Emergência Radioativa: A história real que baseia a série da Netflix
Produção é inspirada no acidente com Césio-137 que afetou centenas de pessoas na década de 80
Gabriela Nangino (@gabinangino)
A série brasileira de drama Emergência Radioativa, que estreou em 18 de março de 2026 no catálogo da Netflix, tem levado o público a revisitar o que é considerado o maior acidente radioativo do mundo fora de uma usina nuclear.
Criada por Gustavo Lipsztein e estrelada por Johnny Massaro (O Filho de Mil Homens), a série do streaming é baseada no acidente com o Césio-137 que aconteceu em Goiânia em setembro 1987.
Quando um aparelho de radioterapia abandonado foi retirado de uma clínica desativada e levado para um ferro-velho, uma cápsula com cloreto de césio (material altamente radioativo) foi manipulada por diversas pessoas, espalhando a contaminação pela cidade. O objeto chamava atenção por emitir um brilho azul no escuro.
Poucas horas depois, algumas pessoas começaram a desenvolver sintomas: náuseas, seguidas de tonturas, com vômitos e diarreias. Maria Gabriela, esposa do dono do ferro-velho, Devair Ferreira, desconfiou que o pó que emitia o brilho era responsável pelos sintomas, e levou a cápsula para a Vigilância Sanitário.
Ao longo do primeiro mês, a exposição ocasionou quatro mortes: Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, morreu devido à septicemia e infecção generalizada; enquanto Maria Gabriela, de 37 anos, desenvolveu hemorragia interna. Dois funcionários do ferro-velho também faleceram: Israel dos Santos, de 22 anos, trabalhou na fonte radioativa para extrair o chumbo e teve uma doença respiratória grave e complicações linfáticas; e Admilson de Souza, de 18 anos, sofreu lesão pulmonar, hemorragia interna e danos ao coração.
Centenas de pessoas foram contaminadas, e algumas sofreram consequências físicas extremas, como queimaduras profundas, necessidade de cirurgias e amputações. Ao todo, mais de 100 mil precisaram passar por exames para verificar possíveis níveis de radiação no corpo.
A resposta ao acidente envolveu uma grande operação coordenada por órgãos como a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), além de equipes médicas e militares.
A longo prazo, porém, as consequências foram ainda mais graves. A Associação das Vítimas do Césio 137 afirma que até o ano de 2012, quando o acidente completou 25 anos, cerca de 104 pessoas morreram nos anos seguintes pela contaminação, decorrente de câncer e outros problemas, e cerca de 1 600 tenham tido problemas de saúde diretamente decorrentes da contaminação.
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