Rupert Grint afirma ser ‘obviamente’ contra a ascensão do fascismo
Fala do ator de “Harry Potter” vem após diversas manifestações contra pronunciamentos transfóbicos da autora J. K. Rowling
Giovana Laurelli (@gii_laurelli)
Em promoção ao seu novo filme de terror nórdico Nightborn, o ator Rupert Grint reafirmou sua posição contra o fascismo e a extrema-direita. Mais conhecido por interpretar Ron Weasley na série de filmes Harry Potter, o britânico comentou sobre a ascensão da política de extrema-direita em seu país natal nos últimos anos no Festival de Cinema de Berlim, em coletiva de imprensa sobre o novo terror finlandês.
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“Obviamente, eu sou contra”, afirmou o ator sobre o movimento fascista. “Mas eu escolho meus momentos no qual falar. Mas acho que sim, é um tema obviamente muito relevante agora. Vocês ouvirão de mim.”
A questão foi apresentada à Grint por seu forte posicionamento contra falas transfóbicas de J.K. Rowling, autora da série de livros de Harry Potter. Em 2020, em conjunto com seus colegas de elenco das adaptações da fantasia, Daniel Radcliffe e Emma Watson, o britânico respondeu aos comentários preconceituosos de Rowling nas redes sociais e ao ensaio feito pela autora sobre a questão transgênero.
“Eu apoio firmemente a comunidade trans e compartilho dos sentimentos expressos por muitos dos meus colegas”, disse Grint ao The Sunday Times. “Mulheres trans são mulheres. Homens trans são homens. Todos nós devemos ter o direito de viver com amor e sem julgamentos.”
Na época, Radcliffe escreveu um ensaio para o The Trevor Project, uma organização sem fins lucrativos que apoia a prevenção do suicídio e a intervenção em crises para pessoas LGBT+.
No ensaio, o ator que deu vida ao protagonista Harry Potter escreveu: “Mulheres transgênero são mulheres. Qualquer afirmação em contrário apaga a identidade e a dignidade das pessoas transgênero e contraria todas as recomendações de associações profissionais de saúde que têm muito mais experiência nesse assunto do que eu ou a Jo.”
Já Watson, a eterna Hermione Granger, se posicionou pelas redes: “Pessoas trans são quem dizem ser e merecem viver suas vidas sem serem constantemente questionadas ou ouvirem que não são quem dizem ser. Quero que meus seguidores trans saibam que eu e muitas outras pessoas ao redor do mundo os vemos, os respeitamos e os amamos por quem vocês são.”
I want my trans followers to know that I and so many other people around the world see you, respect you and love you for who you are.
— Emma Watson (@EmmaWatson) June 10, 2020
A atriz também se manifestou no BAFTA de 2022. Quando a atriz e apresentadora Rebel Wilson a apresentou dizendo: “Ela se diz feminista, mas todos nós sabemos que ela é uma bruxa”, Watson subiu ao palco e disse: “Estou aqui por todas as bruxas”.
Em 2021, Grint explicou ao The Times a motivação por trás de suas falas. “Ainda acho importante defender aquilo em que acreditamos e apoiar as pessoas e comunidades que precisam do nosso apoio e carinho. Foi por isso que me manifestei no ano passado, queria espalhar um pouco de bondade.”
Em 2024, Rowling sinalizou por meio das redes sociais que provavelmente não perdoaria Grint, Radcliffe ou Watson, escrevendo: “Celebridades que se aproximaram de um movimento que visa corroer os direitos arduamente conquistados pelas mulheres e que usaram suas plataformas para apoiar a transição de menores podem guardar seus pedidos de desculpas para as mulheres traumatizadas que passaram por processo de detransição e para as mulheres vulneráveis que dependem de espaços exclusivos para mulheres.”
Not safe, I’m afraid. Celebs who cosied up to a movement intent on eroding women’s hard-won rights and who used their platforms to cheer on the transitioning of minors can save their apologies for traumatised detransitioners and vulnerable women reliant on single sex spaces.
— J.K. Rowling (@jk_rowling) April 10, 2024
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