Museu Casa NUA e Formosa Hi-Fi apresentam primeira exposição da América Latina dedicada à arte digital contemporânea CC0
A iniciativa “Domínio Público” reúne obras sob licença Creative Commons Zero (CC0), com propriedade intelectual livre e sem restrições de uso, reprodução ou comercialização
Giovana Laurelli (@gii_laurelli)
A Casa NUA, primeiro e único museu permanente de arte descentralizada do Sul global, apresenta Domínio Público, primeira exposição dedicada exclusivamente à arte digital contemporânea Creative Commons Zero (em domínio público) da América Latina. A curadoria inaugural fica em cartaz até 24 de abril, com entrada gratuita, de quarta-feira a sábado, das 10h às 17h, na passagem subterrânea da rua Xavier de Toledo.
Criada em parceria com a Formosa Hi-Fi, a mostra reúne 30 obras inéditas comissionadas a artistas de todos os continentes. Os criadores foram convidados a oferecer sua interpretação livre sobre a palavra “Formosa” em relação ao movimento “cloud-to-land”: iniciativas que partem da web para desdobramentos na vida real, consolidando-se como bens públicos.
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A Domínio Público tem como objetivo promover valorização, liberdade e acesso à arte sem intermediários, princípios inaugurados pelo museu digital, na Bela Vista, em São Paulo. Pela primeira vez no Brasil, uma exposição é inteiramente dedicada a obras contemporâneas sob licença Creative Commons Zero (CC0), isto é, em domínio público, sem qualquer restrição de uso, reprodução ou comercialização. Diferentemente do modelo convencional de galerias e museus, qualquer visitante pode fotografar, baixar, reproduzir, reimaginar e se apropriar livremente de todas as obras expostas, em qualidade máxima, até mesmo para uso comercial ou publicitário.
Idealizada pelo fundador da Casa NUA Hugo Faz, que também assina sua curadoria renovada a cada três semanas, a mostra ocupa a passagem sob o Viaduto do Chá (Rua Coronel Xavier de Toledo), junto à Formosa Hi-Fi e em frente ao Theatro Municipal de São Paulo.
A Galeria Formosa foi projetada por Mário de Andrade, e se chegou a ser o espaço onde Elis Regina ensaiou “Falso Brilhante“, em 1975 antes de se tornar a Formosa Hi-Fi em 2025. Criada por Facundo Guerra, Alê Youssef e Ale Natacci, a iniciativa restaurou a galeria como um templo acústico para o vinil, com qualidade sonora à altura das grandes salas de concerto, mas com alma de cultura popular.
O projeto Domínio Público foi realizado, da instalação das telas à operação cotidiana, com investimento viabilizado inteiramente por financiamento descentralizado via blockchain, sem patrocínio corporativo ou verba pública. “A razão de existir da Domínio Público é enfrentar a concentração de poder nas indústrias criativas. Ao tirar o controle das mãos de intermediários e abrir completamente o acesso às obras, a gente propõe uma mudança radical na relação entre criação, propriedade e circulação”, explica Faz. “Criar a Domínio Público é bancar a briga para garantir um cenário no qual a gente não fique refém de sistemas arcaicos ou das grandes corporações.”
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A campanha de financiamento contou com duas frentes: a venda das 30 obras comissionadas e a emissão de um NFT-manifesto colaborativo. Criado pelos artistas Cebolander (São Paulo), Eric Pan (Taiwan/Berlim) e Hugo Faz (São Paulo), o NFT consiste em uma obra poética e sonora sobre bens públicos, CC0 e o movimento “nuvem-ao-chão”.
Em tiragem limitada, foram vendidas 257 cópias do NFT em 24 horas, completando a campanha de captação na própria venda antecipada. Qualquer pessoa que possua o NFT poderá votar em propostas curatoriais para a exposição Domínia Público acessando a plataforma 6529.io, que representa a iniciativa da galeria. O vídeo do NFT-manifesto “Formosa, 6529” por Hugo Faz, Eric Pan e Cebolander, pode ser assistido no vimeo, com áudio e legendas em português ou inglês.
Equipada com 27 telas estado-da-arte para exibição de obras digitais, incluindo painéis de mais de dois metros e resolução 8K, Domínio Público é a maior exposição no Brasil de acervos de arte originalmente digital. Na abertura, as obras são reveladas ao público e aos colecionadores, que as adquiriram às cegas, sem saber qual artista e qual obra estavam adquirindo. A exposição conta com 33 artistas participantes: 0xCuttlefish, 1xharsh, 6529er, Ana Novo, Apocalypse, Arsonic, Articulate, Baiwei, Brynn Alise, Cadmonkey, Cebolander, Eric Pan, Garry B1rd, GART3, Gul Yildiz, G9ralt, Het Patel, Hugo Faz, Intrepid, Kubti, Mr Richi, Naime Pakniyat, NLV, Nuclear Samurai, Pobedeen, Rakesh Pulapa, PePe SB, Rocketgirl, Sariraa, Simone Monte, Skitchism, Teexels e Zigmarillion.
Domínio Público l Arte Contemporânea em Creative Commons Zero
Exposição inaugural: até 24 de abril de 2026
Funcionamento regular: De quarta-feira a sábado, das 10h às 17h
Local: Formosa Hi-Fi (subsolo do Viaduto do Chá com entrada pela escadaria em frente ao Shopping Light), Centro Histórico de São Paulo – SP
Entrada gratuita com reserva de ingressos no site
*a galeria estará fechada excepcionalmente nos dias 10 e 11/4