Maria Ribeiro, a Sinhá Vitória de ‘Vidas Secas’, morre aos 102 anos
Ela morreu ao lado da filha, Wilma Lindomar da Silva, de netos e bisnetos
Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva)
Maria Ribeiro, atriz baiana que entrou para a história do cinema brasileiro ao interpretar Sinhá Vitória em Vidas Secas (1963), morreu aos 102 anos no último dia 29 de dezembro, em Genebra, na Suíça. A informação foi confirmada por familiares. Ela morreu ao lado da filha, Wilma Lindomar da Silva, de netos e bisnetos.
Além de Vidas Secas (1963), obra-prima de Nelson Pereira dos Santos baseada no livro de Graciliano Ramos, outros de seus trabalhos mais importantes são A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos; Os Herdeiros, de Carlos Diegues; O Amuleto de Ogum e A Terceira Margem do Rio, ambos de Nelson Pereira dos Santos; além de Perdida, de Carlos Alberto Prates Corrêa, Soledade, de Paulo Thiago, e O Segredo da Rosa, dirigido por Vanja Orico. Em A Terceira Margem do Rio, adaptação de contos de Guimarães Rosa, Maria interpretou a avó da menina Nhinhinha, personagem que encantou o público com sua delicadeza e mistério.
Já octogenária, Maria Ribeiro também participou de projetos que revisitaram sua trajetória, como a ficção As Tranças de Maria e o curta Como se Morre no Cinema, de Luelane Loiola Corrêa, no qual aparece ao lado de Nelson Pereira dos Santos relembrando uma das cenas mais duras de Vidas Secas: o momento em que Sinhá Vitória é obrigada a matar o papagaio da família para saciar a fome.
Em 2008, aos 85 anos, foi homenageada pelo Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Nos últimos anos de vida, viveu na Europa, principalmente na Suíça. Segundo o jornalista Luís Osete, Maria Ribeiro será enterrada no Cemitério Municipal de Carabanchel, em Madri, na Espanha.
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