VIDA DUPLA

Quem é Djo, que vai cantar no Lollapalooza e atuou em ‘Stranger Things’

Ator por trás de Steve Harrington na série da Netflix tem hit com mais de 2 bilhões de streams no Spotify e álbum indicado ao Grammy 2026

Kadu Soares (@soareskaa)

Djo
Foto: Natasha Moustache/Getty Images

O nome Djo pode soar estranho no cartaz do Lollapalooza Brasil 2026, mas o rosto por trás do projeto é bem conhecido: Joe Keery, intérprete de Steve Harrington em Stranger Things. Aos 33 anos, o ator manteve por anos uma carreira musical paralela, quase em segredo, até que “End of Beginning”, faixa do álbum de 2022, viralizou no TikTok, chegou ao topo do Spotify global e acumulou mais de 2 bilhões de streams. Djo se apresenta no Palco Budweiser neste domingo, 22, às 16h55.

A relação de Keery com a música vem de antes da fama na TV. Antes de Stranger Things, ele tocava guitarra e teclado na banda de rock psicodélico Post Animal, em Chicago, cidade onde estudou teatro e se aproximou da cena artística local. Em 2018, decidiu deixar o grupo para não prejudicar os colegas com a visibilidade crescente como ator. “É importante desassociar Steve, de Stranger Things, da banda”, disse na época. “Quero que eles trilhem o próprio caminho, sem estarem necessariamente ligados à série”.

 

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Nesse contexto, nasceu o projeto Djo — nome que, curiosamente, se pronuncia como o seu nome real. A ideia inicial era preservar um certo anonimato: nos primeiros clipes e fotos, Keery aparecia disfarçado, com peruca, sem deixar rastros óbvios de que era ele. O primeiro álbum, Twenty Twenty, saiu em 2019, seguido de DECIDE, em 2022 — trabalhos de sonoridade psicodélica e alternativa, frequentemente comparados ao Tame Impala pela atmosfera densa e nostálgica.

Fora da série da Netflix, Keery construiu uma filmografia variada que mostra um ator disposto a fugir do personagem que o consagrou. Em Spree: Viagens sem Limite (2020), filme de terror satírico, ele viveu um motorista de aplicativo obcecado com fama nas redes sociais — papel que exigiu um registro completamente diferente do carismático Steve Harrington. No ano seguinte, apareceu em Free Guy: Assumindo o Controle (2021) ao lado de Ryan Reynolds, comédia de ação que foi um sucesso de bilheteria. Mas talvez seu trabalho mais elogiado fora de Stranger Things tenha sido na quinta temporada de Fargo (2023), onde interpretou Gator Tillman, um personagem sinistro e complexo que rendeu críticas entusiasmadas e confirmou que Keery tem alcance dramático muito além do herói adolescente dos anos 1980. Em 2024, ainda encontrou tempo para interpretar o músico Steven Malkmus no filme-documentário Pavements.

O hit que não para de crescer

“End of Beginning” mudou tudo. Lançada em 2022 como faixa de DECIDE, a música ficou quase dois anos fora do radar até ganhar vida própria nas redes sociais, especialmente no TikTok, onde se tornou trilha de vídeos nostálgicos e emotivos. Em 2024, chegou ao número 1 do Spotify global. Em janeiro de 2026, repetiu o feito — desta vez desbancando Taylor Swift — impulsionada pelo encerramento de Stranger Things, cujos fãs passaram a usar a faixa em edições das cenas finais da série.

O Brasil teve papel central nessa escalada. São Paulo figura entre as cinco cidades que mais consomem o catálogo de Djo no mundo, com cerca de 495 mil ouvintes mensais no Spotify — dado que coloca o país entre os mercados mais relevantes para o artista fora do eixo anglófono e justifica a presença no Lollapalooza muito além do buzz internacional.

Da peruca ao Grammy

Com o sucesso consolidado e o fim de Stranger Things, Keery desistiu definitivamente de se esconder. Em 2025, lançou The Crux — disco gravado no Electric Lady Studios, em Nova York, ao lado do produtor Adam Thein — desta vez aparecendo nas fotos sem disfarces e com uma proposta mais orgânica e pessoal. “Parecia que o disfarce ia contra a essência de todo o processo, que é tentar eliminar tudo o que interfere na honestidade”, disse à NME. O álbum rendeu turnês esgotadas ao redor do mundo e uma indicação ao Grammy 2026 — na categoria Melhor Capa de Álbum.

The Crux marca uma virada sonora em relação aos trabalhos anteriores. Mais próximo das influências que Keery cresceu ouvindo — Bruce Springsteen, Bob Dylan, ELO, James Taylor —, o disco tem um clima mais cru e orgânico, com letras sobre ansiedade, simplicidade e conexão humana. A faixa “Basic Being Basic” critica a cultura do Instagram com um power pop de referências dos anos 1980, enquanto “Charlie’s Garden” homenageia o ator Charlie Heaton, colega de Stranger Things, e a comunidade que construiu em Atlanta durante as gravações da série. As irmãs de Keery cantam em “Back on You”.

Aos 33 anos, Joe Keery chega ao Brasil numa fase que ele define como de reconexão — com as raízes, com os amigos e com o que realmente importa. Ele inclusive voltou a tocar com o Post Animal, banda que havia deixado sete anos antes. O show no Lollapalooza promete um fim de tarde com músicas calmas, emocionais e aquela camada de nostalgia que se tornou sua marca registrada — num palco em que, provavelmente, boa parte do público vai reconhecer o rosto antes do nome.

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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
TAGS: djo, Joe Keery, Lollapalooza Brasil 2026, Stranger Things