Jay-Z questiona o futuro das batalhas no hip hop após rivalidade entre Kendrick e Drake: ‘Quase desejo que não tivesse acontecido’
Em entrevista à GQ, rapper afirma que confrontos na era das redes sociais foram longe demais e sugere que colaborações substituam disputas diretas
Kadu Soares (@soareskaa)
Jay-Z falou pela primeira vez sobre a rivalidade entre Kendrick Lamar e Drake em entrevista à GQ publicada na última terça, 24, e surpreendeu ao questionar se a cultura do confronto direto ainda tem lugar no hip hop contemporâneo. Para o rapper, a disputa foi além dos limites do que o gênero consegue absorver, especialmente na era das redes sociais, e chegou a um ponto em que ele “quase deseja que não tivesse acontecido”.
Jay-Z estruturou sua análise em torno dos quatro pilares históricos do hip hop: o break, o grafite, o DJ e as batalhas, e observou que três deles já perderam espaço ao longo das décadas. “O último pilar é a batalha. Amamos a emoção e adoro a troca de farpas, mas nos dias de hoje há tanta coisa negativa envolvida que você quase deseja que não tivesse acontecido”, disse. O problema central, segundo ele, não está na disputa em si, mas no que a cultura de fãs faz com ela: “Agora, as pessoas que gostam do Kendrick odeiam o Drake, independentemente do que ele faça. Vira um ataque ao caráter dele. Não sei se gosto disso”.
Sua conclusão sobre o futuro do hip hop foi direta: “Acho que podemos alcançar a mesma coisa, no que diz respeito à troca de farpas com música, com colaborações, em vez de destruir tudo. Não sei se as batalhas ainda precisam fazer parte da cultura”.
JAY-Z says the Kendrick Lamar / Drake beef went too far and admits he “almost wishes” it didn’t happen:
“In this day and age, it’s so much negative stuff that comes with it ,that you almost wish it didn’t happen.”
“I don’t know if battling needs to be part of the culture… pic.twitter.com/uDhWTF0vNr
— Kurrco (@Kurrco) March 24, 2026
Para Jay, o formato do confronto que funcionava em outras épocas se tornou insustentável com a tecnologia atual. “Antes, você tinha a batalha, era divertido e seguia em frente. Hoje em dia, não sei se aguenta com a tecnologia que temos”, afirmou, acrescentando que as chamadas “guerras de fãs” chegaram a um nível inaceitável ao envolver filhos dos artistas. “Foi longe demais. Está trazendo os filhos das pessoas para isso. Não gosto disso”, disse.
O rapper reconheceu a contradição de alguém que protagonizou algumas das rivalidades mais icônicas da história do rap (incluindo o embate com Nas) questionar agora a validade do formato. “Sei como isso soa. É só como me sinto sobre isso. Odeio ter esse ponto de vista”, admitiu.
Quanto ao papel que teve na situação, já que é sua empresa, Roc Nation, que seleciona os headliners do Super Bowl, e a escolha de Kendrick Lamar para o show de 2025 foi interpretada por alguns como uma tomada de posição na disputa, Jay rejeitou qualquer leitura conspiracionista com uma resposta seca: “Escolhi o cara que estava tendo um ano monstruoso. Sou o Jay-Z. Com todo o respeito. Não faz o menor sentido”.
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