Deftones: setlist e o que esperar do show no Lollapalooza Brasil
Banda americana de metal é a principal atração do palco Samsung Galaxy na próxima sexta-feira, 20, primeiro dia do festival
Pedro Hollanda (@phollanda21)
O Lollapalooza Brasil 2026 começa na próxima sexta-feira, 20, e o Deftones é uma das principais atrações do dia de abertura. O grupo de metal alternativo americano fecha o palco Samsung Galaxy com o seu primeiro show no país desde 2015.
O que esperar da apresentação? A Rolling Stone Brasil preparou um guia com repertório, horários, recepção crítica de performances anteriores e mais. Confira!
Horário dos shows
Os portões do Autódromo de Interlagos abrem às 11h em todos os dias do Lollapalooza Brasil 2026. O show do Deftones no palco Samsung Galaxy começa às 20h10 de sexta-feira, 20.
Crianças e adolescentes de até 15 anos precisam estar acompanhados de pais ou responsáveis. Acima de 16 anos não há qualquer restrição.
O momento atual do Deftones
Nenhuma banda de rock talvez tenha se beneficiado da ascensão de plataformas digitais como TikTok quanto o Deftones. Tudo começou no início desta década, quando o grupo passou por uma espécie de reavaliação crítica. Seu álbum mais famoso, White Pony (2000), finalmente passou a ser reconhecido como clássico pela imprensa especializada na ocasião de seu aniversário de 20 anos.
Ao contrário de vários contemporâneos, o Deftones nunca parou. Mais ainda: continuou a lançar discos aclamados, ainda que sem repetir as vendas de outrora, e construiu para si uma base sólida de fãs.
Quando o formato TikTok se tornou popular, algoritmos identificaram usos recorrentes de canções do grupo como trilha de vídeos. Por isso, impulsionaram naturalmente essas faixas.
Além disso, dois dos subgêneros de rock mais abraçados pela geração Z (pessoas nascidas entre 1997 e 2012) nos últimos anos são o shoegaze e o nu metal — justamente as principais facetas sonoras da banda. O Deftones apelava a públicos crescentes completamente diferentes.
Ohms (2020), lançado no auge da pandemia, antecipou essa explosão e ajudou a renovar a atenção do público mainstream na banda. O álbum mais recente, Private Music (2025), solidificou seu status.
Como forma de dimensionar o apelo atual do Deftones, basta notar seu número de ouvintes mensais no Spotify: 17,9 milhões. É um número bastante superior aos também louváveis 12,8 milhões do Korn, grupo referencial do nu metal que, em vendas de discos da época, teve bem mais sucesso do que os colegas.
Histórico no Brasil
Esta será a sexta passagem do Deftones pelo país. A banda estreou em terras brasileiras como uma das atrações do último dia do Rock in Rio 2001, dividindo o Palco Mundo com Capital Inicial, Silverchair e Red Hot Chili Peppers.
A segunda aparição veio só em 2007, num show solo na cidade de São Paulo. Dois anos depois, o grupo participou da edição 2009 do Maquinária Festival, no qual tocou no palco principal junto de Faith No More, Jane’s Addiction, Sepultura e Nação Zumbi.
Após um show com o Cypress Hill na capital paulista em 2011, o Deftones retornou ao local de sua primeira aparição no Brasil como headliner do Palco Sunset no Rock in Rio 2015. O grupo aproveitou a viagem e fez uma apresentação no dia seguinte em São Paulo, na Arena Anhembi, abrindo para o System of a Down.
O que esperar do show
Para começo de conversa, Deftones veio à América do Sul desfalcado. O guitarrista Stephen Carpenter não faz turnês fora dos Estados Unidos desde 2022, devido a questões de ansiedade relacionadas a viajar. Ele é substituído internacionalmente por Lance Jackman e Shaun Lopez.
O resto da banda continua intacto, com Chino Moreno (vocais e guitarra), Abe Cunningham (bateria) e Frank Delgado (teclados, samples e toca-discos). A formação é completada por Fred Sablan, baixista ao vivo desde a saída de Sergio Vega em 2021. A forma ao vivo do grupo durante a turnê de Private Music tem se provado excelente.
O site da rádio Futuro definiu o show do Deftones no Lollapalooza Chile 2026 como “cereja do bolo” do dia e elogiou o repertório:
“Com um setlist de luxo, apresentando sete músicas de seu álbum mais recente e uma jornada emocional por praticamente toda a sua discografia, o show do Deftones se tornou uma demonstração clara de que esse gênero deve ter um papel de destaque em todas as edições do evento clássico.”
A opinião é compartilhada na terra natal da banda. Uma resenha do Brooklyn Vegan para a performance do Deftones no Madison Square Garden, em abril, chamou atenção ao fato de o show não parecer ser fixado em nostalgia.
“Desde os timbres até sua urgência, sua imagem, as luzes e visuais deslumbrantes até as próprias músicas atemporais, isso foi o total oposto de uma festa de nostalgia do rock. Era apropriado que a plateia estivesse cheia de múltiplas gerações de fãs (além de ser uma das plateias mais diversas que você encontrará em um show de rock/metal em arena); esta é uma banda que tem feito novos fãs a cada passo.”
Análise do setlist do Deftones
O setlist do Deftones em tempos recentes foca principalmente em Private Music. Nas edições do Chile e Argentina do Lollapalooza, foram seis e cinco canções do álbum, respectivamente.
Além desse trabalho, há uma divisão bem igualitária entre o resto da discografia. Curiosamente, o álbum visto por muitos fãs como a obra-prima do Deftones, White Pony (2000), só cede uma faixa para os shows na América do Sul: a clássica “Change (In The House of Flies)”.
Uma canção do disco que pode aparecer, apenas pela conexão local, é “Feiticeira”. O título veio de ninguém menos que a personagem vivida por Joana Prado no programa H, apresentado por Luciano Huck. Em entrevista ao Blitz (via DeftonesWorld), o baterista Abe Cunningham explicou o motivo da escolha:
“Pegamos aquela palavra de uma revista que estávamos lendo sobre o Brasil, e sabíamos que era o nome de um programa de TV ou o nome da apresentadora, uma mulher bonita. Essa foi a única razão pela qual usamos aquela palavra, mas isso é bom porque agora já sabemos o que significa. Faz algum sentido, talvez ela fosse uma bruxa…”
Já em entrevista ao Estado de S. Paulo, o baixista Chi Cheng, falecido em 2013, chamou para si a responsabilidade pelo nome. Ele também confirmou que a influência da Feiticeira ficou apenas no título:
“Apenas eu gostei da palavra, dos significados que ela traz, de mágica e mistério”
A faixa não aparece em setlists desde julho de 2025, mas está entre as 10 mais tocadas ao vivo na carreira do Deftones. A banda só não incluiu a canção em shows no Brasil durante a passagem mais recente, em 2015.
Possível setlist do Deftones no Brasil
Segue abaixo um possível setlist do Deftones no Brasil, sempre sujeito a alterações pela banda:
1. “Be Quiet and Drive (Far Away)”
2. “my mind is a mountain”
3. “locked club”
4. “Diamond Eyes”
5. “Rocket Skates”
6. “Sextape”
7. “Swerve City”
8. “Rosemary”
9. “ecdysis”
10. “Headup” ou “infinite source”
11. “infinite source” ou “cut hands”
12. “Hole in the Earth”
13. “Change (In the House of Flies)”
14. “Genesis”
15. “milk of the Madonna”
Bis:
16. “Cherry Waves”
17. “My Own Summer (Shove It)”
18. “7 Words”
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