METAL NO CINEMA

Tom Morello celebra poder fazer filme sobre Judas Priest e combater fascismo ao mesmo tempo

Documentário codirigido pelo guitarrista explora a resistência de Rob Halford e como a banda de heavy metal se tornou símbolo de inclusão

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Rob Halford, do Judas Priest, e Tom Morello, do Rage Against the Machine, em 2026 (Foto: Stephane Cardinale - Corbis/Corbis via Getty Images)
Rob Halford, do Judas Priest, e Tom Morello, do Rage Against the Machine, em 2026 (Foto: Stephane Cardinale - Corbis/Corbis via Getty Images)

Tom Morello marcou presença no Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale) para a estreia mundial de seu primeiro trabalho como codiretor de cinema. O dèbut ocorrerá no documentário The Ballad of Judas Priest, sobre a banda britância de heavy metal Judas Priest.

Conhecido por seu ativismo político, o guitarrista, que carrega no currículo bandas como Rage Against the Machine e Audioslave, fez questão de conectar a trajetória do Judas Priest à luta contra o autoritarismo e a intolerância.

Durante a coletiva de imprensa — que também contou com a presença de Rob Halford, vocalista do Judas, e do outro codiretor, Sam Dunn —, Morello citou que não vê o projeto apenas como uma homenagem musical à banda. Trata-se de um ato político, assim como a própria existência do grupo.

Ele afirmou (via Variety):

“Que época maravilhosa para se estar vivo, onde você pode tanto fazer um documentário sobre uma de suas bandas favoritas quanto lutar contra o fascismo ao mesmo tempo.”

Tom Morello, guitarrista do Rage Against the Machine, em 2023
Tom Morello, guitarrista do Rage Against the Machine, em 2023 (Foto: Roberto Serra – Iguana Press/Getty Images)

Sob aplausos, Tom Morello acrescentou, citando a importância do Judas Priest e a diversidade de seu público nos Estados Unidos:

“A existência da banda é muito política. Quando vi o Judas Priest em Los Angeles na última década, o público era talvez mais de 50% latino, muitos casais gays. Nada que tivesse a ver com estereótipos — sim, havia alguns caras mais velhos como eu, de jaqueta de couro, provavelmente levando seus filhos ao show — mas essa comunidade, a união e a harmonia que existem em um show do Judas Priest são, de certa forma, um modelo de como todos nós podemos ser melhores.”

Judas Priest ao vivo em 2024 - Foto: Roberto Ricciuti / Redferns
Judas Priest ao vivo em 2024 (Foto: Roberto Ricciuti / Redferns via Getty Images)

O caráter político do Judas Priest

O documentário retrata a história do Judas Priest e tem como um de seus ganchos o longo período em que Rob Halford viveu como um homem gay sem conseguir se assumir dentro da cena do heavy metal. Sua revelação pública, em 1998, bem como os ataques da direita cristã que a banda enfrentou durante a década de 1980, fazem parte do roteiro.

Halford, que acompanhou Tom Morello e Sam Dunn no festival, reforçou o tom político da obra. O vocalista disse que tenta sempre encaixar algumas letras mais críticas nos discos da banda. Ele não citou Donald Trump nominalmente, mas deu a entender que fez uma letra que condena as atitudes do presidente dos Estados Unidos, notadamente um político conservador, no trabalho mais recente do grupo – Invincible Shield (2024).

“No último álbum, não vou dizer o nome dele, mas falo sobre essa pessoa. Preciso me controlar, porque, conforme envelheço, fico mais irritado com o mundo. Fico mais irritado com a injustiça, principalmente contra o meu próprio povo (a comunidade LGBTQ+), que ainda sofre e não recebe os direitos humanos que, absolutamente, merece.”

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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