Hamdan Ballal

Diretor que venceu Oscar está desaparecido após ação de soldados israelenses, diz colega

Hamdan Ballal, palestino que dirigiu o documentário Sem Chão, teria sido sequestrado durante transporte médico

Aline Carlin Cordaro (@linecarlin)

Publicado em 24/03/2025, às 18h55
Cena de 'Sem Chão' | Divulgação
Cena de 'Sem Chão' | Divulgação

O cineasta palestino Hamdan Ballal, codiretor do documentário Sem Chão (No Other Land), está desaparecido após supostamente ter sido espancado por colonos israelenses e levado por soldados durante o atendimento médico. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (24), nas redes sociais do jornalista e também codiretor do filme, Yuval Abraham.

Segundo o relato, Ballal foi atacado por um grupo de colonos, sofreu ferimentos na cabeça e no estômago e, ao solicitar uma ambulância, teve o veículo interceptado por militares israelenses, que o levaram para um destino desconhecido.

“Um grupo de colonos acaba de linchar Hamdan Ballal, codiretor do nosso filme Sem Chão. Eles o espancaram e ele está com ferimentos na cabeça e no estômago, sangrando. Soldados invadiram a ambulância que ele chamou e o levaram. Não há sinal dele desde então”, escreveu Yuval.

Além do relato, Yuval publicou um vídeo em que supostos colonos atacam ativistas no vilarejo onde vive Ballal. Outros relatos ouvidos pelo jornal Haaretz indicam que entre dez e vinte colonos mascarados participaram do ataque, usando pedras e galhos, quebrando vidros de carros e furando pneus.

O cineasta Basel Adra, também envolvido na produção do filme, publicou uma imagem da casa de Ballal, manchada de sangue, ao lado do filho de sete anos do colega:

“Estou de pé com Karam, o filho de 7 anos de Hamdan, perto do sangue de Hamdan em sua casa. É assim que eles apagam Masafer Yatta”, afirmou.

Documentário premiado

Lançado em 2024, Sem Chão acompanha a destruição de casas palestinas e as tentativas de deslocamento forçado na região de Masafer Yatta, na Cisjordânia, entre os anos de 2019 e 2023. O filme foi codirigido por Hamdan Ballal, Yuval Abraham, Basel Adra e Rachel Szor, e venceu o Oscar de Melhor Documentário em 2025, além de dois prêmios no Festival de Berlim.

Durante o discurso de agradecimento em Berlim, Yuval denunciou a “situação de apartheid” em Gaza e pediu um cessar-fogo, o que gerou críticas na mídia alemã e ameaças de morte contra o cineasta. Posteriormente, o filme foi alvo de censura na Flórida (EUA), após o prefeito de Miami ameaçar fechar um cinema que o exibiu.

O documentário segue em cartaz em algumas salas brasileiras e está previsto para chegar ao streaming Filmelier+ em abril.