Emergência Radioativa: A história real da família principal retratada na série
Loures, representada pela personagem Catarina, afirma que foi afastada do marido e da filha após ambos terem contato com o Césio-137
Redação
A série brasileira de drama Emergência Radioativa, que estreou em março no catálogo da Netflix, tem levado o público a revisitar o emblemático acidente com Césio-137 que ocorreu em Goiânia, em 1987. Até hoje, este é considerado o maior acidente radioativo do mundo fora de uma usina nuclear.
Tudo começou quando um aparelho de radioterapia abandonado foi retirado de uma clínica desativada e levado para um ferro-velho. Por causa disso, uma cápsula com cloreto de césio foi manipulada por diversas pessoas, e a contaminação se espalhou pela cidade. No cerne da narrativa, está a família de Catarina (interpretada pela atriz Marina Merlino), João (Alan Rocha) e a filha de 6 anos do casal, Celeste (Mariana da Silva).
A história real por trás de Emergência Radioativa
Na vida real, os personagens da série criada por Gustavo Lipsztein tem outros nomes: Lourdes das Neves Ferreira, seu marido, Ivo, e a filha, Leide. Leide morreu menos de um mês após a contaminação pelo material tóxico, no dia 23 de outubro, devido à uma septicemia e infecção generalizada, transformando-se em símbolo da tragédia nacional.
Em entrevista à revista VEJA, a mãe conta que foi difícil assistir à série. “Qualquer coisa sobre o acidente me deixa triste, não tem como não ficar. Mas é importante que relembrem tudo aquilo, para não acontecer de novo”, disse.
Diferente de como foi retratado na produção, Lourdes explica que precisou ficar separada do marido e da filha, pois eles haviam tido contato próximo com o objeto radioativo.
“Eu fiquei o tempo todo isolada. Foram três dias no estádio, depois nos levaram para o prédio da Febem, onde éramos acompanhados por médicos. Fiquei três meses lá”, conta. “Acho que me davam remédio porque sabiam que as notícias que iam chegar seriam ruins.”
Lourdes afirma que foi muito difícil para ela e seu marido se recuperarem da morte da filha. “Meu marido [Ivo] voltou a fumar, fumava de duas a três caixas de cigarro por dia”, relata.
Ivo faleceu devido a um enfisema pulmonar em 2003. A Associação das Vítimas do Césio-137 estima que até o ano de 2012, quando o acidente completou 25 anos, cerca de 104 pessoas haviam morrido devido a complicações do caso, especialmente por problemas pulmonares e câncer.
Lucimar, filho adolescente do casal com representação mais breve na série, tem hoje 52 e também faz acompanhamento médico. Ele tem danos nos pulmões e, em 2001, sofreu três paradas cardíacas. “Quase perdi ele também, a gente cuida o tempo todo”, diz Lourdes.
Hoje, aos 74 anos, Lurdes vive com uma pensão vitalícia de R$ 954. Uma proposta de aumento das pensões aos cidadãos afetados no acidente está em processo de aprovação.
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