POLÊMICA

Chefão de Hollywood diz que IA pode melhorar a experiência do público no cinema

Em painel na CinemaCon, Charles Rivkin defende uso responsável da tecnologia, enquanto setor de exibição critica possível fusão entre estúdios e teme impactos no mercado

Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)

Chefão de Hollywood afirma que IA pode melhorar a experiência do público no cinema (David Becker Getty Images for CinemaCon)

O debate sobre o impacto da inteligência artificial em Hollywood ganhou novos contornos durante a CinemaCon, com Charles Rivkin defendendo que a tecnologia pode fortalecer, e não substituir, o trabalho criativo. Presidente da Motion Picture Association (MPA) — associação comercial estadunidense que representa os cinco maiores estúdios de cinema de Hollywood —, Rivkin adotou um tom equilibrado ao reconhecer os riscos da IA, mas também destacar seu potencial para transformar a forma como histórias são contadas e consumidas.

Entramos na era da IA”, afirmou o executivo. Segundo ele, a indústria não deve ignorar os perigos, mas tampouco descartar as possibilidades. Rivkin comparou o momento atual a outras revoluções tecnológicas enfrentadas pelo cinema ao longo da história, defendendo que a inovação sempre fez parte do DNA do setor. Para ele, a inteligência artificial pode “melhorar a experiência do público” e abrir espaço para novos formatos narrativos, desde que utilizada de maneira responsável.

As declarações acontecem em meio a um cenário de tensão em Hollywood, onde a IA segue sendo um tema sensível desde as greves de roteiristas e atores em 2023. Há receios de que a tecnologia leve à redução de empregos e barateie a produção de filmes, alterando profundamente a dinâmica da indústria. Ao mesmo tempo, grandes estúdios ainda não chegaram a um consenso sobre como implementar essas ferramentas, especialmente diante de disputas legais envolvendo direitos autorais e uso indevido de propriedades intelectuais.

Rivkin reforçou que, independentemente das mudanças trazidas pela IA, a proteção de direitos autorais continuará sendo central para o setor. Segundo ele, a defesa da propriedade intelectual é essencial para garantir a liberdade criativa e a sustentabilidade econômica da indústria. O executivo também citou uma recente vitória da MPA contra a Meta, que recuou no uso da classificação “PG-13” em suas plataformas após questionamentos sobre possível violação.

Enquanto isso, o evento também abriu espaço para críticas à possível fusão entre Warner Bros. e Paramount. Michael O’Leary, representante do setor exibidor, alertou que a concentração de poder nas mãos de poucos estúdios pode reduzir o número de filmes lançados nos cinemas e impactar diretamente o público e as salas de exibição. Para ele, a história mostra que grandes consolidações tendem a diminuir a diversidade de produções.

Fonte: Variety

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Angelo Cordeiro é repórter do núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo. Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas, escreve sobre filmes desde 2014. São-paulino, pisciano, paulistano do bairro de Interlagos e fanático por Fórmula 1, listas e rankings.
TAGS: Charles Rivkin, Hollywood, IA, inteligência artificial, MPA