Os álbuns malditos de Bruce Dickinson que o cantor resolveu relançar
Mais dois discos lançados pelo vocalista do Iron Maiden na década de 1990 ganham edições em Dolby Atmos, um deles em celebração aos 30 anos
Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)
Bruce Dickinson anunciou o relançamento digital de dois de seus trabalhos solo que, geralmente, nem estão entre os preferidos dos fãs e podem ser considerados “malditos”. São eles: Tattooed Millionaire (1990) e Skunkworks (1996).
As novas versões foram disponibilizadas com mixagem em Dolby Atmos, tecnologia de áudio imersivo (ou espacial) que cria um ambiente sonoro tridimensional. A iniciativa dá continuidade ao projeto de atualização de seu catálogo iniciado no ano passado com More Balls to Picasso, reedição de seu segundo álbum solo, lançado originalmente em 1994.
Vale lembrar que nem toda plataforma de streaming oferece Dolby Atmos. Apple Music, Amazon Music (no plano Unlimited) e Tidal (no plano HiFi) são as que disponibilizam a funcionalidade. O Spotify não dá suporte no momento.
O projeto celebra especialmente os 30 anos de Skunkworks. O disco é frequentemente citado como o mais controverso da carreira de Dickinson, pois é marcado por uma sonoridade influenciada pelo rock alternativo e pelo grunge dos anos 1990, o que dividiu fãs e crítica na época do lançamento original.
Em entrevista à revista IstoÉ (via site Igor Miranda), o vocalista do Iron Maiden relembrou o quanto o álbum foi criticado na época e disse que recebeu até ameaças de morte:
“Quando lancei o álbum Skunkworks, em 1996, recebi mensagens de ódio e até ameaças de morte porque não era um disco típico de heavy metal. Como alguém pode chegar a esse ponto? Acho que a mente das pessoas naquela época era mais estreita, não sei por qual razão. Hoje acredito que as pessoas têm uma quantidade tão grande de músicas à disposição que não se preocupam mais tanto. Alguns ainda ouvem a mesma coisa todos os dias, mas há muita gente que aprecia conhecer estilos diferentes.”
Já Tattooed Millionaire foi sua estreia solo e apresenta uma sonoridade mais voltada ao hard rock. Segundo Dickinson, o disco foi composto em apenas duas semanas em parceria com o guitarrista Janick Gers. Sobre a nova versão, o vocalista destaca que a tecnologia atual permitiu “encorpar” o som, tornando a produção de Chris Tsangarides mais imponente para os padrões atuais.
No entanto, o próprio vocalista já admitiu que não é grande entusiasta de seu primeiro disco solo. À revista Classic Rock (via site Igor Miranda), ele explicou:
“Era um monte de clichês de rock ‘n’ roll bem feitos. As pessoas gostaram – o que eu respeito –, mas se eu quisesse fazer algo que seria o início de uma carreira solo, eu não teria feito Tattooed Millionaire. Ele caiu no meu colo. Depois que fiz ‘Bring Your Daughter to the Slaughter’ (para a trilha do filme ‘A Hora do Pesadelo V’), um cara da produção disse ‘eu amei isso’ e assinei com a CBS nos Estados Unidos. Eu disse: ‘sério?’. Nós compusemos aquele álbum inteiro em duas semanas.”
Ambos os relançamentos anunciados por Bruce foram mixados por Brendan Duffey, profissional que também assinou as versões em Dolby Atmos de The Mandrake Project (2024) e de More Balls to Picasso. Os álbuns já estão disponíveis nas plataformas de streaming.
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