Atriz comenta ausência de Greta e Margot no Oscar e afirma que 'Barbie' 'abriu precedente deliciosamente perigoso'
A atriz e roteirista Veronica Debom comentou sobre a lista de indicados ao Oscar e criticou a Academia por ignorar Greta Gerwig e Margot Robbie
Heloísa Lisboa (@helocoptero)
Publicado em 12/02/2024, às 09h00
O Oscar chegou à 96ª edição sob críticas pertinentes, como a falta de equidade nas indicações. Outra grande polêmica que envolve a premiação é que Greta Gerwig e Margot Robbie não foram indicadas nas categorias de Melhor Direção e Melhor Atriz, respectivamente, embora Barbie tenha garantido oito nomeações.
A atriz e roteirista Veronica Debom opiniou sobre as escolhas do Oscar e destacou como a Academia permanece voltando a atenção para homens. "O filme tem inúmeras indicações, só não sobrou estatueta para as duas mulheres diretamente responsáveis por fazê- lo existir", disse Debom em comentário exclusivo enviado à Rolling Stone Brasil.
Debom também discordou das críticas que rotulam Barbie como um filme comercial e afirmou que o cinema "já está intrinsecamente ligado à propaganda e ao mercado".
Vi algumas pessoas falando nas redes que Barbie é um filme comercial com o nome de uma marca e por isso não dá para ser levado a sério a ponto de colocá-lo para concorrer a Melhor Direção. Disseram até que abre um precedente perigoso justamente por causa dessa junção da propaganda de um produto com o cinema. Discordo. Primeiro que o cinema, igual a tudo no capitalismo, já está intrinsecamente ligado à propaganda e ao mercado. Segundo, se fosse essa a preocupação da Academia, Barbie não estaria concorrendo a Melhor Filme, a categoria mais importante do prêmio. Não tinha como deixar de fora o fenômeno de bilheteria que Barbie foi. O filme tem inúmeras indicações, só não sobrou estatueta para as duas mulheres diretamente responsáveis por fazê- lo existir.
A atriz despontou na cena teatral carioca com a peça O Abacaxi e foi indicada ao Emmy pela produção Diário de um Confinado, da Globo. Foi a primeira roteirista a abraçar o projeto do filme Minha Irmã e Eu, protagonizado por Ingrid Guimarães e Tatá Werneck, no qual também participa como atriz. Para ela, o sucesso de Barbie "abriu um precedente deliciosamente perigoso: criticou o patriarcado e ridicularizou homens no mainstream".
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Quem defende a idoneidade da academia nessa decisão são normalmente os homens, que parecem não terem entendido — ou terem se doído com — o significado do filme aparentemente bobo. Nós, mulheres, já sabemos que com ou sem nome de marca, Barbie já abriu um precedente deliciosamente perigoso: criticou o patriarcado e ridicularizou homens no mainstream. Não precisamos que um bonequinho dourado nos diga a relevância do trabalho da Greta e Margot. Sabemos, entendemos, daí a bilheteria. Para completar a festa de carecas brancas, claro que Ryan Gosling (um representante masculino com cabelo invejável que está interpretando, olha só, um boneco) está indicado a Melhor Ator Coadjuvante. Até o próprio achou uma piada. Desde 2020, o Oscar faz campanha dizendo que está mirando na diversidade, mas ainda é visível que a maioria esmagadora das cadeiras são ocupadas por — Ken adivinha? — homens, brancos, cis e héteros. Então, não é dessa vez que Greta leva seu merecido Oscar. Olhando as indicações você consegue sentir a kenergia da academia? I Ken.
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