Série da HBO Max revisita Massacre de Realengo

Bianca Lenti ouve familiares de vítimas da tragédia em Realengo

por Heloísa Lisboa (@helocoptero)

Publicado em 12/07/2023, às 16h39
Banner de 'Massacre na Escola: A Tragédia das Meninas de Realengo', da HBO Max (Divulgação)
Banner de 'Massacre na Escola: A Tragédia das Meninas de Realengo', da HBO Max (Divulgação)

Nova série da HBO Max, Massacre na Escola: A Tragédia das Meninas de Realengo, revisita tragédia ocorrida em 7 de abril de 2011, no Rio de Janeiro, quando um homem de 23 anos matou 12 estudantes.

Bianca Lenti, dos documentários Fio do Afeto e Soldados do Araguaia, analisa possíveis razões que levaram ao atentado e à repetição do ocorrido em outras escolas. Dez das vítimas da escola municipal Tasso da Silveira eram meninas e, por isso, a diretora abordou a história sob a ótica do feminicídio, de acordo com a CNN:

Esse tema [o feminicídio] não foi priorizado porque era um crime muito novo e estava todo mundo em choque. O que interessava era: quem era o atirador? Por que ele fez isso?

O enfoque nos relatos das famílias das vítimas e na discussão social que envolve o tema levaram Lenti a a não divulgar o nome do assassino ao longo dos dois episódios da série. Em 2011, o nome do autor do crime foi amplamente divulgado, o que levou à construção de uma narrativa totalmente diferente da pretendida por Bianca.

Mais de doze anos depois do massacre, o cenário mudou para pior, já que o número de atentados em escolas tem aumentado. Segundo a Agência Brasil, desde 2002 foram registrados 24 atentados, sendo que 17 deles ocorreram nos últimos quatro anos. Ao jornal O Estado de S. Paulo, Bianca Lenti apontou a defesa às armas de fogo como um dos fatores que agravaram a situação de 2011 para cá:

Começamos a filmar a série em 2022 e tudo mudou. O contexto só piorou. A gente viu a radicalização do discurso de ódio, defesa de acesso às armas de fogo, e ódio disseminado nas redes sociais. Não à toa, testemunhamos mais seis massacres em escolas nos últimos seis meses. 

O levantamento da Agência Brasil revela também que em todos os casos o crime foi praticado por um homem ou menino, sendo que 11 deles usaram armas de fogo, causando três vezes mais mortes do que armas brancas.