Estreia de documentário de Melania Trump fracassa em Londres
Longa custou US$ 40 milhões à Amazon, mas venda de ingressos não vai bem
Gabriela Nangino (@gabinangino)
Melania, documentário polêmico sobre o cotidiano da Primeira Dama dos Estados Unidos nos 20 dias que antecederam a segunda posse do Presidente Donald Trump em 2025, não está passando por uma recepção calorosa em Londres. A estreia internacional do filme ocorre nesta sexta-feira, 30 de janeiro.
Segundo o The Guardian, até a noite de segunda-feira, 26, apenas um ingresso havia sido vendido para a primeira sessão na capital do Reino Unido, às 15h10. Dois ingressos foram vendidos para a sessão das 18h. Todas as 28 sessões programadas nos cinemas da Vue permanecem com ingressos disponíveis.
Em declarações ao jornal Telegraph, o CEO da Vue, Tim Richards, afirmou ter recebido inúmeros e-mails criticando sua rede de cinemas pela exibição do filme. “Independentemente da nossa opinião sobre o filme, se ele for aprovado pelo Conselho Britânico de Classificação de Filmes, nós o exibimos. Não atuamos como juízes e júri para censurar filmes”, disse.
O longa destaca os compromissos diplomáticos de Melania Trump, operações do Serviço Secreto, momentos pessoais e seu papel de conselheira na Casa Branca. O presidente Trump e a Primeira Dama irão comparecer na pré-estreia no Centro John F. Kennedy para as Artes Cênicas, nesta quinta, 29.
De acordo com a Variety, a expectativa é que Melania arrecade entre US$ 3 milhões e US$ 5 milhões em seu fim de semana de estreia nos EUA, exibido em 1.500 salas de cinema. Apesar do valor ser alto para um documentário (especialmente por não ser um filme-concerto), os números estão baixos em comparação ao custo para adquiri-lo.
Polêmicas por trás de Melania
Melania foi produzido por Marc Beckman, assessor de Melania Trump, e dirigida por Brett Ratner (A Hora do Rush), cineasta que estava afastado do ofício desde 2017 devido a múltiplas acusações de assédio e agressão sexual.
Dentre as seis mulheres que se manifestaram contra Ratner, estão as atrizes Olivia Munn (The Newsroom, X-Men: Apocalipse) — que o acusou de se masturbar na frente dela, quando visitou o set de um de seus filmes —, e Natasha Henstridge (Meu Vizinho Mafioso), que alegou que o diretor a forçou a fazer sexo oral.
O envolvimento da Amazon na promoção de Melania também foi alvo de críticas e levantou questionamentos sobre as motivações políticas da plataforma. Foram US$ 35 milhões investidos na campanha mundial de divulgação do longa, incluindo outdoors, anúncios em ônibus, comerciais de televisão e o domínio da Sphere, em Las Vegas.
A Amazon também pagou US$ 40 milhões à produtora de Melania pelos direitos do filme — um dos valores mais altos que o streaming já gastou em qualquer conteúdo e cerca de US$ 26 milhões a mais do que a Disney ofereceu.
“Este deve ser o documentário mais caro já feito sem envolver licenciamento de música”, comentou Ted Hope, que trabalhou na Amazon de 2015 a 2020 (via O Globo). “Como isso não pode ser interpretado como uma tentativa de obter favores ou um suborno descarado? Como pode não ser esse o caso?”
Este preço ainda inclui uma série documental subsequente focada em algumas prioridades da Primeira Dama, como o apoio a crianças em lares adotivos, com estreia prevista para o final de 2026.
Marc Beckman insiste que o documentário “não é um filme político”, tendo em vista que a própria primeira-dama dirigiu grande parte da visão criativa.
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