Criador explica por que mortes centrais tiveram que acontecer em ‘Peaky Blinders: O Homem Imortal’
Steven Knight detalha decisões radicais no filme que continua a série e diz que destino de Tommy Shelby “quebra todos os seus códigos”
Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)
Em Peaky Blinders: O Homem Imortal, filme que encerra a trajetória iniciada na TV, mortes impactantes marcam a jornada final de Tommy Shelby, interpretado por Cillian Murphy (Oppenheimer), e ajudam a redefinir o legado do protagonista. Segundo o criador Steven Knight, essas decisões não foram gratuitas. Pelo contrário: eram essenciais para fechar o arco de um personagem que sempre viveu entre a violência e a lealdade familiar — até ultrapassar seus próprios limites.
Logo no início do filme, Tommy aparece isolado, vivendo quase como um ermitão. A razão vai além do desgaste emocional acumulado: ele matou o próprio irmão, Arthur (vivido por Paul Anderson). “Este é um homem que passou a vida protegendo a família. Tudo o que ele fez, justificava como sendo pelo bem dela. Ao fazer isso, ele quebra todos os seus códigos”, explicou Knight.
A culpa transforma o personagem, que se afasta do mundo até ser forçado a retornar — mais uma vez por causa da família. A missão agora é salvar seu filho Duke, interpretado por Barry Keoghan (Saltburn). Esse chamado reacende o Tommy estratégico e implacável que o público conhece, mas o caminho até lá cobra um preço ainda mais alto.
Um dos momentos mais chocantes do filme é a morte de Ada, vivida por Sophie Rundle. Última irmã viva de Tommy, ela é assassinada de forma abrupta em plena rua — uma escolha narrativa que pegou os fãs de surpresa.
Knight revela que a decisão foi pensada para refletir a brutalidade da época. “A morte era assim. Uma bomba caía e você simplesmente desaparecia. Quis traduzir essa sensação”, disse. Ainda assim, Ada não desaparece completamente: ela retorna como uma espécie de visão espiritual, mantendo seu papel emocional na vida do irmão.
Descrita pelo criador como “uma força da natureza”, Ada representava o coração da família Shelby. Enquanto Polly (Helen McCrory) era o cérebro estratégico, Ada era o refúgio emocional de Tommy — a pessoa a quem ele recorria em momentos de vulnerabilidade.
O ciclo de violência e redenção se completa no ato final. Após vingar a irmã e salvar o filho, Tommy, já ferido, toma uma decisão definitiva: pede para Duke atirar nele. O filho obedece, encerrando a trajetória do personagem com um gesto que mistura tragédia e libertação. A escolha, segundo Knight, dá ao protagonista algo que ele buscou durante toda a série: paz.
Fonte: EW
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