Fernanda Torres pode "vingar" derrota de Fernanda Montenegro no Oscar há 25 anos
Indicada ao prêmio por seu trabalho em Central do Brasil, a atriz perdeu a estatueta para Gwyneth Paltrow, de Shakespeare Apaixonado
Angelo Cordeiro (@oangelocinefilo)
Publicado em 01/03/2025, às 18h00 - Atualizado em 02/03/2025, às 15h00
O Brasil nunca esteve tão perto do Oscar quanto em 2025, com Ainda Estou Aqui, longa de Walter Salles (Central do Brasil), indicado em três categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz para Fernanda Torres (Tapas & Beijos), que deve vingar a derrota de sua mãe na edição de 1999 da maior premiação do cinema.
Há 25 anos, Fernanda Montenegro perdia o Oscar e o Brasil sofria sua derrota mais dolorosa
No passado, o Brasil chegou pertinho de levar a cobiçada estatueta de ouro, mas não a conseguiu. Em 1960, Orfeu Negro (1959), filmado no Brasil, com atores brasileiros e falado em português, conquistou o prêmio, mas a estatueta foi para a França. Em 1982, Pixote: A Lei do Mais Fraco (1980), de Héctor Babenco (1946-2016), foi desclassificado antes mesmo de ter a sua chance. Porém, foi em 1999 que o país sofreu a sua derrota mais dolorosa.
Naquele ano, o Brasil concorria pela quarta vez ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro por Central do Brasil, mas todos os olhos estavam voltados para um acontecimento ainda maior: Fernanda Montenegro havia sido indicada à categoria de Melhor Atriz por sua atuação no longa.
Em Central do Brasil, ela interpretou Dora, uma amargurada ex-professora, que ganha a vida escrevendo cartas para pessoas analfabetas e vê a sua vida mudar após uma de suas clientes morrer em um acidente de trânsito e ela precisar ajudar o filho dela, Josué (Vinícius de Oliveira, Unidade Básica), de nove anos de idade, a encontrar o pai que nunca conheceu.
Além de ser um sucesso nos cinemas brasileiros, o longa também ganhou o mundo. Descrita como uma produção "pequena, modesta, nada buscando ser enorme", Fernanda Montenegro revelou acreditar que o acaso acabou levando o longa a viajar pelo globo:
"Mas o acaso tem sempre a última palavra. Essa é uma frase básica da [escritora e filósofa] Simone de Beauvoir, e o acaso fez esse filme ir pelo mundo. E onde ele foi, ele foi bem recebido", disse em entrevista à Simone Zucolotto, pelo Canal Brasil, em abril de 2023.
Pelo trabalho, Fernanda Montenegro conquistou o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival Internacional de Berlim, além de ter sido indicada ao Globo de Ouro e ao Satellite Awards, entre muitos outros prêmios, antes de garantir uma vaga entre as indicadas a Melhor Atriz na 71ª edição do Oscar, que aconteceu em 21 de março de 1999.
Com a indicação, a atriz se tornou a primeira latino-americana, a primeira brasileira e a primeira atriz nomeada por uma atuação em língua portuguesa na história do Oscar. Infelizmente, mesmo com os feitos históricos, Fernanda Montenegro acabou perdendo a estatueta de ouro para Gwyneth Paltrow, por Shakespeare Apaixonado(1998).
Anos após a derrota, a atriz comentou que a falta de prêmios para o longa — que também não venceu a categoria de Melhor Filme Estrangeiro, hoje conhecida como Melhor Filme Internacional — não diminui a sua importância:
“Prêmios, às vezes, vêm. Às vezes, não. O momento daquele Oscar foi inesperado. E daí? O filme de Walter Salles continua sendo um ‘não Oscar’ maravilhoso. A vida continuou. A vida continua”, declarou à revista Veja.
Em outubro de 2023, mais de vinte anos após conquistar o Oscar de Melhor Atriz, Gwyneth Paltrow gerou revolta dos brasileiros ao afirmar que usa a estatueta como batente de porta e precisou desmentir a informação, dizendo que o seu comentário não passava de uma brincadeira.
Especial de cinema da Rolling Stone Brasil
O cinema é tema do novo especial impresso da Rolling Stone Brasil. Em uma revista dedicada aos amantes da sétima arte, entrevistamos Francis Ford Coppola, que chega aos 85 anos em meio ao lançamento de seu novo filme, Megalópolis, empreitada ousada e milionária financiada por ele próprio.
Inabalável diante das reações controversas à novidade, que demorou cerca de 40 anos para sair do papel, o cineasta defende a ousadia de ser criativo da indústria do cinema e abre, em bom português, a influência do Brasil em seu novo filme: “Alegria”.
O especial ainda traz conversas com Walter Salles, Fernanda Torres e Selton Mello sobre Ainda Estou Aqui, um bate-papo sobre trilhas sonoras com o maestro João Carlos Martins, uma lista exclusiva com os 100 melhores filmes da história (50 nacionais, 50 internacionais), outra lista com as 101 maiores trilhas da história do cinema, um esquenta para o Oscar 2025 e o radar de lançamentos de Globoplay, Globo Filmes, O2 Play e O2 Filmes para os próximos meses.
O especial de cinema da Rolling Stone Brasil já está nas bancas de jornal, mas também pode ser comprado na loja da editora Perfil por R$ 29,90. Confira:
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