Tom Morello celebra poder fazer filme sobre Judas Priest e combater fascismo ao mesmo tempo
Documentário codirigido pelo guitarrista explora a resistência de Rob Halford e como a banda de heavy metal se tornou símbolo de inclusão
Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)
Tom Morello marcou presença no Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale) para a estreia mundial de seu primeiro trabalho como codiretor de cinema. O dèbut ocorrerá no documentário The Ballad of Judas Priest, sobre a banda britância de heavy metal Judas Priest.
Conhecido por seu ativismo político, o guitarrista, que carrega no currículo bandas como Rage Against the Machine e Audioslave, fez questão de conectar a trajetória do Judas Priest à luta contra o autoritarismo e a intolerância.
Durante a coletiva de imprensa — que também contou com a presença de Rob Halford, vocalista do Judas, e do outro codiretor, Sam Dunn —, Morello citou que não vê o projeto apenas como uma homenagem musical à banda. Trata-se de um ato político, assim como a própria existência do grupo.
Ele afirmou (via Variety):
“Que época maravilhosa para se estar vivo, onde você pode tanto fazer um documentário sobre uma de suas bandas favoritas quanto lutar contra o fascismo ao mesmo tempo.”

Sob aplausos, Tom Morello acrescentou, citando a importância do Judas Priest e a diversidade de seu público nos Estados Unidos:
“A existência da banda é muito política. Quando vi o Judas Priest em Los Angeles na última década, o público era talvez mais de 50% latino, muitos casais gays. Nada que tivesse a ver com estereótipos — sim, havia alguns caras mais velhos como eu, de jaqueta de couro, provavelmente levando seus filhos ao show — mas essa comunidade, a união e a harmonia que existem em um show do Judas Priest são, de certa forma, um modelo de como todos nós podemos ser melhores.”

O caráter político do Judas Priest
O documentário retrata a história do Judas Priest e tem como um de seus ganchos o longo período em que Rob Halford viveu como um homem gay sem conseguir se assumir dentro da cena do heavy metal. Sua revelação pública, em 1998, bem como os ataques da direita cristã que a banda enfrentou durante a década de 1980, fazem parte do roteiro.
Halford, que acompanhou Tom Morello e Sam Dunn no festival, reforçou o tom político da obra. O vocalista disse que tenta sempre encaixar algumas letras mais críticas nos discos da banda. Ele não citou Donald Trump nominalmente, mas deu a entender que fez uma letra que condena as atitudes do presidente dos Estados Unidos, notadamente um político conservador, no trabalho mais recente do grupo – Invincible Shield (2024).
“No último álbum, não vou dizer o nome dele, mas falo sobre essa pessoa. Preciso me controlar, porque, conforme envelheço, fico mais irritado com o mundo. Fico mais irritado com a injustiça, principalmente contra o meu próprio povo (a comunidade LGBTQ+), que ainda sofre e não recebe os direitos humanos que, absolutamente, merece.”
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