“Black Skinhead”
O hino que anunciou que Yeezus não era uma mera experimentação ególatra de Kanye West (ou será que é?) é uma colaboração com o Daft Punk – o rapper faz um discurso raivoso por cima de uma batida industrial com ocasionais gritos de Tarzan. Tão perturbadora quanto fascinante.
“Queenie Eye”
Paul McCartney retorna com esta linda canção capaz de trazer de volta os inevitáveis e inconfundíveis ecos dos Beatles. Mas há uma aura maravilhosa de leveza, novidade e juventude, atualizando a imaculada fórmula de composição do mestre sem que ele soe vazio ou ultrapassado.
“If I Had a Tail”
Parece a trilha sonora de uma imperdível festa de arromba promovida por Josh Homme e cia. E, ao mesmo tempo que a faixa soa pesada e densa, tanto pela temática quanto pelo instrumental arrastado, ainda consegue ser altamente sexy e provocativa.
“Do I Wanna Know”
A faixa de abertura e ponto mais alto de AM, quinto álbum dos rapazes de Sheffield, traz um groove agressivo monstruoso enquanto Alex Turner relata de modo embriagado uma aventura amorosa de fim de noite. Arrastada e sedutora, a voz dele faz a ideia do desejo soar quase como tortura.
“Jubilee Street”
A bateria calma e o naipe de cordas não amenizam em nada a letra protagonizada por uma prostituta sem passado. Trinta anos se foram, mas Nick Cave & the Bad Seeds continuam a surpreender ao musicar crônicas que colocam sordidez e redenção lado a lado.
“God Is Dead?”
O primeiro single do retorno dos inventores do heavy metal tem letra inspirada na obra de Friedrich Nietzsche. Mas Ozzy Osbourne, com o indefectível timbre inspirado, deixa de lado as discussões filosóficas e nos remete ao clima de pesadelo que só o Black Sabbath sabe realizar.
“The Stars (Are Out Tonight)”
David Bowie não é nenhum novato em viagens siderais musicais. Na canção-chave do notável The Next Day, o eterno alter ego do Major Tom continua a nos alertar de que as estrelas continuam lá fora – apenas para nos inspirar.
“Reflektor”
Esta declaração de guerra de sete minutos é nominalmente sobre a alienação da era digital, mas, com a produção de James Murphy (guru do LCD Soundsystem) e uma aparição especial bem disfarçada do mito David Bowie, a faixa acaba sendo uma celebração à alegria comunal de sacudir em uma pista de dança.
“Royals”
Não soava como o tipo de música que pudesse dominar as paradas pop – só uma jovem cantora cool e de voz firme. Só que “Royals” chamou a atenção por ser irresistivelmente radical: é o som de uma adolescente apaixonada pelo hip-hop (mas não por seu materialismo) decidindo ser a rainha de sua própria cena.
“Get Lucky”
O que mais se poderia querer do hit do ano? Os robôs franceses produziram um groove disco para as novas gerações, pegando um pouco de soul espacial de Pharrell e um toque “le freak” do deus da guitarra do Chic, Nile Rodgers, que basicamente inventou esse gênero. “Get Lucky” soa vintage e futurista ao mesmo tempo, mas é o tipo de música pop com o qual todo mundo pode se identificar. Rodgers e Pharrell provaram que são os amuletos indispensáveis das músicas de verão – ambos estão acostumados a papéis de apoio, mas aqui soam energizados pelos holofotes. E o Daft Punk atinge em cheio a emoção pop que persegue há 15 anos: geraram uma música irresistível e uma carta de amor àquela sensação de sorte que todos sentem quando o globo espelhado acima da pista começa a girar.