Quem ganha e quem deveria ganhar o Oscar 2026, segundo a Rolling Stone Brasil
Confira as previsões finais para a 98ª edição do prêmio, que acontece neste domingo (15)
Henrique Nascimento (@hc_nascimento)
Com o Brasil disputando em cinco categorias, a 98ª cerimônia de premiação do Oscar acontece neste domingo, dia 15 de março, no lendário Dolby Theatre, em Los Angeles, na Califórnia (EUA).
Após o sucesso de Ainda Estou Aqui em 2025, quando o Brasil conquistou a sua primeiríssima estatueta de ouro, o país retorna à maior premiação do cinema com O Agente Secreto, estrelado por Wagner Moura (Praia do Futuro), indicado em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Ator para Wagner Moura, Melhor Filme Internacional e a inédita Melhor Direção de Elenco.
Além das chances do novo longa de Kleber Mendonça Filho (Bacurau), o Brasil ainda aparece no Oscar 2026 na categoria de Melhor Fotografia pelo trabalho do brasileiro Adolpho Veloso em Sonhos de Trem, novidade da Netflix. Mas quem irá sair com as cobiçadas estatuetas de ouro da maior premiação do cinema? Confira as previsões de Rolling Stone Brasil a seguir:
MELHOR FILME
- QUEM GANHA: Uma Batalha Após a Outra
- QUEM DEVERIA GANHAR: O Agente Secreto
Apesar de ameaçado por Pecadores, longa de Ryan Coogler (Pantera Negra: Wakanda Para Sempre), que ganhou novo fôlego nos últimos meses e despontou como favorito à categoria principal do Oscar, Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson (Licorice Pizza), teve uma excelente jornada pela temporada de premiações, que deve terminar com a consagração na maior premiação do cinema. E a vitória é justa: bem executado, com atuações excelentes, e mesclando perfeitamente drama, humor e ação, Uma Batalha Após a Outra é entretenimento dos bons, fácil de agradar.
Porém, se olharmos não só para Uma Batalha Após a Outra e Pecadores, mas para todos os indicados à categoria principal do Oscar — confira a lista completa clicando aqui —, são poucos os que estão fora da curva do que Hollywood nos oferece e é capaz de nos oferecer ano após ano. Considerando isso, O Agente Secreto é o grande destaque entre eles.
O longa de Kleber Mendonça Filho não é algo que encontramos com frequência. E isso não se limita ao cinema brasileiro: é uma produção cinematográfica como poucas. Assistir a O Agente Secreto não é apenas acompanhar o desenrolar da história de Armando, que foge para Recife, em meio à represessão militar do fim da década de 1970, para ter um futuro melhor com o filho; isso seria limitante demais.
Na verdade, o filme é uma apresentação do Brasil — e não o “Brazil” para os gringos, mas um Brasil de verdade — para o mundo, em um noir ao estilo pernambucano delicioso de assistir. E nem estamos sendo clubistas: não foi à toa que o longa conquistou críticos mundo afora, atualmente ostentando 98% de aprovação no agregador de críticas Rotten Tomatoes, além de ser favorito à categoria de Melhor Filme para veículos internacionais como The Guardian e IndieWire. Por aqui, torcemos para nos surpreender positivamente.
MELHOR ATOR
- QUEM GANHA: Timothée Chalamet, por Marty Supreme
- QUEM DEVERIA GANHAR: Wagner Moura, por O Agente Secreto
A disputa de Melhor Ator parecia encaminhada no início da temporada. Com vitórias no Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia/Musical e no Critics Choice, Timothée Chalamet despontou como favorito por sua performance em Marty Supreme. O ator, frequentemente citado como um dos grandes talentos de sua geração, vem construindo uma trajetória consistente em Hollywood e já havia sido indicado ao Oscar no ano passado por Um Completo Desconhecido. A combinação entre prestígio acumulado e reconhecimento da temporada colocou Chalamet na dianteira desde cedo.
A reta final, porém, trouxe uma reviravolta. Michael B. Jordan entrou com força na disputa ao vencer o Actor Awards, prêmio do sindicato dos atores — historicamente um dos termômetros mais confiáveis para as categorias de interpretação no Oscar. Crescer nos últimos momentos pode ser decisivo, e o triunfo de Jordan parece confirmar um entusiasmo crescente por Pecadores entre os votantes. Ao mesmo tempo, falas polêmicas recentes de Chalamet circularam nas redes sociais e na imprensa, mas grande parte desse burburinho surgiu quando a votação do Oscar já havia sido encerrada, o que reduz a possibilidade de impacto real no resultado.
Do ponto de vista da torcida — e também de merecimento artístico — é difícil não olhar para Wagner Moura. O brasileiro já conquistou espaço em Hollywood ao longo dos últimos anos e, em O Agente Secreto, entrega uma atuação de enorme presença e complexidade que lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Ator em drama. Uma vitória não seria apenas um reconhecimento individual, mas também um marco histórico: o primeiro Oscar de atuação para o Brasil. Seria ainda mais simbólico por acontecer um ano após Fernanda Torres bater na trave com sua performance em Ainda Estou Aqui. Moura tem o talento, o carisma e o “molho” que fazem dele um candidato irresistível — mesmo que, nas previsões de veículos, como a Variety, a estatueta ainda pareça pender para Chalamet, ou até mesmo Jordan.
MELHOR ATRIZ
- QUEM GANHA: Jessie Buckley, por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
- QUEM DEVERIA GANHAR: Jessie Buckley, por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Na categoria de Melhor Atriz, o cenário é bem mais simples de analisar. Ao contrário de outras disputas da premiação, aqui praticamente não há suspense: qualquer resultado que não seja a vitória de Jessie Buckley por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet seria visto como uma das maiores reviravoltas da história do Oscar.
A atriz vem dominando completamente a corrida por sua atuação no longa de Chloé Zhao, acumulando os principais prêmios da temporada. Buckley venceu o Globo de Ouro na categoria de drama, o Critics Choice, o BAFTA e também o Actor Awards, prêmio do sindicato dos atores — um conjunto de conquistas que praticamente sela o destino da categoria. Se a lógica da temporada prevalecer, a atriz deve subir ao palco neste domingo apenas para consolidar uma vitória que, na prática, já vem sendo arquitetada há meses.
MELHOR ATOR COADJUVANTE
- QUEM GANHA: Sean Penn, por Uma Batalha Após a Outra
- QUEM DEVERIA GANHAR: Stellan Skarsgård, por Valor Sentimental
A categoria de Melhor Ator Coadjuvante teve uma temporada mais fragmentada, com vitórias espalhadas entre diferentes nomes. No entanto, na reta final, Sean Penn parece ter assumido a dianteira. Por sua atuação em Uma Batalha Após a Outra, o ator venceu dois prêmios particularmente importantes: o BAFTA e o Actor Awards. Esse combo costuma ter bastante peso na corrida ao Oscar, já que indica apoio tanto da ala britânica — numerosa entre os votantes da Academia — quanto da própria classe de atores.
A trajetória da temporada, porém, mostrou que a disputa não foi completamente linear. Stellan Skarsgård venceu o Globo de Ouro por Valor Sentimental, enquanto Jacob Elordi, por Frankenstein, levou o Critics Choice. Ainda assim, Penn conseguiu consolidar sua posição no momento mais decisivo da corrida, quando os prêmios passam a influenciar diretamente a percepção dos votantes. Uma vitória de Penn teria peso histórico. Caso confirme o favoritismo, este seria o terceiro Oscar de sua carreira, colocando-o em um grupo bastante seleto de intérpretes com três estatuetas, ao lado de nomes como Jack Nicholson, Meryl Streep e Daniel Day-Lewis.
No entanto, Stellan Skarsgård aparece como uma escolha bastante sedutora e é quem deveria sair vencedor da categoria. O ator sueco construiu uma carreira longa e respeitada em Hollywood e no cinema europeu, transitando entre grandes produções e projetos autorais, mas ainda não possui um Oscar. Mesmo que sua atuação em Valor Sentimental seja mais principal do que propriamente coadjuvante, premiá-lo teria um forte valor simbólico: seria uma forma de coroar décadas de trabalho consistente.
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
- QUEM GANHA: Amy Madigan, por A Hora do Mal
- QUEM DEVERIA GANHAR: Amy Madigan, por A Hora do Mal
A categoria de Melhor Atriz Coadjuvante aparece com três atrizes dividindo os principais prêmios da temporada, o que indica uma disputa aberta — ao menos no papel: Teyana Taylor, por Uma Batalha Após a Outra, venceu o Globo de Ouro; Amy Madigan, por A Hora do Mal, levou tanto o Critics Choice quanto o Actor Awards; enquanto Wunmi Mosaku, por Pecadores, conquistou o BAFTA.
Cada uma chega ao Oscar com um tipo diferente de força. Taylor vem impulsionada pelo bom desempenho de Uma Batalha Após a Outra ao longo da temporada, enquanto Mosaku se beneficia do enorme destaque de Pecadores, que entrou para a história como o filme com 16 indicações, um recorde na premiação. Além disso, sua vitória no BAFTA sugere apoio importante entre os votantes britânicos, que representam uma parcela significativa da Academia.
Mesmo com essa divisão, os sinais da reta final apontam para Amy Madigan. A atriz venceu justamente o Actor Awards, tradicionalmente considerado o indicador mais forte para as categorias de atuação no Oscar. Caso confirme o favoritismo, sua vitória também teria um peso histórico curioso e é por isso que ela realmente deveria sair vencedora.
Isso porque Madigan venceria por um filme de terror, algo extremamente raro na história da Academia. A última vez que um papel associado ao gênero foi premiado aconteceu em 2011, quando Natalie Portman venceu por Cisne Negro. Antes dela, Anthony Hopkins e Jodie Foster triunfaram por O Silêncio dos Inocentes. Ainda assim, todos esses casos são frequentemente enquadrados como thrillers ou dramas psicológicos, e não exatamente como terror de gênero.
Para encontrar um exemplo mais direto dentro do horror, é preciso voltar aos anos 1960, quando Ruth Gordon venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por O Bebê de Rosemary. Curiosamente, existe até um pequeno eco entre as duas performances: Gordon interpretava uma senhorinha envolvida em práticas ocultistas — algo que também aparece na figura da tia Gladys, personagem de Amy Madigan em A Hora do Mal. Se a Academia confirmar esse resultado, será não apenas uma vitória da atriz, mas também um raro momento de consagração do terror no Oscar.
MELHOR DIREÇÃO
- QUEM GANHA: Paul Thomas Anderson, por Uma Batalha Após a Outra
- QUEM DEVERIA GANHAR:Paul Thomas Anderson, por Uma Batalha Após a Outra
A categoria de Melhor Direção parece ter um dos cenários mais definidos da temporada. Apontar um vencedor que não seja Paul Thomas Anderson seria, neste momento, apostar em uma grande surpresa. O cineasta, responsável por Uma Batalha Após a Outra, é daqueles nomes frequentemente citados quando se discute grandes diretores em atividade que ainda não possuem um Oscar.
Indicado anteriormente por filmes como Sangue Negro e Trama Fantasma, Anderson construiu ao longo das últimas décadas uma das filmografias mais respeitadas do cinema contemporâneo. E tudo indica que finalmente chegou a sua vez. PTA fez a limpa nas principais premiações da temporada: venceu o Globo de Ouro, o Critics Choice, o BAFTA e também o DGA, prêmio do sindicato dos diretores — historicamente um dos indicadores mais confiáveis para o Oscar de direção.
É claro que toda corrida ao Oscar sempre guarda espaço para uma surpresa. Alguns analistas apontam que Ryan Coogler, por seu trabalho em Pecadores, poderia aparecer como um possível azarão, especialmente considerando a enorme força do filme na temporada — que chegou ao recorde de 16 indicações ao Oscar. Ainda assim, olhando para o histórico recente das premiações e para o domínio de PTA nos principais termômetros da indústria, tudo indica que a Academia deve apenas confirmar aquilo que a temporada já vem sinalizando: a consagração de um dos diretores mais admirados de sua geração.
MELHOR FILME INTERNACIONAL
- QUEM GANHA: O Agente Secreto
- QUEM DEVERIA GANHAR: O Agente Secreto
Por muito tempo, Foi Apenas um Acidente, representante da França e vencedor da Palma de Ouro no último Festival de Cannes, foi a grande ameaça a O Agente Secreto na categoria de Melhor Filme Internacional. Nos últimos meses, Valor Sentimental, da Noruega, tomou a dianteira e é a grande aposta para o prêmio.
Porém, se há justiça entre os votantes da Academia, a estatueta de Melhor Filme Internacional é de O Agente Secreto e ninguém tira. Kleber Mendonça Filho é um ótimo escritor e um excelente, mas excede expectativas na arte de ser brasileiro — e isso permeia o longa, que traz a história de Armando/Marcelo quase como uma desculpa para apresentar o Brasil ao mundo, como falamos anteriormente.
Em quase três horas de filme, o diretor apresenta um Brasil que passou, mas que, ao mesmo tempo, ainda existe, seja na memória ou pela falta dela. O Agente Secreto nos revela que a vida não foi feita para doer, mas também para pular carnaval, brincar, curtir, sorrir, beijar, transar, viver e, principalmente, ser feliz. E esse é um retrato bastante honesto de um Brasil que, mesmo sob as piores desgraças, consegue encontrar motivação para colocar um pé à frente do outro e viver mais um dia, com esperança de um futuro “com menos pirraça”.
MELHOR DIREÇÃO DE ELENCO
- QUEM GANHA: Francine Maisler, por Pecadores
- QUEM DEVERIA GANHAR: Gabriel Domingues, por O Agente Secreto
A edição deste ano marca a estreia da categoria de Melhor Direção de Elenco no Oscar. Como se trata de um prêmio completamente novo, ainda é difícil estabelecer padrões claros de favoritismo ou entender exatamente quais critérios tendem a pesar mais para os votantes da Academia. Mesmo assim, alguns indicativos da temporada ajudam a apontar possíveis caminhos.
Entre as premiações importantes que possuem uma categoria equivalente, parece que há um favorito: no Critics Choice, o vencedor foi Pecadores; no BAFTA, o prêmio ficou com o britânico I Swear; e no Actor Awards — o prêmio do sindicato dos atores e, naturalmente, o termômetro mais relevante para algo ligado ao elenco — quem levou foi novamente Pecadores. Considerando esse histórico, o filme surge como o nome mais lógico para levar o primeiro Oscar da história dessa categoria.
Mas, do ponto de vista da torcida — e também de uma análise mais apaixonada —, é difícil não olhar para O Agente Secreto. O trabalho de Gabriel Domingues, responsável pela seleção de elenco do filme de Kleber Mendonça Filho, é um dos grandes trunfos da produção. O longa apresenta uma verdadeira miscelânea de personagens, e cada intérprete parece ter sido escolhido com precisão cirúrgica para dar vida àquele universo.
Ao longo da temporada, vários nomes do elenco acabaram se destacando individualmente, com direito até a fenômenos nas redes sociais — caso de Tânia Maria. Uma eventual vitória do brasileiro seria não apenas um reconhecimento desse trabalho coletivo de escalação, mas também um momento simbólico: o Brasil conquistando uma estatueta em uma categoria estreante, ampliando ainda mais sua presença histórica no Oscar. Não custa sonhar.
Onde assistir e que horas começa o Oscar 2026?
No Brasil, a TNT e a HBO Max irão transmitir 98ª cerimônia de entrega dos prêmios do Oscar a partir das 20h (horário de Brasília). Na TV aberta, a premiação será transmitida pela TV Globo a partir das 21h, logo após o programa Fantástico, com apresentação de Maria Beltrão, comentários de Dira Paes e Waldemar Dalenogare, e tradução simultânea de Anna Viana.
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