DECLARAÇÃO

Blake Lively critica retaliação após denúncias contra Justin Baldoni: ‘Violência digital é real’

Um juiz rejeitou 10 das 13 acusações do processo movido pela atriz contra o diretor e colega de elenco em É Assim Que Acaba, de 2024

Henrique Nascimento (@hc_nascimento)

Blake Lively se pronuncia após revés em processo contra Justin Baldoni: 'Violência digital é real' (Divulgação)

Após sofrer um revés em sua disputa judicial contra o diretor e colega de elenco em É Assim Que Acaba, Justin Baldoni, Blake Lively se pronunciou em suas redes sociais. Nesta semana, um juiz rejeitou 10 das 13 acusações no processo movido contra o cineasta, incluindo denúncias de assédio, difamação e conspiração, que movivemntou os bastidores da adaptação da obra de Colleen Hoover lançada em 2024.

“Sou grata pela decisão do Tribunal, que permite que o coração do meu caso seja apresentado a um júri no próximo mês, e pela possibilidade de finalmente contar minha história por completo no julgamento — por mim, mas também por aquelas [pessoas] que não têm a mesma oportunidade, muitas dos quais conheci e amei profundamente ao longo da minha vida, e inúmeras que nunca conhecerei”, escreveu Lively em comunicado divulgado no Instagram.

“A última coisa que eu queria na vida era um processo judicial, mas levei este caso adiante por causa da retaliação generalizada que enfrentei, e continuo enfrentando, por pedir, de forma privada e profissional, um ambiente de trabalho seguro para mim e para outros”, continuou a atriz. “Espero que a decisão do Tribunal mostre aos outros que, por mais doloroso que seja, é possível se manifestar.”

Lively ainda criticou a forma como o processo tem corrido na mídia: “Não se deixem distrair pela novela digital. A constante forma como este processo vem sendo tratado como um ‘drama de celebridade’ não é apenas irresponsável, é intencional: para impedir que vocês se vejam na minha história”, afirmou.

“A dor física causada pela violência digital é muito real. Isso é abuso. E está em todo lugar. Não apenas nas notícias, mas nas suas comunidades e escolas”, acrescentou Lively.

Confira a completa divulgada por Blake Lively:

“Sou grata pela decisão do Tribunal, que permite que o coração do meu caso seja apresentado a um júri no próximo mês, e pela possibilidade de finalmente contar minha história por completo no julgamento — por mim, mas também por aquelas [pessoas] que não têm a mesma oportunidade, muitas dos quais conheci e amei profundamente ao longo da minha vida, e inúmeras que nunca conhecerei.

A última coisa que eu queria na vida era um processo judicial, mas levei este caso adiante por causa da retaliação generalizada que enfrentei, e continuo enfrentando, por pedir, de forma privada e profissional, um ambiente de trabalho seguro para mim e para outros.

Espero que a decisão do Tribunal mostre a outras pessoas que, por mais doloroso que seja, você pode se manifestar.

Não se deixem distrair pela novela digital. A constante forma como este processo vem sendo tratado como um “drama de celebridade” não é apenas irresponsável, é intencional: para impedir que vocês se vejam na minha história.

A dor física causada pela violência digital é muito real.

Isso é abuso. E está em todo lugar. Não apenas nas notícias, mas nas suas comunidades e escolas.

Se você prestar atenção, minhas alegações não serão a primeira nem a última vez que verá exemplos dos perigos extremos da retaliação e da guerra digital. E muitas vezes isso não será direcionado a celebridades ou a pessoas que têm voz.

Isso afeta todos nós. Em todo o espectro político. Prestem atenção às diversas formas como podemos ser manipulados online. A manipulação digital já foi chamada de “impossível de rastrear”. Se você tem filhos com acesso a celulares, eles estão entre os mais vulneráveis. Protejam-nos. Conversem com eles.

Estudos estimam que entre 16% e 58% das mulheres já sofreram abuso ou perseguição online, com 97% dos serviços de apoio a vítimas de violência de gênero relatando abuso facilitado por tecnologia em seus casos.

Muito trabalho importante já foi feito para expor sistemas, táticas e agentes que causam danos. O trabalho para criar mais segurança está, em parte, neste julgamento, mas continuará muito depois que ele terminar. Este é o trabalho do qual mais me orgulho.

Eu não conseguiria me levantar se não fosse pelos inúmeros que vieram antes de mim, e pelas multidões que ainda estão ao nosso redor, criando leis, promovendo mudanças sociais, iniciando conversas, mobilizando pessoas, trabalhando de forma privada e pública, arriscando e às vezes perdendo tudo pela segurança de outros, em todos os espaços. Alguns conhecemos pelo nome, a maioria não. Obrigada. A todos vocês.

Eu nunca vou parar de fazer a minha parte para expor sistemas e pessoas que buscam prejudicar, envergonhar, silenciar e retaliar contra vítimas. Eu sei que é um privilégio poder me posicionar. Não vou desperdiçar isso.

O apoio de vocês me mantém em frente.”

Entenda o caso

Correndo há mais de um ano, o processo de Blake Lively faz acusações de assédio sexual e de promover um ambiente de trabalho inseguro contra Justin Baldoni, além de afirmar que o diretor teria contratado uma empresa de comunicação de crise para lançar uma campanha misógina de difamação contra ela.

Baldoni, por sua vez, afirmou que a atriz exagerou nas denúncias para aumentar o seu poder sobre É Assim Que Acaba que, mesmo com os problemas nos bastidores, arrecadou cerca de US$ 350 milhões em bilheterias mundiais. A crise acabou se tornando tão grande que até famosos, como Ryan Reynolds, marido de Lively, Taylor Swift, Jenny Slate, Matt Damon e Ben Affleck e Anna Wintour acabaram envolvidos.

Em fevereiro deste ano, em mais uma tentativa de resolver a questão Lively e Baldoni participaram de uma conferência de conciliação a portas fechadas, em um tribunal federal em Manhanttan, em Nova York (EUA), mas não chegaram a um acordo.

Agora, com dispensa da maioria das acusações, sobraram denúncias dequebra de contrato, retaliação e cumplicidade em retaliação, que serão levadas a julgamento previsto para iniciar no próximo dia 18 de maio.

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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas, em São Paulo, Henrique Nascimento começou como estagiário na Veja São Paulo e passou por veículos como SBT, Exitoína, Yahoo! Brasil e UOL antes de se tornar coordenador do núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo.
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