Quando o Blues encontra o cinema. Meu Amigo Buddy Guy no Oscar
Aos 89 anos, a lenda viva do blues Buddy Guy lidera uma performance geracional no palco do Oscar, celebrando o impacto de Pecadores e a indicação em Melhor Canção Original
Marcelo Zaine
A noite do Oscar costuma ser lembrada por discursos emocionados, vestidos extravagantes e momentos históricos do cinema emoldurados pela mística do tapete vermelho. Dessa vez, em meio a tantas celebrações da sétima arte, teremos um momento especial que atravessa gerações e fará história através da arte primordial do ser humano: a música.
O cinema precisa da música para existir e poucas vezes essa correlação entre história e música original foi tão verdadeira e impactante como em Pecadores. Michael B. Jordan se apoiou no ritmo dos campos de algodão do inicio do seculo XX para contar uma história que se repete hoje em nosso dia a dia. Nós deixamos o mal entrar em nossas vidas e até o convidamos para entrar e se sentir em casa. Nada mais atual e visceral.
E assim também será a exibição de gala de meu amigo Buddy Guy que vai acontecer na transmissão do Oscar dia 15 de março.
Como a música é tema central na trama de Pecadores, Michael convidou o blues man, com tanto tempo de estrada quanto o próprio Oscar, Buddy Guy para interpretar a figura iconográfica, mítica e poderosa do Blues. Só Buddy poderia fazer isso.
Nascido em Lettsworth, Louisiana, com 70 anos de carreira, um dos pioneiros do Blues de Chicago, já recebeu 9 Grammys, 1 Grammy award Life Achievement; 37 Blues Music Awards; Billboard Magazine Century Award for distinguished artistic achievement; Kennedy Center Honor e The Presidential National Medal of Arts. A Revista Rolling Stone o ranqueou como 23º entre os “100 maiores guitarristas de todos os tempos”.

Nessa noite do Oscar, os maiores músicos do mundo estarão aguardando a performance daquele que inspirou gerações de talentos, desde Jimy Hendrix, Eric Clapton, Keith Richards, Jimmy Page, Stevie Ray Vaughan, Jeff Beck, Derek Truckse que ajudou a formar novas gerações como Gary Clark Junior, John Mayer, Quinn Sullivan, Kingfish Ingran, Jonny Lang entre muitos outros.
Uma Frase que Buddy não cansa de repetir é: “Whatever it takes to help the blues to stay alive, my arms are wide open.” (“Qualquer coisa que possa ajudar a manter o blues vivo. meus braços estão sempre abertos.”)
Ao ser convidado para participar do filme Pecadores, que obteve o recorde de 16 indicações ao Oscar, não se contradisse. Imediatamente abraçou o projeto cujo script em grande parte se confunde com sua própria história.
O filme Pecadores colocou o Blues e a cultura negra como assunto central da cerimônia desse domingo. Será uma celebração com a recriação da cena icônica do filme, onde ouvimos “I Lied to you”, indicada para melhor canção original. Será um dos pontos altos da 98ª edição da premiação.
A performance ao vivo de Buddy Guy, Eric Galles, Christone “Kingfish” Ingram, Boby Rush,Rhahel Saadiq e Miles Caton que interpretou o jovem Sam no filme, entre outros, servirá como um tributo cinematográfico trazendo múltiplas gerações do Blues e suas raízes com 500 milhões de pessoas assistindo ao vivo no mundo inteiro.
Meu palpite que o Oscar de melhor ator para Michael B. Jordan está garantido. Além, claro, do Oscar de Melhor Canção Original para Pecadores.
Em seguida Buddy, como todo blues man, retoma sua rotina com uma turnê mundial que inclui uma viagem até a Austrália para o Byron Bay Blues Fest. Em breve, Buddy vai completar 90 anos comemorando em dezenas de datas já programadas e levando na pratica o seu pacto de artista com a sua arte: Damn right, I’ve got the blues.
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