Béla Tarr, cineasta húngaro de ‘Satantango’ e ‘O Cavalo de Turim’, morre aos 70 anos
Cineasta marcou o cinema de autor com obras radicais e sombrias, como Satantango, épico de mais de sete horas sobre o colapso do comunismo no Leste Europeu
Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)
O cineasta húngaro Béla Tarr, uma das figuras mais influentes e reverenciadas do cinema de autor europeu, morreu nesta terça-feira, 6 de janeiro, aos 70 anos. A informação foi divulgada pela agência húngara MTI, por meio do realizador Bence Fliegauf, que falou em nome da família. Tarr enfrentava uma doença prolongada.
Reconhecido mundialmente por uma obra radical, austera e profundamente pessimista, Béla Tarr tornou-se um nome de culto a partir de filmes que desafiaram convenções narrativas e formais do cinema tradicional. Seu trabalho é marcado por longos planos-sequência, ritmo deliberadamente lento, fotografia em preto e branco e uma visão desencantada da sociedade, frequentemente associada ao colapso moral, político e espiritual do Leste Europeu no pós-comunismo.
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Seu título mais célebre é Satantango (1994), adaptação do romance homônimo do escritor húngaro László Krasznahorkai, colaborador fundamental em sua filmografia. Com mais de sete horas de duração, o filme tornou-se um marco do cinema contemporâneo ao retratar, de forma implacável, a estagnação, a miséria e a desilusão de uma comunidade rural após o fim das promessas do socialismo. A parceria entre Tarr e Krasznahorkai se estendeu a outros trabalhos essenciais, como Harmonias de Werckmeister (2000) e O Cavalo de Turim (2011).
Ao longo da carreira, Béla Tarr construiu uma filmografia relativamente curta, porém extremamente influente, que inclui títulos como Condenação (1988) e Almanac of Fall (1984). Seu cinema rejeitava o entretenimento fácil e exigia do espectador uma experiência quase física do tempo, da repetição e do esgotamento humano — características que o transformaram em referência para cineastas, críticos e cinéfilos ao redor do mundo.
Em 2011, após lançar O Cavalo de Turim, Tarr anunciou que não faria mais longas-metragens de ficção, afirmando que havia chegado ao limite do que desejava expressar como realizador. Desde então, passou a se dedicar ao ensino e à formação de novos cineastas, mantendo sua influência viva fora das salas de cinema.
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