Os bots estão tomando conta da música?
Do hip hop ao K-pop e além, streams fraudulentos, faixas feitas por IA e paradas infladas estão mudando como as músicas são produzidas e consumidas
ROLLING STONE EUA
A conversa em torno de bots de streaming ficou bem mais alta em agosto de 2025, quando vazou na internet uma ligação telefônica feita da prisão entre Young Thug e um associado não identificado. Durante a conversa, o fundador da Young Stoner Life Records afirmou que havia gasto US$ 50.000 para impulsionar os streams do álbum de janeiro de 2022 de Gunna, DS4Ever (2022), para garantir que ele estreasse no topo da parada Billboard 200. E foi o que aconteceu: o projeto ficou em primeiro lugar com mais de 150.000 unidades equivalentes a álbuns na semana de estreia, superando Dawn FM (2022), de The Weeknd, por uma diferença modesta de 2.300 unidades.
“Gastei mais 50 mil comprando streams pra você — US$ 50.000”, disse Young Thug na ligação. “Você não conquistou honestamente um álbum número um acima do The Weeknd, meu mano. Eu paguei por essa porra.”
De acordo com o resumo da Billboard sobre a semana inaugural do álbum, DS4Ever (2022) se beneficiou de uma colaboração com Drake (“P Power”) e de preços extremamente descontados no iTunes. A Luminate, empresa que fornece dados de streaming à Billboard, verificou os números na época e não reportou nenhuma atividade suspeita.
(Representantes de Young Thug e Gunna não responderam aos pedidos de comentário. A Luminate recusou comentar. Um porta-voz da Billboard disse: “Embora não comentemos nossa metodologia de paradas, confirmamos que a Billboard, em conjunto com a parceira de dados Luminate, aplica um processo rigoroso de monitoramento e verificação em todos os parceiros e contribuintes, desenvolvido para garantir dados precisos e completos para nossas paradas.” Luminate, Billboard e Vibe pertencem à Penske Media Corp.)
Ainda assim, não há como negar que a fraude em streaming é um problema persistente em toda a indústria da música. Muitas vezes, ela é implementada por artistas e/ou seus representantes, que usam bots e “fazendas” de streaming para inflar artificialmente os streams de um álbum, repetindo faixas por meio de scripts automatizados, contas falsas e perfis, o que leva a melhores posições nas paradas. Essas ferramentas costumam mirar a semana de lançamento de um álbum para aumentar as chances de estrear em primeiro lugar.
“Sei que é uma notícia bombástica que alguém no negócio da música está tentando inflar as paradas”, diz à Vibe Christian Castle, advogado especializado em tecnologia. “Parte disso é relativamente inocente e parte não é,
[mas] é tudo fraude. Tem gente por aí que faz isso como promoção e tem gente por aí que diz que vai fazer e não entrega. É predatório.”
Anos atrás, empresas como iHeartMedia e Pandora foram acusadas de se envolver em outro tipo de acordo por baixo dos panos, os “steering agreements”, que são contratos entre um serviço de música digital e uma editora musical ou gravadora que reduzem os royalties pagos à editora em troca de maior execução. Esses acordos, na prática, “direcionam” o público para a música fornecida por aquela editora, ao alterar intencionalmente os algoritmos do serviço. Em uma petição de 2015, a Pandora chamou isso de uma forma de “competição de preços”. (A iHeart não respondeu aos pedidos de comentário.)
Christian Castle compara esse comportamento ao “payola”, termo cunhado pela Variety em 1938 para descrever a prática ilegal de pagar por promoção não divulgada de música, historicamente para estações de rádio: alguém comprava um BMW ou uma viagem ao Taiti para o diretor de programação e, magicamente, o artista emplacava um hit. Hoje, o payola assume diferentes formas, mas cada prática equivale a algum tipo de pagamento para distorcer a percepção pública e garantir uma vantagem injusta.
Fazendas de telefones como esta podem ser montadas para tocar músicas em loop, inflando fraudulentamente o total de streams
Fazendas modernas e automatizadas de streaming podem ser galpões sem janelas ou salas vazias de escritório com centenas ou milhares de smartphones, computadores e servidores reproduzindo o mesmo conteúdo em loop contínuo, gerando de milhares a milhões de streams fraudulentos.
Uma rápida busca no Google mostra várias empresas alegando que conseguem impulsionar streams. Algumas trabalham por assinatura, cobrando uma taxa mensal fixa para gerar milhares de streams. Outras cobram mais de US$ 300 por mês. Operações criminosas mais sofisticadas vão além, usando IA para gerar milhares de músicas falsas e milhões de streams.
Os pagamentos podem ser lucrativos. A Beatdapp, empresa especializada em detecção de fraude de streaming, estima que streams fraudulentos de música gerem aproximadamente US$ 2 bilhões por ano em royalties desviados e ilegítimos. Nos modelos atuais de distribuição, o dinheiro é repassado pelos serviços com base na participação daquele fonograma nas audições, e não a uma tarifa fixa por execução.
Analistas do J.P. Morgan constataram recentemente que, se alguém enviasse sua própria faixa de 30 segundos para uma plataforma de streaming e programasse um dispositivo para ouvi-la repetidamente por 24 horas, receberia US$ 1.200 por mês em royalties.
O Spotify, por exemplo, reconheceu o problema e direciona recursos significativos para detectar e mitigar atividades artificiais de streaming, para proteger artistas e garantir uma distribuição justa dos royalties. Em seu site, a empresa define stream artificial como “um stream que não reflete a intenção genuína de escuta do usuário, incluindo qualquer tentativa de manipular o Spotify usando processos automatizados (como bots ou scripts).”
“O Spotify investe pesadamente em análises automatizadas e manuais para prevenir, detectar e mitigar o impacto de tentativas de streaming artificial em nossa plataforma”, disse à Vibe Laura Batey, diretora associada de comunicação corporativa do Spotify. “Quando identificamos manipulação, tomamos medidas que incluem remover números de streams, reter royalties e aplicar uma penalidade. Isso nos permite proteger os pagamentos de royalties para artistas honestos e trabalhadores.”
Já a Apple Music afirma ter um ambiente rigidamente controlado. Em uma conferência de música em Londres em janeiro de 2025, o chefe de parcerias musicais da empresa teria afirmado que “menos de um por cento de todos os streams são manipulados” no serviço, com base em monitoramento em tempo real, análise de dados e colaboração com distribuidoras para conter atividade fraudulenta.
A Luminate possui uma série de verificações e contrapesos extensos para detectar dados fraudulentos de provedores e garantir a objetividade da parada. (Quando questionados sobre detalhes das proteções contra fraude, representantes da Luminate encaminharam a Vibe para o site da empresa. Mas, na prática, cabe às empresas de streaming detectar primeiro e, idealmente, remover os streams fraudulentos antes de enviar os números à Luminate. A Billboard e muitas plataformas agora usam algoritmos de IA e captchas para detectar padrões anormais de reprodução. Elas prometeram remover prontamente contagens infladas e punir infratores. Um representante da Billboard acrescentou: “A Luminate usa algoritmos proprietários de aprendizado de máquina — baseados em grandes volumes de dados históricos — para detectar anomalias em todos os dados entregues por parceiros externos. Esse padrão de prática atua além de cada serviço de streaming ter seu próprio método de detecção.”
A Pandora também diz ter intensificado seus esforços para conter criminosos cibernéticos. Um porta-voz garante que a empresa é “líder no combate à fraude de execuções” e está construindo sistemas de detecção baseados em IA e filtros sofisticados que planeja compartilhar mais amplamente com o ecossistema musical. O porta-voz acrescenta que a Pandora usa uma estratégia em múltiplas camadas que combina especialistas humanos em vários gêneros com aprendizado de máquina e outras ferramentas para identificar e filtrar atividade suspeita, proteger a qualidade dos dados e melhorar continuamente seus métodos de detecção.
Essas garantias podem trazer algum conforto a artistas e fãs, mas, considerando que o streaming global gera US$ 20,4 bilhões por ano, segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica, até mesmo uma pequena porcentagem de manipulação pode significar centenas de milhões de dólares desviados por fraudadores.
Pessoas criadoras seguem profundamente preocupadas. Em 2024, mais de 200 artistas, incluindo Billie Eilish, J Balvin, Chuck D e Mumford & Sons, assinaram uma carta aberta denunciando ameaças da IA aos direitos, à remuneração e ao “ecossistema musical”. Mais recentemente, em 24 de março, a vocalista da Mannequin Pussy, Missy, pediu ao Spotify em um post no Instagram: “Eu adoraria começar uma conversa real com quem eu puder na empresa sobre o que vocês planejam fazer a respeito da fraude por IA na plataforma, a proliferação de como pessoas que não são artistas podem se aproveitar da falta de regulação na plataforma e como vocês estão contribuindo para o aumento do potencial de que sites de streaming musical como o de vocês sejam alvos de oportunismo cultural.”
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Em setembro passado, o Spotify disse que tinha removido mais de 75 milhões de faixas fraudulentas do serviço no último ano.
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TODAS ESSAS proteções corporativas também parecem fazer pouco para deter práticas por baixo dos panos. Em 2024, o músico da Carolina do Norte Michael Smith foi acusado de fraude eletrônica, conspiração para fraude eletrônica e conspiração para lavagem de dinheiro por autoridades federais, por usar bots e IA para gerar fraudulentamente mais de US$ 10 milhões em receita de streaming de várias gigantes, incluindo Spotify, Apple Music e Amazon Music. (Smith inicialmente declarou-se inocente em setembro de 2024 e, depois, declarou-se culpado de uma acusação de conspiração para cometer fraude eletrônica em 19 de março.)
Em dezembro de 2025, Drake foi acusado de usar sua parceria com o cassino online Stake para despejar milhões de dólares em campanhas artificiais de impulsionamento de streams. As alegações foram incluídas em uma ação coletiva contra Drake, Stake, o streamer Adin Ross e o cidadão australiano e bilionário de cripto George Nguyen.
“Desde pelo menos 2022, Drake e aqueles agindo sob sua direção — incluindo Ross e Nguyen — fizeram uso de Stake.com e Stake.us para financiar de forma encoberta a aquisição orquestrada de atividades de botting e fazendas de streaming para inflar artificialmente o número de reproduções atribuído ao catálogo de Drake nos principais serviços digitais de streaming, como Spotify”, diz o processo. “Esses streams inautênticos, injetados por vias digitais interestaduais, foram calibrados para enganar mecanismos de royalties e recomendação; fabricar popularidade; distorcer playlists e paradas; e desviar tanto valor quanto a atenção do público.” (Nenhum dos réus respondeu publicamente desde o ajuizamento.)
Em um esforço para aumentar a transparência para quem ouve, as distribuidoras que entregam créditos a todos os grandes serviços também estão implementando planos para indicar quando houve uso de IA na criação de uma faixa. Isso já está virando padrão em várias plataformas. Por exemplo, a Apple Music lançou recentemente as Transparency Tags, que são obrigatórias se qualquer parte do conteúdo usar IA. Segundo um newsletter da Apple Music, as novas exigências de marcação “fornecem um primeiro passo concreto em direção à transparência necessária para a indústria estabelecer melhores práticas e políticas que funcionem para todo mundo.” Outro serviço, o Deezer, implementou uma ferramenta de detecção de IA para manter “representação justa para todos os artistas e oferecer clareza” a seu público, como explicou a empresa em seu site.
Drake alegou anteriormente que a Universal Music Group (sua própria gravadora) usou prática semelhante para impulsionar streams de “Not Like Us”, a feroz diss track de Kendrick Lamar contra Drake, na qual o rapper de Toronto é rotulado como “pedófilo”. Ele entrou com uma ação contra a gravadora, citando difamação, má conduta contratual e dano financeiro. Embora um juiz tenha rejeitado as alegações de difamação, Drake recorreu, e o processo segue em andamento. (Em resposta à ação inicial de Drake, um porta-voz da UMG divulgou uma nota chamando as alegações de “inverídicas” e acrescentou: “A ideia de que buscaríamos prejudicar a reputação de qualquer artista — muito menos Drake — é ilógica. Investimos massivamente em sua música … por muitos anos para ajudá-lo a alcançar um sucesso comercial e financeiro pessoal histórico.”)
A Top Dawg Entertainment também foi acusada de empregar bots. Em julho de 2025, a personalidade de mídia Akademiks repreendeu a TDE durante um de seus desabafos em livestream, por supostamente usar bots para aumentar os números de streaming de Doechii. “Isso é completamente ridículo”, disse Akademiks. “Então você está me dizendo que não foi Nicki Minaj, não foi Drake, não foi Lil Wayne … Doechii? Ah, não. Vocês têm que diminuir essa botagem. Vocês têm que parar com isso. Estou dando um aviso bem direto para a TDE.” (A Top Dawg não respondeu a vários pedidos de comentário. Doechii não comentou publicamente.)
O K-pop também está sentindo a pressão. Vários artistas de K-pop, incluindo Jimin, do BTS, e integrantes do Blackpink, tiveram milhões de streams removidos de suas faixas no Spotify no ano passado durante uma limpeza de streams artificiais, embora eles nunca tenham sido acusados de irregularidades. Esquemas de streaming fraudulento podem acontecer com grandes artistas, seja sem que saibam, seja por ações de terceiros.
“Às vezes nem são os artistas; há maus atores”, diz Batey. “Um artista vê uma empresa de marketing online [que] diz coisas como: ‘Podemos aumentar sua contagem de streams’. Eles não dizem que vão comprar um monte de bots, mas é isso que fazem. Aí os streams do artista são retirados, o artista não recebe os royalties e acha que alguém fez algo contra ele.”
BTS e Blackpink são atos gigantes e conseguem atravessar a tempestade, mas artistas menores e independentes sofrem mais, porque não têm recursos para aguentar impactos tão grandes. Como Christian Castle observa, eles costumam ser o principal alvo. “Há gente por aí que se aproveita de artistas que não têm contrato com uma grande gravadora”, diz. “Grandes gravadoras fazem de tudo para evitar que esse tipo de coisa aconteça ou que volte contra elas, se acontecer.”
Também é do interesse das plataformas de streaming pegar esses criminosos por alguns motivos. Segundo Christian Castle, a matemática sugere que, quanto mais streams falsos as plataformas conseguirem erradicar, menos dinheiro elas precisarão repassar às gravadoras.
“Se você é uma gravadora, eles pagam uma parte para você com base em todos os streams das gravações daquela gravadora — isso vai no numerador”, explica Christian Castle. “O denominador são todos os streams. Esse denominador está sempre aumentando, mas o numerador não. Especialmente se você estiver morto — esse numerador nunca vai aumentar se o artista faleceu. Então, com o tempo, fica cada vez menor.” Esse é um motivo pelo qual tantos artistas — incluindo Taylor Swift, Thom Yorke, do Radiohead, e Neil Young — protestaram contra o Spotify e outras plataformas.
“[As plataformas] pagam a mesma porcentagem de receita de qualquer jeito”, continua Christian Castle. “O que elas mais se importam é em manter aqueles 70%, digamos, em que elas repassam cerca de 50% para as gravadoras e cerca de 18% para as editoras das músicas.”
A fraude “tem efeito nessa fórmula”, diz Christian Castle. “Se elas conseguirem se livrar dessas faixas fraudulentas, esses streams não contam. Eles somem. Isso automaticamente diminui o denominador e aumenta o pagamento.”
Batey, do Spotify, contesta esse raciocínio. “Essa ideia de ‘numerador versus denominador’ está um pouco equivocada”, diz. “O streaming não é uma torta fixa que vai sendo dividida mais finamente à medida que mais música é enviada. O total cresce conforme mais pessoas assinam e ouvem, e os pagamentos são baseados na participação de cada artista nessa escuta. Então, sim, os streams aumentam, mas o dinheiro pago também. É por isso que os pagamentos aumentam ano após ano, e não diminuem.
“Streams artificiais tentam distorcer o sistema”, continua, “por isso nós os removemos e não pagamos por eles. O Spotify não fica com nenhum do dinheiro que teria sido pago por streams artificiais — pegar essa atividade significa que preservamos esse dinheiro de sair do pool de royalties. Esse dinheiro então é distribuído de acordo com streams legítimos, segundo a participação.”
E, quanto a artistas falecidos, ela acrescenta: “A ideia de que a participação de um artista só cai com o tempo não reflete como a escuta realmente funciona. A participação do artista varia conforme as pessoas ouvem. Ela pode crescer, se manter ou cair ao longo do tempo. Catálogo costuma ser o mais durável e pode ressurgir a qualquer momento, impulsionado pela cultura — seja por uma série, um momento viral ou uma nova geração descobrindo.” Ela cita Stranger Things (2017) impulsionando o interesse em faixas como “Purple Rain”, de Prince, como exemplo.
Ainda assim, à medida que maus atores ficam cada vez mais criativos e aprendem a driblar barreiras, Spotify e outras grandes plataformas de streaming precisam seguir combatendo o problema — e ser mais inteligentes nisso. Equipes dedicadas a monitorar dados de streaming em tempo integral observam sinais no back-end, como um pico alto de streams vindo de um mesmo IP ou de um mesmo país, ou reproduções de apenas 30 segundos de uma faixa para que ela qualifique para royalties. O Spotify, por sua vez, reluta em fornecer detalhes demais sobre o processo; a empresa teme estar entregando a maus atores um mapa de como escapar dos próprios sistemas criados para pegá-los.
E, embora o botting de streams seja um problema antigo, ele está se agravando graças à IA e à capacidade de criar músicas falsas. Em setembro de 2025, o Spotify anunciou que havia removido mais de 75 milhões de faixas do serviço no último ano como parte do plano de três frentes para tornar a plataforma mais segura para usuários e pessoas criadoras, que inclui um sistema melhorado de filtragem de spam e novas “divulgações para músicas com créditos padronizados pela indústria” — mas isso vai levar tempo para ser implementado.
“Queremos ter cuidado para garantir que não estamos penalizando os carregadores errados”, disse a empresa em um comunicado, “então vamos implementar o sistema [de filtragem de spam] de forma conservadora nos próximos meses e continuar adicionando novos sinais à medida que novos esquemas surgirem.”
Com a explosão de deepfakes de voz, o Spotify também atualizou sua política de impersonação para que artistas possam registrar uma denúncia quando uma voz não for deles e pedir a remoção.
Em um esforço para aumentar a transparência para quem ouve, as distribuidoras que entregam créditos a todos os grandes serviços também estão implementando planos para indicar quando houve uso de IA na criação de uma faixa. Isso já está virando padrão em várias plataformas. Por exemplo, a Apple Music lançou recentemente as Transparency Tags, que são obrigatórias se qualquer parte do conteúdo usar IA. Segundo um newsletter da Apple Music, as novas exigências de marcação “fornecem um primeiro passo concreto em direção à transparência necessária para a indústria estabelecer melhores práticas e políticas que funcionem para todo mundo.” Outro serviço, o Deezer, implementou uma ferramenta de detecção de IA para manter “representação justa para todos os artistas e oferecer clareza” a seu público, como explicou a empresa em seu site.
Distribuidoras como DistroKid e TuneCore também são fundamentais para ajudar a detectar atividade fraudulenta de streaming. Artistas menores sem contrato com gravadora usam distribuidoras, que podem atuar como intermediárias ao rastrear dados e colaborar com serviços de streaming para detectar e reportar atividade suspeita.
E as taxas de distribuidoras por streams falsos incentivam cada empresa a manter sua integridade. No Spotify, por exemplo, a penalidade é aplicada quando mais de 90% dos streams de uma música são considerados ilegítimos. As distribuidoras são cobradas uma taxa mensal fixa de cerca de US$ 10,82 por faixa infratora e são contratualmente obrigadas a repassar essas cobranças às pessoas artistas que fizeram o upload original do conteúdo. Outras consequências podem incluir remoção da faixa ou do catálogo, retenção de royalties, suspensão de conta e perda de elegibilidade para promoções futuras na plataforma.
Em setembro passado, Young Guru, engenheiro de longa data de Jay-Z, participou de um painel de estrelas durante o Playlist Retreat anual do DJ Jazzy Jeff em Delaware, onde falou com paixão sobre suas preocupações com a IA. Ao mesmo tempo, apontou como é simples demais ser um “artista” com a capacidade de enviar um conteúdo para qualquer plataforma de streaming a qualquer momento. Christian Castle concorda: é preciso dificultar.
“É fácil demais entrar em uma plataforma de streaming como uma suposta gravação sonora”, diz Christian Castle. “Faixas de IA estão simplesmente aparecendo nas contas de artistas falecidos. Isso nunca deveria acontecer, mas deixam acontecer porque dá trabalho demais investigar e descobrir quem é quem. Então, se for esse o caso, se eles têm que empregar todas essas pessoas para fiscalizar fraudes, por que não fazer isso na entrada? Passar por cada faixa e descobrir quem realmente é dono dela. Tornar mais difícil entrar no sistema.”
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