'REALMENTE FASCINANTE'

O filme que fez Tarantino se apaixonar por cinema

Cineasta revela como equilíbrio entre o riso e o medo em um clássico da infância se tornou a base de seu próprio estilo cinematográfico

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb)

Quentin Tarantino em 2025 (Foto: Frazer Harrison/Getty Images for Epic Games)
Quentin Tarantino em 2025 (Foto: Frazer Harrison/Getty Images for Epic Games)

Para Quentin Tarantino, o cinema nunca foi apenas um passatempo, mas uma experiência visceral que começou muito antes dele empunhar uma câmera. Em seu livro de ensaios Cinema Speculation, o icônico diretor mergulha em suas memórias de infância para revelar qual foi o ponto de virada que o transformou no cinéfilo devoto que conhecemos hoje.

Embora o jovem Tarantino tenha sido exposto precocemente a filmes intensos e proibidos para sua idade — como Amargo Pesadelo (1972) e O Massacre da Serra Elétrica (1974) —, houve uma obra específica que selou seu destino. De acordo com ele (via Far Out Magazine), o filme que realmente despertou sua paixão foi Abbott e Costello Contra Frankenstein (1948).

Pode parecer uma escolha inusitada para o mestre da violência como estética. Entretanto, Tarantino explica que essa comédia de terror foi fundamental por um motivo técnico e emocional: a mistura de gêneros.

Ele explica:

“Meu filme favorito quando eu era bem pequeno era Abbott e Costello Encontram Frankenstein. Eu adorava filmes de monstros e adorava comédias, e em Abbott e Costello Encontram Frankenstein, sim, é muito engraçado quando Abbott e Costello estão por perto. Mas quando eles não estão, o filme é levado muito a sério.”

Tarantino acrescenta:

“Eu me lembro de pensar: ‘Esses são os melhores filmes de todos os tempos, quando é para ser engraçado, é muito engraçado, e quando é para ser assustador, é muito assustador. Não acredito que façam tantos filmes assim – este é o melhor filme de todos os tempos’. Então, mesmo sendo bem pequeno, eu já fazia distinções de gênero. Eu percebia que existiam gêneros, e eu gostava de um gênero e gostava daquele outro, e misturá-los era algo realmente fascinante para mim.”

Hoje, ao olhar para trás, Tarantino não vê apenas entretenimento nesses clássicos, mas lições que o ensinaram a “quebrar as regras”. Abbott e Costello Contra Frankenstein, segundo ele, foi o primeiro a mostrá-lo que o cinema é um campo onde o medo e o riso podem caminhar de mãos dadas — uma lição que ele aplicou ao longo de sua própria carreira.

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Guilherme Gonçalves é jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua no jornalismo esportivo desde 2008. Colecionador de discos e melômano, também escreve sobre música e já colaborou para veículos como Collectors Room, Rock Brigade e Guitarload. Atualmente, é redator em IgorMiranda.com.br, revisa livros das editoras Belas Letras e Estética Torta e edita o Morbus Zine, dedicado a resenhas de death metal e grindcore.
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