primeira série, Don’t Trust the B— in Apartment 23, uma sitcom picante da ABC sobre June (Dreama Walker), uma caipira de Indiana que se muda para a cidade grande e passa a morar com a protagonista, Chloe (Krysten Ritter). Khan sabia que queria que o melhor amigo de Chloe fosse um ator famoso da mesma faixa etária das personagens principais, interpretando a si mesmo, e quando o diretor de elenco trouxe uma lista de nomes sugeridos, o de Van Der Beek se destacou. “Eu nunca pensei que James estaria disponível, então jamais imaginei que ele aceitaria o papel”, disse Khan na época. Mas ele ficou impressionado com o roteiro, e o renascimento de Van Der Beek começou. “Acho que quando o dinheiro residual de Dawson’s Creek acabou, foi quando realmente ficou aceitável fazer piada com a série”, disse ele à NBC New York em 2012, quando a sitcom estreou. “Felizmente, eles me mantiveram em Hollywood tempo suficiente para que eu pudesse ter uma espécie de segunda chance.”
Van Der Beek abraçou a versão ficcional de si mesmo apresentada na série, um ator tarado que não se importava de vestir sua famosa camisa de flanela para excitar uma garota na cama. Ele interpreta o oposto de Chloe, a personagem principal, uma festeira internacional; o episódio piloto estabelece que Chloe e James namoraram brevemente no passado, mas decidiram que seriam melhores como amigos, o que lhe rendeu o papel de “melhor amigo gay-hétero”. Juntos, eles bebem e transam por Nova York, com Van Der Beek incorporando a persona hipersexualizada e autoconfiante, contando histórias sobre festas com Kevin Sorbo, brincando com bonecos de ação de si mesmo, lançando uma marca de jeans tão apertados que ele não consegue andar na rua e competindo com Dean Cain no Dança Com as Estrelas.

Van Der Beek adorou o papel, e sua alegria em reconhecer sua fama de novela adolescente, bem como em criar uma versão decididamente diferente de Dawson, também repercutiu entre os fãs. Apesar de ter estreado no meio da temporada em um horário morto — quartas-feiras às 21h30 — a série se tornou um sucesso cult, sendo renovada para uma segunda temporada.
“Esta foi a experiência mais divertida que já tive”, disse Van Der Beek à NBC New York. “No terceiro episódio, já achava que a série tinha cada vez menos a ver comigo, o que a tornou ainda mais divertida.”
Na realidade, a vida de Van Der Beek, que morreu em 11 de fevereiro aos 48 anos, não tinha nada a ver com a sua representação extravagante em Don’t Trust the B—. Não havia modelos dançando escada abaixo em seu apartamento em biquínis feitos de chantilly, nem garotas lotando uma cafeteria para vê-lo declamar monólogos shakespearianos. Em agosto de 2010, ele e sua esposa Kimberly se casaram; em setembro daquele ano, nasceu o primeiro de seus seis filhos.
“O motivo pelo qual pude fazer Apartment 23 é que tive uma filha. Isso mudou minha vida da melhor maneira possível e reorganizou completamente minhas prioridades”, disse ele ao The Hollywood Reporter. “Fica muito mais fácil sair e rir de si quando, de repente, algo acontece na sua vida e mostra o que realmente importa. A série e a forma como está sendo recebida — e até mesmo o nosso horário de exibição — não sei se é pura sorte ou o quê. Sou incrivelmente grato por isso.”

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