MAIOR CINEMA A CÉU ABERTO DO MUNDO

Em sua 35ª edição, OpenAir Brasil reafirma compromisso com experiência diversificada e acessível

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Renato Byington, idealizador do evento, falou sobre o início do projeto e o que o levou a se tornar a maior experiência cinematográfica do país

Henrique Nascimento (@hc_nascimento)

Em sua 35ª edição, OpenAir Brasil reafirma compromisso com experiência diversificada e acessível (Divulgação/Fernando Souza)

O Cristo Redentor iluminado no topo do Morro do Corcovado, as luzes nas janelas dos edifícios, os sons distantes dos carros, o vaivém dos espectadores, as conversas, as risadas, os aplausos e até a chuva, quando ameaça — e apenas ameaça mesmo — estragar a festa, são parte da experiência OpenAir Brasil, que encerra a sua 35ª edição neste sábado (11), após reunir mais de um milhão de espectadores no Jckey Club Brasileiro, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro, para testemunhar uma das maiores experiências cinematográficas a céu aberto do mundo.

A ideia do OpenAir Brasil surgiu a quilômetros daqui, em Portugal. Na época, Renato Byington foi apresentado à ideia de uma tela de cinema gigante que, em meio a chocolates e relógios, fazia sucesso na Suíça. “Naquela época, ainda não tinha o Google, mas eu achei a pessoa na Suíça, que tinha a tela, e fiz a proposta de trazer o evento para o Brasil”, relembra em entrevista à Rolling Stone Brasil. “Eles não deram a mínima no começo. Imagina levar esse equipamento para a América Latina? [Mas] falaram: ‘Beleza, faz aí!'”.

Depois de trabalhar por bastante na Eupora, a ideia do empresário, que hoje atua como diretor da D+3 Produções, era focar na produção de um grande evento brasileiro e, para Byington, o OpenAir parecia uma aposta certeira: “Imediatamente, eu vi que o lance era foda. Falei: ‘Cara, isso aí vai ser foda no Brasil!’ Porque uma tela dessas, com um soms desses…“, conta, orgulhoso.

“A emoção de ver um filme nessas condições é tão impactante que, quando termina, não tem como você simplesmente entrar no carro e ir para casa. Você fica ali interagindo com as pessoas, conversando. Mesmo você tendo ido sozinho, você vê o filme em grupo, ao ar livre”, completa o empresário.

A história começou em 1998, em Lisboa, quando Byington conseguiu o contrato de representação, mas a primeira edição do OpenAir Brasil só veio acontecer quatro anos depois, em 2002, no Rio de Janeiro. E logo que desembarcou por aqui, o evento ganhou toques originais: à tela gigante, montada ao ar livre, e à vasta área de alimentação, que transformam a experiência em algo muito maior do que uma simples ida ao cinema, foram acrescidos shows, que funcionam como complemento aos filmes exibidos:

“Logo no começo, nos pensamos: ‘Imagina se tivesse um show depois? E se esse show conversasse com o filme, que barato seria essa experiência?’ Então, nós criamos esse casamento do cinema com os shows, tudo pensado pela equipe de programação”, explica Byington.

Desde o seu lançamento, o OpenAir Brasil recebeu apresentações de Sandra SáToni GarridoPepeu Gomes, Baby do Brasil e Nando Reis. Só nesta primeira edição de 2026, o evento recebeu nomes como Mart’nália, 2ZDinizz, Jéssica Gaspar e Catto.

Porém, para Byington, um dos casamentos mais marcantes entre o cinema e a música aconteceu na edição carioca de 2023, quando Buchecha se apresentou após a exibição de sua cinebiografia, Nosso Sonho: A História de Claudinho & Buchecha: “Foi apoteótico! A galera foi à loucura! As pessoas emocionadas, o Buchecha, a família dele… Todos emocionados, porque tinham acabado de assistir ao filme!”, relembra.

Para que o OpenAir Brasil fique de pé, é necessária uma preparação cuidadosa, que vai desde o acolhimento ao público, começando pelo acesso ao evento, que conta com ingressos de R$ 35 a R$ 100, em média, até os cuidados na participação, que pretende atender às necessidades de todos, incluindo pessoas com deficiência, utilizando-se de ferramentas específicas para cada caso, como tradução em libras, audiodescrição e outros meios.

Além disso, a própria programação do evento, que leva cerca de cinco meses para ser montada, busca trazer representatividade e diversidade às telas e ao palco do OpenAir Brasil: “O objetivo do evento é abranger peças públicas. Não só o cinema e a arte, mas reflexões. Não é mero entretenimento, embora esse seja o objetivo. É um quebra-cabeça para contemplar a arte, mas também comunicar alguma coisa, trazer uma mensagem, que potencialize a experiência das pessoas”, explica Sissi Abreu, responsável pelo trabalho.

“A base da programação do OpenAir é a diversidade: de gênero cinematográfico, de narrativa, de representatividade de elenco. Por isso, nós sempre tentamos ter um filme família, uma aventura, um de heróis, romances, a noite do cinema, como chamamos as noites dos clássicos. Cada sessão é pensada para funcionar integralmente”, acrescenta, esclarecendo que isso inclui os filmes, os shows e as ativações escolhidas para cada dia.

Além disso, cada edição do OpenAir Brasil precisa funcionar integralmente, atendendo a diversos públicos, para atingir o seu objetivo e continuar encantando, como vem fazendo há quase três décadas: “Nada é isolado, sabe? Os dias têm que se complementar de uma forma geral. Nós precisamos olhar para a programação e enxergar que ela é coesa e que as pessoas podem vir em vários dias. Tudo o que a gente escolhe é quase cirúrgico”, finaliza Sissi.

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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas, em São Paulo, Henrique Nascimento começou como estagiário na Veja São Paulo e passou por veículos como SBT, Exitoína, Yahoo! Brasil e UOL antes de se tornar coordenador do núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo.
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