Trump e seus comparsas festejam enquanto o mundo está em chamas
O presidente dos EUA organizou um torneio de golfe em seu clube particular no fim de semana, enquanto o Secretário de Estado Marco Rubio tocava como DJ em um casamento
ROLLING STONE EUA
Os Estados Unidos estão em guerra. Os preços da gasolina estão subindo para mais de US$ 5 (o equivalente a quase R$ 25 na cotação atual do dólar) por galão em grande parte do país. O aparato político do país está repleto de divisões, disputas internas e caos burocrático que ameaçam perturbar ainda mais 250 anos de precedentes históricos.
Mas olha só o Marco Rubio ali, se divertindo muito. DJ num casamento! Que momento fofo.
MOMENTS AGO, BEHIND THE SCENES—Our Great Secretary of State @MarcoRubio DJ’s weddings too! Here he is in action tonight at a family wedding…
Let’s goooooo!!!🎶🎼🎵 pic.twitter.com/P8o79iwmZG
— Dan Scavino Jr.🇺🇸🦅 (@DanScavino) May 3, 2026
O Secretário de Estado foi fotografado neste fim de semana atrás da mesa de som em um casamento de família, tocando “Feel So Close” de Calvin Harris e outros sucessos para uma multidão animada, que vibrava a cada batida. “Vamos lá!!!”, escreveu Dan Scavino, Vice-chefe de Gabinete da Casa Branca, no Facebook.
É um contraste gritante com a atual situação geopolítica que Rubio supostamente supervisiona. Mas, ei, ele está apenas seguindo as ordens de seu comandante. Enquanto JD Vance se esforçava em negociações para encerrar a guerra com o Irã no mês passado, que, no fim das contas, fracassaram, o presidente Donald Trump assistia a uma luta do UFC. Neste fim de semana, ele estava sediando um evento em seu luxuoso clube de golfe Doral, na Flórida, onde, como a Casa Branca fez questão de ressaltar, ele atendeu a um telefonema.
Always working https://t.co/UrOuCMry3X pic.twitter.com/VGvpwmLUl3
— Rapid Response 47 (@RapidResponse47) May 3, 2026
É obviamente difícil ver líderes políticos festejando enquanto a ordem mundial desmorona. Mas eles são apenas humanos – mesmo as pessoas com os cargos mais importantes do mundo têm compromissos familiares e merecem a oportunidade de relaxar. No entanto, existe uma tensão entre a compreensão que demonstramos a essas figuras e a grave importância de seus papéis.
Ser eleito presidente — ou nomeado Secretário de Estado — é, para dizer o mínimo, uma grande responsabilidade. Durante quatro anos, eles estão essencialmente sempre de plantão. As necessidades do país devem vir em primeiro lugar e, de certa forma, eles devem cuidar pessoalmente de todas elas. É por isso que, historicamente, tendemos a julgar duramente os presidentes por tirarem um tempo de folga.
É o momento escolhido, em última análise, que determina como essas imagens serão recebidas pelo público. Marco Rubio não vai trabalhar incansavelmente para encontrar uma solução para a crise no Irã, mas a evidente falta de urgência que tanto Trump quanto seu governo parecem demonstrar sugere que talvez nem se importem em pôr fim à guerra, por mais desastrosa que ela seja para a economia do país.
Essa postura certamente é um presente para seus rivais políticos, mas também indica à população estadunidense quem Trump e seus subordinados realmente representam. Não é você, que trabalha das 9h às 17h ou faz um turno da noite no hospital. A maioria de nós — pessoas com empregos comuns — não consegue evitar um certo ressentimento ao ver o presidente no campo de golfe ou políticos de alto escalão dançando ao som de Calvin Harris. Mas e as outras pessoas no campo de golfe? A outra classe de pessoas que pode se dar ao luxo de tirar férias, de dirigir seus barcos, caminhonetes e carrinhos de golfe por prazer quando o galão de gasolina está acima de 5 dólares? Não estamos falando da classe média alta aqui. Estamos falando daqueles que provavelmente nem sabem o preço da gasolina, porque não abastecem seus próprios carros há anos. Esse é o eleitorado de Trump. É em nome deles que Rubio está negociando. É a essas pessoas que eles servem. E elas estão felizes em jogar mais uma partida.
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