Country Joe McDonald, cantor do Country Joe and the Fish, morre aos 84 anos
Compositor de faixas folk de humor sombrio, ficou mais conhecido pelo hino anti-Guerra do Vietnã “I-Feel-Like-I’m-Fixin’-to-Die Rag” e por sua apresentação memorável no Woodstock
DANIEL KREPS
Country Joe McDonald, cantor da banda psicodélica de folk Country Joe and the Fish e compositor do hino anti-Guerra do Vietnã “I-Feel-Like-I’m-Fixin’-to-Die Rag”, morreu no sábado aos 84 anos.
A conta oficial da banda nas redes sociais anunciou a morte de McDonald no domingo. “Estamos profundamente tristes em informar o falecimento de Country Joe McDonald, que morreu ontem, 7 de março, aos 84 anos, em Berkeley, devido a complicações da Doença de Parkinson”, escreveu o grupo (via Rolling Stone). “Ele estava cercado por sua família.”
Um obituário oficial acrescentou que “McDonald foi amplamente reconhecido como uma das vozes definidoras do movimento contracultural dos anos 1960. Sua música misturava folk, rock e comentário político, capturando o espírito de uma geração profundamente afetada por convulsões sociais, pelas lutas por direitos civis e pela Guerra do Vietnã.”
Inspirado por Woody Guthrie e pela música folk e de protesto da época, McDonald — nascido em Washington, D.C. e criado na Califórnia — formou o Country Joe and the Fish ao lado de Barry “The Fish” Melton. A dupla tocava suas canções de humor ácido em cafeterias da região da Baía de São Francisco no início dos anos 1960, antes de dividir shows com grupos locais como Jefferson Airplane e Quicksilver Messenger Service.
McDonald, que gravou mais de 30 álbuns em uma carreira prolífica que se estendeu do início dos anos 1960 até meados da década de 2010, ficou mais conhecido pela canção de protesto de 1965 “I-Feel-Like-I’m-Fixin’-to-Die Rag”, escrita no início do envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. Segundo ele, a ideia era “escrever uma música sobre como os soldados não têm escolha a não ser seguir ordens, mas com a irreverência do rock & roll. Era basicamente punk rock antes de o punk existir”, disse ao The New York Times em 2017.
“And it’s one, two, three, what are we fighting for?/Don’t ask me I don’t give a damn/Next stop is Vietnam”, canta McDonald, veterano da Marinha dos EUA. “And it’s five, six, seven, open up the pearly gates/Well there ain’t no time to wonder why/Whoopie! We’re all gonna die!”
A música, originalmente lançada em versão acústica em um EP da revista Rag Baby, de McDonald, foi revisitada no segundo álbum do Country Joe and the Fish, I-Feel-Like-I’m-Fixin’-to-Die (1967), com o grupo acrescentando à gravação o famoso “The ‘Fish’ Cheer”.
A banda também fez um set memorável no Woodstock Festival, em 1969. “Eu sempre digo que Woodstock foi como um piquenique de família; foi divertido”, contou McDonald à Rolling Stone em 2019, no 50º aniversário do festival. “Não se deve subestimar o fato de que estávamos nos divertindo.”
Durante a apresentação — em que tocaram “The ‘Fish’ Cheer” seguida de “I-Feel-Like-I’m-Fixin’-to-Die Rag” — McDonald levou a multidão a soletrar em coro a palavra “fuck”, algo considerado obsceno no fim dos anos 1960 e que já havia levado à sua prisão em apresentações anteriores. Mesmo assim, a cena acabou incluída no documentário sobre o festival. “Foi simplesmente inacreditável que eles tenham permitido que isso entrasse no filme em 1969”, disse McDonald à Rolling Stone.
Após a lendária performance em Woodstock, o Country Joe and the Fish se separou, e McDonald iniciou carreira solo com Thinking of Woody Guthrie (1969), um álbum de canções do ícone folk. Em 1970, ele esteve entre os artistas chamados a testemunhar no Julgamento dos Chicago Seven.
Além da longa carreira musical, McDonald permaneceu politicamente ativo, defendendo causas como a preservação das baleias e o apoio a veteranos da Guerra do Vietnã.