DECLARAÇÃO

Antonio Banderas relembra preconceito em Hollywood: ‘Disseram que eu só faria vilões’

Ator espanhol afirma que executivos o limitaram a estereótipos no início da carreira nos EUA

Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)

Antonio Banderas relembra preconceito em Hollywood 'Disseram que eu só faria vilões' (Carlos Alvarez/Getty Images)

O ator Antonio Banderas (Dor e Glória) relembrou os obstáculos que enfrentou ao chegar a Hollywood no início dos anos 1990. Em entrevista recente, o astro revelou que executivos da indústria afirmaram que ele só teria espaço interpretando vilões — uma limitação baseada em estereótipos étnicos.

Disseram: você está aqui, como os negros e os hispânicos, para fazer os caras maus”, contou o ator. Na época, Banderas acreditava que o mercado americano era praticamente “proibido para espanhóis”, percepção que acabou sendo reforçada ao longo de seus primeiros contatos na indústria.

Apesar disso, o ator conseguiu subverter essa expectativa ao longo dos anos. Um dos exemplos citados por ele é sua atuação em A Máscara do Zorro (1998), no qual interpretou o herói mascarado — enquanto o vilão era um personagem loiro e de olhos azuis. Outro marco foi dar voz ao Gato de Botas na franquia Shrek, personagem carismático que ajudou a apresentar um herói com sotaque espanhol para o público infantil.

Antes de conquistar espaço em Hollywood, Banderas construiu sua carreira no cinema europeu, especialmente em parceria com o diretor Pedro Almodóvar (Tudo Sobre Minha Mãe), com quem trabalhou em diversos filmes desde sua estreia em Labirinto de Paixões (1982). Sua transição para os Estados Unidos começou com Os Reis do Mambo (1992), abrindo caminho para uma série de sucessos como Filadélfia, Entrevista com o Vampiro e Evita.

O ator também destacou as dificuldades iniciais com o idioma. “Eu não falava inglês, mas pouco a pouco construí minha carreira”, disse. Segundo ele, sua vida pessoal também teve impacto nesse processo, especialmente durante o casamento com a atriz Melanie Griffith, que ajudou a diminuir suas inseguranças.

Anos depois, um infarto sofrido em 2017 mudou completamente sua perspectiva. “Achei que ia morrer. Isso me fez entender a vida de uma forma mais profunda”, afirmou. A experiência o levou a reavaliar prioridades, focando mais em família, amigos e no sentido original que o levou à atuação.

Hoje, Banderas vive em sua cidade natal, Málaga, na Espanha, onde investe em projetos culturais, como o Teatro del Soho, espaço voltado para produções teatrais. Para o ator, o retorno às origens representa uma reconexão com sua essência artística. “Nunca fui tão feliz. Isso me mantém próximo das minhas raízes, do meu bairro, das minhas pessoas”, concluiu.

Fonte: EW

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Angelo Cordeiro é repórter do núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo. Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas, escreve sobre filmes desde 2014. São-paulino, pisciano, paulistano do bairro de Interlagos e fanático por Fórmula 1, listas e rankings.
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