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Suzane von Richthofen quebra silêncio sobre assassinato dos pais em documentário

Produção está sendo exibida em sessões restritas e ainda não possui data de lançamento confirmada

Gabriela Nangino (@gabinangino)

Suzane von Richthofen (Foto: Divulgação)
Suzane von Richthofen (Foto: Divulgação)

Em novo documentário da Netflix, Suzane von Richthofen traz sua própria versão sobre o assassinato dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen, em 2002, pelo qual foi condenada a 39 anos de prisão. Ao longo de duas horas, ela aborda aspectos de sua vida familiar e seu envolvimento com o crime, alegando “abismo” emocional e falta de afeto durante a juventude.

Após cumprir parte da pena na Penitenciária de Tremembé (SP), Suzane obteve progressão para o regime aberto em janeiro de 2023. Hoje, aos 42 anos, ela reside com no interior de São Paulo com seu marido, o médico Felipe Zecchini Muniz. Na nova produção, ela revisita a mansão da família onde o crime ocorreu.

Segundo o jornalista Ullisses Campbell, Suzane descreve a casa em que cresceu como um ambiente “sem afeto”. “Eu vivia estudando. Era só nota alta. Tirava 9 e 10 em todas as matérias. Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles. Minha vida era brincar com o meu irmão”, diz no longa (via O Globo). “Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo. Mas era muito de vez em quando”.

Ela também afirma ter presenciado situações de violência doméstica. “O relacionamento dos meus pais era muito ruim”, conta. “Eu era criança. Meus pais botavam a gente pra dormir muito cedo. Ouvi uma discussão e desci pra ver o que era. Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”.

Eu e meu irmão fomos ficando invisíveis dentro de casa.

O relacionamento com Daniel Cravinhos

Suzane sugere que o “abismo” na relação com seus pais foi “ocupado” por Daniel Cravinhos, que seria futuramente condenado pelo crime do assassinato junto a seu irmão, Cristian. Ela relembra as críticas de sua mãe ao relacionamento: “Ela falava que ele ia me puxar para o fundo do poço”, afirmou.

A condenada explica que, a partir deste momento, ela começou a viver uma espécie de vida dupla. “Eu saía de casa dizendo que ia pro karatê, mas ia pra casa do Daniel”, contou. “Escondida dos meus pais, conheci todo o litoral de São Paulo. A gente alugava carro e seguia viagem. O Daniel me mostrou o mundo que eu queria viver”.

Virou uma guerra dentro de casa. Qualquer coisa era briga. [Meu pai] me deu um tapão na cara tão forte que meu rosto virou pro lado.

Quando Manfred e Marísia viajam por 30 dias para a Europa, Daniel passou o mês na casa de Suzane. “Foi um mês de liberdade total. Um sonho que eu não queria que acabasse. Era o dia inteiro de sexo, drogas e rock ’n’ roll. Aquele mês mudou tudo na nossa vida”, afirmou, rindo.

O assassinato

Suzane explica que a ideia do crime não surgiu de forma direta. “Nós não falávamos em matar meus pais. A gente dizia que seria muito bom se eles não existissem”, descreveu.

Ela também afirma que não participou diretamente da execução “Eu não construí a arma do crime. Não tenho nada a ver com isso” , mas admite a responsabilidade por permitir a entrada dos irmãos Cravinhos em sua casa. “Eu aceitei. Eu os levei pra dentro da minha casa. A culpa é minha. Claro que é minha”, confessa.

Manfred e Marísia von Richthofen foram assassinados a pauladas em 31 de outubro de 2002, em seu quarto no segundo andar da casa. Na noite do crime, Suzane relata que que permaneceu no andar de baixo. “Eu fiquei no sofá, com a mão no ouvido para não escutar nada”.

Eu não estava em mim. Era como um robô, sem sentimento. Se eu parasse pra pensar, aquilo não aconteceria. (…) Quando tudo terminou, o impacto veio de forma imediata. Não tinha mais como voltar atrás. O que eu fiz não tem mais volta.

O documentário, atualmente exibido em sessões restritas a convidados, ainda não possui data de lançamento confirmada. A obra tem o título provisório de “Suzane vai falar”.

Jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, Gabriela é mineira e apaixonada por arte e cultura. Ela também já foi dançarina e seu principal hobbie é conhecer todos os cinemas de rua de SP. Foi estagiária no Jornal da USP e, na Rolling Stone Brasil, fala sobre música, filmes e séries.
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