ENTREVISTA

Aos 79 anos, Tânia Maria estreia novo filme, ‘Yellow Cake’, no Olhar de Cinema: ‘Idade é só número’

Revelada em O Agente Secreto, atriz integra o elenco do longa estrelado por Rejane Faria (Marte Um), que abriu a 15ª edição do festival curitibano

Henrique Nascimento (@hc_nascimento)

Aos 79 anos, Tânia Maria lança seu segundo filme, 'Yellow Cake', no Olhar de Cinema: 'Idade é só número' (Divulgação/Duda Dalzoto)

Depois de conquistar o Brasil e o mundo como a carismática Dona Sebastiana, de O Agente Secreto (2025), dona Tânia Maria só pensa em fazer mais filmes. Na última semana, a atriz de 79 anos, destaque no longa de Kleber Mendonça Filho (Bacurau), lançou o seu novo filme, Yellow Cakena 15ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, e teve uma recepção digna de estrela de Hollywood, sob gritos e aplausos empolgados.

Na novidade, ela interpreta dona Rita, uma moradora de Picuí, no sertão da Paraíba, que é invadida por norte-americanos com o intuito de explorar as reservas de urânio locais e, a partir do minério, desenvolver uma solução para o problema da epidemia do Aedes aegypti, responsável por transmitir a dengue, entre outras doenças.

Em entrevista à Rolling Stone Brasilque esteve presente na estreia nacional de Yellow Cake, realizada no emblemático teatro Ópera de Arame para mais de 1.500 pessoas, dona Tânia afirma que, ao ser convidada para participar da produção, não pensou duas vezes: “Eu gosto muito de filme. Adoro filmar. O que me convida, eu vou”, declara. “[E esse filme] é bom demais. Me deixou com muito ansiedade. A história é muito boa.”

Assim como Sebastiana, Rita também é uma mulher decidida, sem receio de expressar as suas opiniões e que não abre mão de fumar o seu cigarro uma vez ou outra. Porém, dona Tânia garante que a intenção não era evocar a sua personagem anterior: “Foi tudo decorado. Tudo do roteiro”, revela a atriz, celebrando a parceria com Tiago Melo (Azougue Nazaré), que escreveu e dirigiu a novidade. “Ele nos dava tudo. Nós ensaiamos muitos dias”, completa.

Apesar de ter o roteiro na ponta da língua, uma cena ainda surpreendeu dona Tânia ao reassistir ao filme no Olhar de Cinema. Em uma cena, dona Rita fuma enquanto conversa com Rúbia, personagem de Rejane Faria (Marte Um), que a questiona sobre os efeitos do cigarro na sua saúde. A senhora responde que fuma há anos e nunca sentiu nada, então o fumo não fazia mal a ela.

À época das gravações, dona Tânia fumava três carteiras de cigarro por dia e, assim como a sua personagem, também acreditava que o cigarro não fazia mal à sua saúde, até adoecer e precisar parar de fumar. Hoje, ao rever a cena, a reação da atriz é quase cômica: “Assistindo ao filme, eu falei: ‘Meu Deus, estou doida de dizer que não faz mal?'”, conta, ao risos.

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, dona Tânia Maria relembra momento com cigarro em seu novo filme, Yellow Cake: ‘Meu Deus, estou doida?’ (Reprodução)

Nos elencos dos inéditos Sábado Morto, longa de Leonardo Lacca (Seu Cavalcanti) com Jesuíta Barbosa (Homem com H), e A Adoção, de Allan Deberton (O Melhor Amigo), dona Tânia sonha em continuar a fazer filmes e nem pensa em deixar a idade impedir de realizar esse desejo:

“Não tem idade [para sonhar]. A idade que a pessoa tem, [ela tem que ir] em frente, porque ninguém é velho, não. A idade é só número. A idade é a que a pessoa quiser”, afirma. “Eu não sou velha, não. Eu me julgo nova. Eu decoro, eu trabalho, sou artesão. Ainda faço muita coisa.”

E, tirando filmes de terror, nada ou ninguém consegue assustar dona Tânia: “[Fazer cinema] é tudo de um jeito só. Os diretores são todos iguais, eu não sei distinguir. Leonardo LaccaKleberTiaguinho… Eu não sei distinguir um do outro. Todos são bons”, declara. “Então fazer cinema não é uma tarefa muito difícil para a senhora?”, pergunto, na esteira de sua resposta. “É, não”, ela me responde, sem titubear.

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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas, em São Paulo, Henrique Nascimento começou como estagiário na Veja São Paulo e passou por veículos como SBT, Exitoína, Yahoo! Brasil e UOL antes de se tornar coordenador do núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo.
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