'RECORRIAM A ELE'

O verdadeiro líder do Metallica, segundo produtor da década de 1980

Flemming Rasmussen revela que nada acontecia na banda sem o “aval” desse integrante que, segundo ele, ‘participava de todos os processos decisivos’

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Metallica em 1986 (E-D): Cliff Burton, Kirk Hammett, Lars Ulrich e James Hetfield (Foto: Ross Marino / Getty Images)
Metallica em 1986 (E-D): Cliff Burton, Kirk Hammett, Lars Ulrich e James Hetfield (Foto: Ross Marino / Getty Images)

O vocalista e guitarrista James Hetfield e o baterista Lars Ulrich são amplamente reconhecidos hoje como as mentes por trás do Metallica. No entanto, uma revelação de quem acompanhou de perto a ascensão da banda traz uma perspectiva diferente.

Flemming Rasmussen, o icônico produtor responsável por álbuns fundamentais como Ride the Lightning (1984), Master of Puppets (1986) e …And Justice For All (1988), afirmou recentemente que o verdadeiro pilar e líder do grupo, antes da sua trágica morte, era o baixista Cliff Burton.

Em entrevista à Metal Hammer, Rasmussen recordou a dinâmica interna do quarteto durante os anos 1980. Segundo o produtor, ainda que Hetfield e Ulrich fossem as figuras de frente na promoção da banda, era em Burton que todos se apoiavam quando precisavam tomar decisões.

Ele comenta:

“A ideia de Lars (Ulrich) e James (Hetfield) serem os líderes da banda só surgiu mais tarde. Naquela época, era um quarteto. Lars e James eram os que promoviam a banda, mas Cliff era o mais velho e o que tinha formação musical, então eles recorriam a ele para fazer as coisas acontecerem.”

Cliff Burton, baixista do Metallica, em 1986 (Foto: Ross Marino / Icon and Image / Getty Images)
Cliff Burton, baixista do Metallica, em 1986 (Foto: Ross Marino / Icon and Image / Getty Images)

Para Flemming Rasmussen, a influência de Burton ia muito além de suas linhas de baixo:

“Ele era importante para a estrutura da banda. Participava de todos os processos decisivos. Nada realmente acontecia no Metallica a menos que Cliff concordasse.”

Época de vacas magras do Metallica

Além da liderança de Cliff Burton, na entrevista o produtor relembrou os tempos de “vacas magras” durante as gravações de Ride the Lightning na Dinamarca. Com orçamento limitado, os membros do Metallica viviam de forma modesta, muitas vezes com uma alimentação precária.

Comovido com a situação, Rasmussen conta que conseguiu que sua própria esposa cozinhasse jantares diários para os músicos. Ele recorda:

“Eles estavam hospedados na casa de amigos quando fizemos o Ride the Lightning, e eu vi como viviam e comiam, e era horrível. Liguei para a equipe deles e disse: ‘Se vamos trabalhar tanto, eles precisam de refeições decentes. Por que vocês não me mandam uma boa quantia e eu peço para minha esposa cozinhar para eles?’ E eles disseram: ‘Claro, sem problemas’.”

O produtor completa:

“Então, todos os dias começavam com eles aparecendo às seis da tarde na minha casa e jantávamos juntos. No primeiro dia, minha esposa fez almôndegas com molho remoulade, que era a coisa dinamarquesa perfeita. O prato favorito deles era mingau de arroz, que os dinamarqueses dizem que os elfos comem. Eles adoraram.”

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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