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Figurinos dos ‘arbustos’ do show de Bad Bunny no Super Bowl estão à venda por R$ 26 mil

Fantasias de grama usadas por performers no intervalo histórico viram peças de colecionador no mercado de revenda

Kadu Soares (@soareskaa)

Arbusto Super Bowl, Bad Bunny
Foto: Eric Thayer / Los Angeles Times via Getty Images

Quem diria que virar planta seria o caminho para entrar na história do Super Bowl? O show de intervalo de Bad Bunny entregou um dos conceitos visuais mais criativos da história da NFL: cerca de 400 pessoas vestidas como arbustos, criaram uma floresta viva que se movia ao redor do artista porto-riquenho enquanto ele celebrava a cultura latina no maior palco do entretenimento americano.

Agora, essas peças únicas estão chegando ao mercado de revenda com preços salgados que refletem seu valor como artefatos de um momento cultural significativo. Múltiplos anúncios apareceram online vendendo os figurinos oficiais do intervalo por 5 mil dólares (aproximadamente 26 mil reais na cotação atual). Alguns vendedores aceitam ofertas nas peças feitas à mão.

Os figurinos autênticos vêm completos: macacão de corpo inteiro e capacete, ambos densamente cobertos com fibras de grama sintética. Eles transformavam os participantes em arbustos móveis de aproximadamente dois metros de altura.

A decisão de usar atores em vez de adereços cenográficos veio de necessidade prática: Levi’s Stadium em Santa Clara, Califórnia, tem campo de grama natural em vez de sintética, limitando quantidade de carrinhos pesados que podem ser trazidos para proteger gramado. Solução? Pessoas vestidas como grama carregando figurinos de 15 a 18 quilos nos ombros, criando efeito visual deslumbrante que internet imediatamente transformou em meme e objeto de obsessão coletiva.

Porém, venda de figurinos também levantou questão: quem tem direito de vendê-los? Performers que usaram as peças tecnicamente as “ganharam” ou pertencem a produção do show? Nick Garcia, um dos arbustos que falou à Rolling Stone EUA, mencionou que “pudemos ficar com partes de nossos figurinos. Eu queria levar a coisa toda para casa, mas teria sido difícil encaixar isso no ônibus. Mas fiquei com um braço inteiro”.

“Realizou meu sonho de infância”: a experiência de ser arbusto

Garcia, nativo de Santa Clara, Califórnia, cresceu jogando futebol americano e indo a jogos do San Francisco 49ers no Levi’s Stadium, sonhando em um dia pisar naquele campo durante Super Bowl. Em 8 de fevereiro, sonho se realizou — só que não como jogador mas como Arbusto Número D83, juntando-se a cerca de 400 outros performers vestidos como grama de cana-de-açúcar. “Sempre imaginei saindo do túnel para o Super Bowl como jogador de futebol americano”, contou Garcia. “Ver todas câmeras piscando, aplausos da multidão… realizou meu sonho de infância”. Quando convocação para elenco de campo foi publicada pela agência Backlit em janeiro especificando requisito de altura e observando que papel “não era de dança” mas sim “movimentos estruturados e bloqueios”, Garcia aproveitou oportunidade pensando que chances seriam maiores por morar tão perto. Não poderia ter imaginado exatamente o que isso implicava até primeiro dia de ensaio quando equipe disse: “Vocês vão ser meme por muito tempo”.

Dia do show começou às 7h com Garcia repetindo mantra “não fique nervoso, aproveite o momento” até hora da performance. Energia no ônibus transportando arbustos para estádio estava nas alturas, todos cantando e dançando, impossível ficar nervoso naquele ambiente. Chegaram ao Levi’s ao meio-dia para ajustes de última hora, depois esperaram até 16h30 quando todos caminhavam pelos túneis gritando “Vamos! Estamos prestes a fazer parte do Super Bowl”. Às 17h foram para posições — Garcia estava na primeira fila bem onde Bad Bunny colocou braços para baixo no palco e caiu para trás durante performance. “Equipe fazia piadas dizendo: ‘Não tem vento em Porto Rico. Vocês têm que ficar parados’. Era definitivamente difícil porque você ama música, está vendo dançarinos na sua frente, você meio que balança um pouquinho. Alguns arbustos se deixaram levar pelo momento, tipo: ‘Sabe de uma coisa? Estou no Super Bowl. Vou me mexer um pouquinho'”. Quando convidados surpresa como Lady Gaga apareceram em La Casita, multidão explodiu e energia ficou insana. Momento que mais impactou Garcia foi quando bandeiras de diferentes países apareceram e Bad Bunny nomeou cada uma na câmera — Garcia viu pequena bandeira mexicana nos arbustos e pensou “Isso é o que eu adoro ver”. Após show às 17h25, arbustos voltaram para túnel e ônibus, podendo ficar com partes dos figurinos. Garcia levou braço inteiro para casa onde pais davam festa e gritaram “Aí está nosso arbusto” quando chegou, bombardeando-o com perguntas como se ele fosse quem performou. “Eu só estava parado lá”, pensou, mas pais ficaram emocionados por filho ter participado de um dos shows de intervalo mais históricos de todos os tempos no estádio que família tanto ama frequentar. “Não há palavras para isso”, concluiu Garcia, resumindo sentimento de 400 arbustos que viraram parte da história.

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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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