Neste domingo, atrações do hip-hop atraíram muito mais gente que os roqueiros do Queens of the Stone Age e do Nine Inch Nails
Bruna Veloso, da Filadélfia Publicado em 02/09/2013, às 09h49 - Atualizado às 10h10
Depois de aparecer como um dos destaques do Video Music Awards, Macklemore & Ryan Lewis foram recebidos por um público fervoroso no Benjamin Franklin Parkway, na Filadélfia, onde aconteceu o festival Budweiser Made in America.
Com refrãos pegajosos e bases pop, orquestradas por Lewis, é fácil gostar de Macklemore. Há quem diga que é hip-hop para quem não é habituado ao gênero (algo que costuma irritar o rapper) – o que é parcialmente verdade, já que a embalagem radiofônica atinge um grande público.
Mas quem é fã de rap também aprecia Macklemore. Em um festival em que nomes do hip-hop foram destaque e atraíram grandes multidões (2 Chainz, Kendrick Lamar e Wiz Khalifa entre eles), o artista nascido em Seattle, que se apresentou no palco secundário do evento, versou para um público dançante e animado.
Ao vivo, Lewis se encarrega de comandar as pick-ups e de incitar a interação com o público, mas há ainda o reforço de um trompetista e um trombonista, que ajudam no inconfundível hit “Thrift Shop”. Dançarinas também subiram ao palco durante a música.
Os shows do Liberty Stage foram curtos, com cerca de 40 minutos, e a maioria dos artistas fez o que pôde para encaixar o maior número possível de músicas nesse período. Macklemore não se preocupou com isso: depois de aparecer com uma camisa do time de beisebol Phillies (ele é fã do esporte), elogiou a cidade, o famoso sanduíche de carne e queijo local e a arquitetura. Nenhuma música foi emendada a outra – em todos os intervalos, ele aproveitava para discursar e falar com o público, como fez antes de “Same Love”, canção anti-homofobia apresentada ao vivo no último VMAs.
Macklemore, que segue os 12 passos dos Alcoólicos Anônimos, ganhou notoriedade justamente por ter uma postura diferente no mundo do hip-hop – além de “Same Love”, há outras músicas com uma mensagem mais positiva. “Otherside” e “Starting Over” (ambas infelizmente não mostradas no show) falam sobre o vício, enquanto “Wing$” (essa sim, ouvida pela plateia da Filadélfia) versa contra o consumismo. Embora faça parte do que o levou a fazer sucesso, a necessidade de discursar o tempo todo é um tanto anticlimática, ainda mais em um evento com um tempo de apresentação tão curto. Deu pra perceber isso quando uma ou outra pessoa gritava “fique quieto e cante!”. Mas, no final, todo mundo deixou a crítica de lado para dançar ao som de “Can’t Hold Us”.
Logo depois do set de Macklemore, foi a vez do Queens of the Stone Age tomar o Rocky Stage, o palco principal do Made in America. Foi curioso perceber que não houve uma migração significativa para ver Josh Homme e cia. – era possível caminhar com facilidade, enquanto que durante a apresentação de Kendrick Lamar, que havia tocado horas antes, assim como nos sets de Macklemore e Wiz Khalifa, era difícil encontrar um ponto vazio. No segundo e último dia do Budweiser Made in America, o movimento foi diferente do que costumamos ver em festivais brasileiros, em que as últimas atrações são quase sempre as mais esperadas. O show do Nine Inch Nails, por exemplo, que fechou o festival, foi o menos populoso do palco principal neste domingo.
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