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O recorde negativo que ‘Marty Supreme’ bateu no BAFTA 2026

Filme de Josh Safdie empata marca histórica de maior número de derrotas em uma única noite da premiação britânica

Kadu Soares (@soareskaa)

Timothée Chalamet se inspirou em girafas para atuar em 'Marty Supreme' (Divulgação)
Foto: Divulgação

Marty Mauser pode ter sido campeão de pingue-pongue, mas o filme sobre sua vida não conseguiu vencer uma única partida no BAFTA 2026. Marty Supreme (2026), comédia dramática esportiva de Josh Safdie estrelada por Timothée Chalamet, deixou a cerimônia britânica deste domingo, 22, com uma distinção que nenhuma produção deseja: empatou o recorde histórico de maior número de derrotas em uma única noite após perder todas as 11 categorias em que estava indicado. O resultado coloca o filme da A24 ao lado de Mulheres Apaixonadas (1969) e Em Busca da Terra do Nunca (2004) como os únicos títulos a ficarem completamente de mãos vazias com número tão expressivo de indicações.E que ironia: um filme sobre um jogador obcecado em não perder terminou perdendo tudo na noite que deveria consolidar seu momento rumo ao Oscar em março.

A entrada de Marty Supreme no BAFTA parecia promissora. Com 11 indicações cobrindo praticamente todos os departamentos técnicos e criativos, incluindo Melhor Filme, Diretor, Ator Principal (Timothée Chalamet), Atriz Coadjuvante (Odessa A’zion), Elenco, Roteiro Original, Design de Produção, Fotografia, Figurino, Edição e Maquiagem, a expectativa era de que converteria pelo menos algumas estatuetas, especialmente considerando que Chalamet havia vencido o Critics Choice Awards e o Globo de Ouro nas semanas anteriores. O maior choque da noite veio justamente em Melhor Ator, quando Chalamet perdeu para Robert Aramayo de Eu Juro (2025), drama de Kirk Jones sobre Síndrome de Tourette que surpreendeu absolutamente todos os analistas e apostadores.

Josh Safdie teve uma noite ainda mais brutal em termos pessoais: é o indivíduo mais indicado do ano, com quatro indicações abrangendo papéis como diretor, coprodutor, corroteirista e coeditor, e perdeu todas.

Uma noite sem vitórias e uma estatística recorde de derrotas não é o tipo de manchete que a campanha do Oscar quer ver na reta final. A votação final da Academia acontece entre 26 de fevereiro e 5 de março, apenas duas semanas após o desastre do BAFTA, e a percepção de momento importa enormemente em como os membros decidem preencher as cédulas. Marty Supreme tem nove indicações ao Oscar (perde apenas Atriz Coadjuvante e Maquiagem comparado ao BAFTA), mas agora carrega o estigma de ser o filme que “não consegue ganhar nada”, mesmo sendo amplamente reconhecido. A história oferece algum consolo, porém: Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (2022) conquistou apenas uma vitória no BAFTA do ano antes de varrer o Oscar com sete estatuetas, incluindo Melhor Filme. Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016) perdeu todas as quatro categorias em que estava indicado e ainda assim causou uma reviravolta histórica vencendo Melhor Filme no Oscar. O precedente existe, mas não é comum.

A questão agora é se Marty Supreme consegue recuperar a narrativa ou se o BAFTA sinalizou que o entusiasmo inicial esfriou. O filme tem vantagens: a A24 é um estúdio que sabe fazer campanha agressiva, Timothée Chalamet continua sendo uma das estrelas mais populares de sua geração, e tecnicamente a produção é impecável em praticamente todos os aspectos. Mas também enfrenta competição feroz de títulos como O Agente Secreto (2026), Pecadores (2025), O Brutalista (2024) e outros que estão performando melhor nas premiações precursoras. A cerimônia do Oscar acontece em 15 de março e você acompanha tudo na Rolling Stone Brasil.

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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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