Quentin Tarantino diz que não tem pressa em dirigir o último filme da carreira
O cineasta também se mostrou crítico aos padrões atuais do cinema e disse que o ano de 2019 foi 'o último ano do cinema'
Pedro Figueiredo (@fedropigueiredo)
Publicado em 29/01/2025, às 14h15
Não é segredo para ninguém que o próximo filme dirigido por Quentin Tarantino será o último de sua carreira. Apesar disso, o diretor declarou que não tem pressa em filmar o capítulo final da filmografia. Em vez disso, ele tem se ocupado com a escrito e sendo pai nos últimos anos.
Em uma conversa com a Variety durante sua participação no Festival de Sundance, o cineasta explorou o tema. “Faço isso há 30 anos. No mês que vem, meu filho faz cinco anos, e tenho uma filha de dois anos e meio. Quando estou nos Estados Unidos, estou escrevendo. Quando estou em Israel? Sou um abba, que significa pai.”
“A ideia de embarcar em uma viagem quando eles são muito jovens para entender não é atraente para mim," explicou Tarantino. "Eu meio que quero não fazer qualquer filme que eu acabe fazendo até que meu filho tenha pelo menos seis anos. Dessa forma, ele saberá o que está acontecendo, ele estará lá, e será uma lembrança para o resto da vida dele.”
Isso não quer dizer que ele não esteja envolvido em projetos que o público verá em breve. Agora, ele trabalha em uma peça de teatro “provavelmente será a próxima coisa que eu vou fazer”. “Se for um fiasco, eu provavelmente não vou transformá-la em um filme”, ele disse. “Mas se for um sucesso estrondoso? Pode ser meu último filme”.
Ao ser questionado sobre o motivo do foco ser no teatro e não no cinema, Tarantino fez críticas ao cinema atual. “É uma grande coisa fazer [uma peça] acontecer, e eu não sei se consigo”, ele disse. “Então aqui vamos nós. Isso é um desafio, um desafio genuíno, mas fazer filmes? Bem, o que diabos é um filme agora? O quê — algo que passa nos cinemas por um lançamento simbólico por quatro semanas? Tudo bem, e na segunda semana você pode assistir na televisão. Eu não entrei nisso tudo por retornos decrescentes.”
“Quer dizer, já era ruim o suficiente em 97. Já era ruim o suficiente em 2019, e esse foi o último ano de filmes. Foi uma merda, no que me diz respeito, o fato de ter piorado drasticamente? E que é apenas um exercício de exibição. Agora o lançamento nos cinemas, sabe, e então, tipo, sim, em duas semanas, você pode assistir neste [streaming] e naquele. Certo. Cinema? Você não pode fazer isso. É a fronteira final,” finalizou.
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