Jeffrey Epstein tinha CPF brasileiro ativo desde 2003, revelam documentos dos EUA
Arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça americano mostram que o bilionário cogitou obter cidadania brasileira
Kadu Soares (@soareskaa)
Documentos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre caso Jeffrey Epstein revelam que o bilionário acusado de tráfico sexual de menores, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento, possuía CPF brasileiro em situação regular. Informação aparece em lista de arquivos apreendidos durante investigações, especificamente em pasta chamada “Arquivos diversos” referente a Epstein. Uma consulta realizada à Receita Federal em 12 de fevereiro de 2026 confirmou existência de CPF registrado em nome de Jeffrey Edward Epstein, emitido em 23 de abril de 2003 e ainda com status “regular” no sistema. Cadastro também apresenta data de nascimento do financista, 20 de janeiro de 1953, coincidindo com informações oficiais sobre ele.
Regras da Receita Federal permitem que estrangeiros sem residência no Brasil solicitem inscrição no CPF, procedimento que pode ser feito pela própria pessoa ou por procurador — alguém com autorização legal para representá-la. Porém, manutenção de CPF “regular” para pessoa falecida há quase sete anos levanta questões sobre eventual existência de bens ou atividades financeiras de Epstein em território brasileiro. Procurada, a Receita Federal destacou que qualquer medida relacionada ao CPF de estrangeiro falecido só pode ser solicitada por inventariante, cônjuge, companheiro ou sucessor legal no caso de haver bens a inventariar no Brasil, ou por cônjuge, companheiro, parente ou beneficiário de pensão por morte caso não haja bens.
Interesse de Epstein pelo Brasil ia além de simples documento fiscal. Arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça americano incluem troca de e-mails datada de outubro de 2011 entre bilionário e empresária e investidora alemã Nicole Junkermann — cujo nome aparece em diversos documentos ligados ao caso — onde ela pergunta se Epstein já havia considerado obter cidadania brasileira. “Ideia interessante, mas vistos podem ser um problema ao viajar para outros países”, respondeu financista. No mesmo dia da troca de mensagens, ambos teriam se encontrado no Ritz, hotel de luxo da rede The Ritz-Carlton, segundo documentos. Conversa não detalha contexto completo ou se Epstein chegou a tomar medidas concretas para obter nacionalidade brasileira além do CPF.
Documentos também revelam outras conexões de Epstein com Brasil que vão além de interesse em cidadania. Arquivos mencionam nomes de figuras públicas brasileiras como presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, além de empresário Eike Batista, embora não haja confirmação de contato direto entre Epstein e nenhum deles. Há registro de que bilionário enviou valores a pelo menos um brasileiro, Reinaldo da Silva, casado com ex-embaixador do Reino Unido em Washington Peter Mandelson — episódio que desencadeou crise no governo trabalhista liderado por Keir Starmer, responsável por indicação de Mandelson ao cargo. Outro arquivo particularmente perturbador documenta negociação para compra de agência de modelos brasileira com objetivo declarado de “ter acesso a garotas”, seguindo padrão de comportamento predatório que caracterizou operações de Epstein globalmente.
Morte suspeita e liberação de arquivos
Jeffrey Epstein foi encontrado morto na prisão em agosto de 2019, dois dias após assinar testamento deixando patrimônio avaliado em mais de 577 milhões de dólares. Autópsia oficial concluiu que ele tirou própria vida, mas circunstâncias da morte geraram teorias conspiratórias que persistem até hoje — falhas nas câmeras de segurança, guardas que supostamente dormiam durante plantão, lesões no pescoço inconsistentes com enforcamento segundo alguns especialistas forenses. Após morte do empresário, acusações criminais contra ele foram retiradas, mas procuradores afirmaram que poderiam responsabilizar outras pessoas envolvidas no esquema. Advogados das vítimas prometeram buscar indenizações na Justiça, e Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein, foi condenada em 2022 a 20 anos de prisão por tráfico sexual de menores.
Liberação gradual de documentos judiciais ligados ao processo civil contra Maxwell nos últimos meses transformou caso em thriller real que continua gerando manchetes. Arquivos não trazem necessariamente novas provas criminais, mas nomes, contextos e relatos que ajudam a entender dimensão social do esquema. Importante ressaltar que ser citado nos documentos não significa culpa ou acusação formal — muitos nomes aparecem como parte de depoimentos ou agendas de contato.
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