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‘Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra’, nova ficção científica de Gore Verbinski, faz críticas à IA

Estrelado por Sam Rockwell, longa marca a volta do cineasta após quase uma década com críticas à desumanização de Hollywood

Giulia Cardoso (@agiuliacardoso)

'Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra', nova ficção científica de Gore Verbinski, faz críticas à IA
'Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra', nova ficção científica de Gore Verbinski, faz críticas à IA - Créditos: Jim Spellman/WireImage

Quase dez anos após seu último lançamento, o diretor Gore Verbinski, responsável pela trilogia original de Piratas do Caribe e pelo oscarizado Rango, voltou. Seu retorno triunfal acontece com Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra, uma mistura de ficção científica, ação e comédia que estreia em fevereiro de 2026.

O novo filme, protagonizado por Sam Rockwell (À Espera de um Milagre), centra-se em um “Homem do Futuro” que invade uma lanchonete em Los Angeles para alertar os clientes sobre uma superinteligência artificial maligna prestes a dominar o mundo. Para Verbinski, a premissa é uma extensão direta de suas frustrações reais com a tecnologia invadindo espaços criativos.

Em entrevista ao The Hollywood Reporter, o diretor foi contundente: “Por que a IA está me ajudando a escrever uma música ou contar uma história? Eu não quero que ela respire ou transe por mim; eu quero que ela cure o câncer. Por que ela está vindo atrás das coisas que essencialmente precisamos fazer para sermos seres humanos?”.

Ele descreve o vilão de seu novo filme não como uma ameaça fria tipo Skynet, mas como uma entidade carente e narcisista, reflexo dos piores atributos humanos inseridos em seu código.

A jornada para trazer Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra às telas foi tão caótica quanto sua trama. Verbinski revelou que o projeto, por ser uma ideia original e não uma franquia estabelecida, foi rejeitado por todos os grandes estúdios e perdeu financiamento independente três vezes.

A produção teve que ser criativa, chegando a reconstruir uma lanchonete icônica de Los Angeles na África do Sul para viabilizar os custos. Para o diretor, essa luta reflete um cenário trágico onde os estúdios se tornaram dependentes de algoritmos e avessos ao risco, deixando pouco espaço para a originalidade que não venha embalada como propriedade intelectual pré-existente.

Apesar dos desafios orçamentários, Verbinski garante que o filme mantém seu rigor visual característico, criticando a queda de qualidade nos efeitos visuais dos blockbusters atuais e reafirmando seu compromisso com uma “ópera psicótica” que usa o humor para tratar de temas urgentes como a desumanização tecnológica.

FONTE: THE HOLLYWOOD REPORTER

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Jornalista em formação pela Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, Giulia Cardoso começou em 2020 como voluntária em portais de cinema. Já foi estagiária na Perifacon e agora trabalha no núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo.
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