'FICOU UM FRANKENSTEIN'

Cesar Camargo Mariano envia notificação a gravadora por relançamento de ‘Elis’

Ex-marido e pai de dois filhos de Elis Regina, maestro alega violação de direitos morais e patrimoniais em nova mixagem feita sem sua autorização

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

A cantora Elis Regina em 1968 (Foto: Keystone / Hulton Archive / Getty Images)
A cantora Elis Regina em 1968 (Foto: Keystone / Hulton Archive / Getty Images)

O maestro e arranjador Cesar Camargo Mariano notificou extrajudicialmente a Universal Music Brasil em razão do recente relançamento do álbum Elis, de Elis Regina, originalmente gravado em 1973. O problema está na nova mixagem e remasterização da obra, processo realizado sem a consulta ou autorização do músico, que foi o diretor musical e responsável pelos arranjos do disco original.

Representado pela advogada Deborah Sztajnberg, Mariano alega que a intervenção na obra fere seus direitos patrimoniais e morais. Segundo a defesa, o trabalho de meses realizado por ele e Elis Regina para conceber a sonoridade e os conceitos musicais do álbum — dono de canções como “É com esse que eu vou”, “Ladeira da preguiça”, “Meio de campo” e “Folhas secas” — foi desconsiderado na nova versão (via Folha de S. Paulo).

Sztajnberg afirma:

“O maestro não quer ter seu nome associado a essa remasterização, porque destruíram a obra dele, ficou um Frankenstein.”

A insatisfação de Camargo Mariano já havia sido manifestada publicamente nas redes sociais no final de março, quando ele descreveu ter ouvido o lançamento com “tristeza”. Para o músico, as escolhas técnicas originais eram parte integrante da interpretação de Elis e não deveriam ser alteradas por terceiros.

Ele argumentou, à época:

“Este álbum de 1973 foi um dos álbuns mais emblemáticos, pessoal e profissionalmente, tanto para mim quanto para Elis. E como também me perguntam, imagino que Elis, profissional como era, também não estaria feliz com estas alterações e mutilações.”

O projeto de relançamento foi capitaneado por João Marcello Bôscoli, filho de Elis Regina, que defendeu a iniciativa argumentando que a intenção era corrigir limitações técnicas da época e oferecer uma nova experiência sonora aos ouvintes.

Cesar Camargo Mariano é ex-marido e pai de dois dos três filhos de Elis Regina: Pedro Mariano e Maria Rita. João Marcello Bôscoli, por sua vez, é filho de Elis com o compositor Ronaldo Bôscoli.

Até o momento, a Universal Music Brasil declarou não ter recebido formalmente a notificação, embora a equipe jurídica de Mariano confirme o envio do documento por correio na última quarta-feira, 8. O objetivo da defesa é buscar um acordo que evite a judicialização do caso, preservando a integridade da obra original de 1973.

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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